
Pôr-do-sol sobre o Rio Jutaí, na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Cujubim. Foto: Dida Sampaio/AE
MANAUS - Os sonoros nomes dos rios amazônicos, com seus significados misteriosos para os leigos, são parte da mística da região. Numa preleção feita no dia 25 de janeiro de 1889, o jurista e jornalista João Mendes de Almeida, presidente da Sociedade dos Homens de Letras de São Paulo, decodificou esses nomes, revelando uma intrincada teia de significados em tupi – a mãe dos idiomas indígenas do Brasil.
Solimões – Çuri-mã – “Altos e baixos e voltas”, por suas ilhas, canais intermediários e braços
Madeira – Mã-nd-yêrê – “Impedimentos e voltas”, alusão às muitas cachoeiras e voltas que dá
Trombetas – Terõ-mb-etá – “Muitas tortuosidades”, por causa do seu labirinto de canais, que formam ilhas
Tefé – Té-cê – “Saída errada”, por desaguar, após uma curva, num grande lago, em vez de no rio principal
Javari – I-abari – “Rio difícil”, por causa das cachoeiras e saltos
Içá – I-çái – “Rio espalhado”, pela formação de alagadiços e canais
Jutaí – Y-y-itá-í – “Continuamente escorado”, por correr entre penedos e margens altas
Juruá – Yurù-yà – “Boca rachada”, por desaguar em vários canais, além da boca principal
Japurá – I-apoî-rá – “Desatado em alagadiços”, porque durante a enchente se comunica com outros rios, sobre as várzeas
Coari – Quà-ri – “Com poço”, por causa do grande lago em sua foz
Purus – Pú-rú – “Tem comunicações”, por causa dos braços que o ligam ao Madeira e ao Coari.