Domingo, 25 de novembro de 2007 | Online

Muita terra, pouco soldado

Tânia Monteiro

Soldados trabalham na restauração da BR-319, no Amazonas. Foto: José Luís da Conceição/AE

BRASÍLIA - Na década de 1970, havia menos de 4 mil homens do Exército na Amazônia. Trinta anos depois são 23.500. Juntos, Exército, Aeronáutica e Marinha têm ali perto de 35 mil homens. Mas o efetivo do Exército no País todo é basicamente o mesmo desde a década de 1950, quando o Brasil tinha 50 milhões de habitantes. Hoje, para defender os 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território e os 180 milhões de habitantes, o Exército tem 185 mil pessoas.

 

Os militares defendem que é necessária a presença do Estado na fronteira do País e alertam que órgãos como Ibama, Incra, Funai e Funasa precisam estar plantados dentro da floresta, e não em Manaus e Belém, como é hoje. Os oficiais até reconhecem que, como há uma falta de autoridades na Amazônia, o Exército acaba promovendo a militarização da região. Essa realidade pode ser bem observada nas unidades militares instaladas nas cidades mais distantes, atingidas pelo projeto Calha Norte. Esse projeto foi criado em 1985 para promover a presença do poder público na região, contribuindo para a defesa nacional, atendendo a população e fixando o homem na área.

 

A ausência do poder público na região também é uma preocupação da Polícia Federal. Ela adverte para a quantidade de mortes por conflitos de terra, provocadas, principalmente, no rastro dos fluxos migratórios na área da Amazônia, pela expansão das fronteiras agrícolas. Para a PF, só a presença efetiva do Estado nessas regiões será capaz de garantir soberania e paz efetivas. O problema é que, em praticamente todas as unidades fronteiriças, os locais destinados às autoridades civis estão desocupados. Apenas as Forças Armadas foram de fato deslocadas para trabalhar na região.