
Macaco na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Cujubim. Foto: Dida Sampaio/AE
MANAUS - A abundância de vida na Amazônia esconde uma contradição curiosa: em sua maioria, as espécies que vivem ali são raras. Algumas estão restritas a regiões e condições ecológicas muito específicas - há espécies que existem em um único igarapé; outras podem até ocorrer por toda a Amazônia, mas sempre em baixas concentrações, com poucos exemplares por área. “Numa floresta temperada, há 100 árvores por hectare e são todas da mesma espécie. Na Amazônia, você tem 100 árvores por hectare e cada uma é de uma espécie diferente”, compara o pesquisador Mario Cohn-Haft, do Inpa. “Se você pensar bem, é uma adequação lógica: a única maneira de abrigar tantas espécies num único lugar é colocar poucos indivíduos de cada uma.” Aos olhos do leigo, as árvores da Amazônia podem parecer todas iguais. Com um pouco de treinamento botânico (ou com a ajuda de um bom guia), porém, é possível enxergar as diferenças. Pare e preste atenção: o mais provável é que cada tronco seja de uma espécie diferente. Nos 100 km² da Reserva Ducke, em Manaus, por exemplo, há várias espécies de árvores das quais só se conhece um único exemplar. “Claro que não investigamos cada centímetro da reserva, mas isso já dá uma idéia da raridade de que estamos falando”, diz o botânico Mike Hopkins, que coordenou o inventário de flora da unidade, considerado o mais completo da Amazônia. Essa é mais uma razão para não subestimar o impacto do desmatamento sobre a biodiversidade. Mesmo eventos localizados podem ter impacto mortal sobre certas espécies.