Domingo, 25 de novembro de 2007 | Online
Ricos e inertes
Carlos Marchi

Natureza morta no lago artificial produzido pela hidrelétrica, que inundou 2,6 mil quilômetros de florestas nativas. Foto: Ed Ferreira/AE
Os uaimiri-atroaris ficaram ricos e, ao mesmo tempo, inertes. Os belicosos índios que rechaçaram os contatos abusivos dos brancos desde o século 19 e que chacinaram a expedição do padre Giovanni Calleri em 1968 são hoje tão pacíficos que nem caçam e pescam mais. Vivem ociosamente da indenização de Balbina, gerida por um comitê integrado por dois representantes da Funai, um da Eletronorte e três índios. A etnia recebeu R$ 3,96 milhões no ano passado.
A idéia, explica o antropólogo Artur Nobre Mendes, da Funai, que integra o comitê, é dar a eles condições de se auto-sustentar. O dinheiro tem servido para construir escolas e montar criações de galinhas, patos, bois, caititus, capivaras, tartarugas e antas. Os uaimiri-atroaris eram 419 em 1988 e no final de 2006 somaram 1.169, graças a uma taxa de crescimento demográfico de quase 5% ao ano, que faz deles hoje uma nação de jovens – a idade média é de 17,3 anos. Em 2006, 729 deles estavam nas escolas da etnia e 26% dos alunos de 13 a 30 anos já estavam alfabetizados.

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