Domingo, 25 de novembro de 2007 | Online
Welcome, willkommen, bienvenu
Estrangeiros são os que mais gastam e mais tempo ficam de férias na região
Camila Anauate

O hotel Ariaú Amazon Towers é construído sobre palafitas no nível das copas das árvores. Foto: Vivi Zanatta/AE
Um estudo feito pelo Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal (Preecotur), do Ministério do Meio Ambiente, mostra que a Amazônia pode atrair até 5 milhões de turistas por ano. “Fizemos pesquisa em 11 países, num universo de 44 milhões de pessoas”, diz o coordenador-geral do programa, Allan Milhomens. “O equivalente a 5 milhões disseram que, de fato, querem conhecer a floresta.”
Até chegar a esse patamar, no entanto, é preciso investir, e muito, em infra-estrutura, especialmente na melhoria dos acessos rodoviários, fluviais e aéreos, em tecnologias ambientalmente corretas (como energia solar e eólica), na capacitação das pessoas que vão atender os visitantes.
Promessas, projetos e diagnósticos não faltam. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, aposta que o século 21 será dos turistas ecológicos e crê no potencial da Amazônia como destino de viagem. “Mas tudo ainda precisa ser feito: de investimentos em infra-estrutura a qualificação profissional, estradas e saneamento básico” , admite ela, no entanto.
A empresa oficial de turismo do Estado do Amazonas, Amazonastur, sabe que o caminho é longo até que se alcancem as condições ideais. “Nossa proposta é desenvolver ações que utilizem de forma racional os recursos naturais, resgatem e preservem a cultura local, criem renda e melhorem a qualidade de vida das comunidades”, diz a presidente da entidade, Oreni Braga.
Os turistas estrangeiros têm aí um importante papel. São os que gastam mais e ficam mais tempo na floresta. Dados da Embratur, o órgão de promoção turística do Brasil no exterior, mostram que hoje esses visitantes passam pelo menos 15 dias na Amazônia e gastam em média US$ 90 por dia – os brasileiros desembolsam menos, cerca de US$ 60.
São principalmente os turistas estrangeiros, em especial os americanos, que ocupam os hotéis de selva e os navios de luxo em busca de contato com a natureza. Segundo o Ariaú Towers, o mais badalado hotel da região, 85% dos hóspedes são estrangeiros. No cinco-estrelas flutuante Iberostar Grand Amazon, esse público é de 60%. Opção mais luxuosa de cruzeiro pelos rios amazônicos, o Iberostar já chegou à região para a temporada e opera roteiros pelos Rios Negro, Solimões e Amazonas. Segundo a CVC, que comercializa os pacotes, o navio fica por lá pelo menos até abril. Há cruzeiros de três, quatro ou sete noites, com diária a partir de R$ 622 por pessoa, incluindo alguns passeios.
O Amazonas tem 30 hotéis cadastrados na Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), e 14 estão indicados pelo Guia 4 Rodas como hospedagem de selva. Ao longo do Rio Negro e seus afluentes, esses hotéis – rústicos ou glamourosos, em terra firme ou sobre balsas – oferecem a essência da floresta.
A Embratur é a grande responsável por esse sucesso. “A Amazônia é um ícone brasileiro, assim como o Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu”, avalia a presidente da empresa, Jeanine Pires. “A floresta é um ponto essencial de promoção porque é o que diferencia nosso país dos outros destinos mundiais.” Segundo Jeanine, depois dos americanos, são os turistas alemães, franceses, ingleses e asiáticos os que mais procuram ecoturismo – e, portanto, eles são alvos da Embratur.
As estratégias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal fazem parte do Proecotur, um programa desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente desde 1999, para atrair investimentos, proteger os atrativos da floresta e criar empregos e renda para as comunidades locais. Na primeira fase do programa, foram realizadas avaliações de mercado – como a que prevê os 5 milhões de turistas na Amazônia – e planejamento turístico nos principais destinos da região. A segunda fase ser coordenada pelo Ministério do Turismo em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e inclui um pacote de financiamento de US$ 200 milhões. Esse acordo está em fase final de estudo e vai definir quais serão os investimentos de curto, médio e longo prazos.
A ministra Marta Suplicy sugeriu recentemente aumentar para R$ 100 milhões, em 2008, os investimentos na Amazônia Legal. Marta também prometeu liberar, até o fim do ano, os R$ 26 milhões previstos para serem aplicados na região. Outro importante ponto de discussão é a mudança na malha aérea para facilitar o acesso à área. Marta defende que a Amazônia seja escala para vôos internacionais e receba linhas nacionais diretas para a chegada dos brasileiros. O governo já negocia com companhias aéreas americanas a criação de rotas entre cidades dos Estados Unidos e Manaus, sem escalas em São Paulo, Rio ou Brasília. Os planos do governo do Amazonas são ainda mais ambiciosos. De acordo com a Amazonastur, a idéia é tornar Manaus uma cidade estratégica para receber vôos não só dos Estados Unidos como também do Caribe e de vizinhos da América do Sul. E, depois, distribuí-los para o resto do País. “Ou seja, Manaus seria um hub (centro de distribuição de vôos) na região Norte”, defendeu Oreni, da Amazonastur.

.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)
.gif)