Domingo, 25 de novembro de 2007 | Online
Era uma vez a cana-de-açúcar...
José Maria Tomazela

Campo da agropecuária Jayoro, empresa que planta cana na cidade de Presidente Figueiredo (AM). Foto: Ed Ferreira/AE
O zoneamento ambiental da cana-de-açúcar vai proibir o cultivo da planta na Região Amazônica e no Pantanal. O trabalho de zoneamento deve ficar pronto em junho do ano que vem. O veto foi uma decisão pragmática do governo. Ao mesmo tempo em que o aumento da produção de etanol é um dos projetos mais caros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ameaça de que o desmatamento volte a crescer assusta quem tenta vender a idéia do Brasil como um país ecologicamente correto.
Há algum tempo, aliás, Lula já tentava desestimular o plantio de cana na região. Chegou a dizer: “Os portugueses eram tão inteligentes que trouxeram a cana para cá há 470 anos e não foram para a Amazônia, porque sabiam que o solo e o tipo de umidade dali não permitem que se produza cana-de-açúcar como se produz em São Paulo ou no Centro-Oeste.” Mas o desestímulo presidencial não desencorajou os plantadores. A cana ainda é forte no norte de Mato Grosso, sul do Pará e Maranhão, além de ter presença relevante no Acre e em Rondônia. Para aumentar a polêmica, a Usina Jayoro tem alcançado alta produtividade, a apenas 100 quilômetros de Manaus. Suas terras ocupam 59 mil hectares, entre duas áreas de proteção: a Estação Ecológica de Anavilhanas e a Terra Indígena Uaimiri-Atroari. O cultivo de 33 variedades de cana, das mais de 100 pesquisadas, se estende por 4,5 mil hectares. O álcool atende à demanda regional. O açúcar é todo comprado pela Coca-Cola.
No Acre, a Álcool Verde pretendia produzir 45 milhões de litros do combustível a partir de maio do ano que vem. O empreendimento, que custou R$ 60 milhões, surgiu após a falência de um projeto governamental que originou, nos anos 80, a Alcobrás. Parte de seus 11,5 mil hectares está ocupada por assentamentos, mas os agricultores viraram parceiros e produzem a cana processada pela usina.

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