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Fóruns Estadão Brasil 2018 - Segurança

Fóruns Estadão Brasil 2018 - Segurança

'Estado' e Insper discutem criminalidade, drogas, policiamento, penas e prisão em segundo debate da série; estimular a discussão sobre o tema e propor soluções é o objetivo do evento

O encontro desta sexta-feira (23) foi dividido em três painéis. O primeiro, às 9h15, discutiu drogas e criminalidade. Participaram Daniel Mejía Londoño, professor de economia da Universidade dos Andes, e Mark Albert Kleiman, da Escola de Política Pública da Universidade da Califórnia. A mediação foi de Carolina Ricardo, analista de justiça e segurança pública do Instituto Sou da Paz.  

Os dois primeiros debatedores concordaram que a guerra contra as drogas custa mais do que os 

benefícios que pode proporcionar à sociedade. "Políticas de redução de oferta de drogas são ineficientes em reduzir a oferta", disse Mejía, sobre a atividade de governos em atacar produtores de entorpecentes. Pior, segundo ele, a estratégia só aumenta os recursos gastos com segurança e transfere para os países produtores o ônus de resolver o problema de drogas nos países consumidores, assumindo as mortes e criminalidade da guerra contra o narcotráfico.

 

"É preciso reduzir os efeitos colaterais do mercado ilícito de drogas. O uso do aparelho do Estado não deve restringir o tráfico explícito, nas ruas, e sua violência. O objetico não é colocar mais traficantes na cadeia, mas forçá-los a uma forma de mercado ilícito discreto", disse Kleiman. 

 

Às 11h, o segundo debate abordou estratégias de policiamento e unificação das polícias. O coronel José Vicente da Silva, ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de segurança, e Claudio Beato, sociólogo e professor da UFMG e coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), trataram do tema, sob moderação do jornalista Bruno Paes Manso.

 

A necessidade de unificação das polícias Militar e Civil foi ponto comum nas argumentações dos debatores. Tanto para o coronel como para o sociólogo, a falta de trabalho em conjunto das corporações prejudica as investigações e contribui para o aumento da violência.

No último painel, às 12h, o tópico foi "Penas e Prisão: dissuadem ou incapacitam os criminosos?". Com moderação do jornalista do "Estado" Marcelo Godoy, participam Theo Dias, professor de direito penal do curso de graduação de direito da Getúlio Vargas, e João Manoel Pinho de Mello, professor titular do Insper.

Para os acadêmicos, a necessidade de aplicação de penas alternativas mais inteligentes é uma das saídas para os problemas de incapacitação provocada pelos sistemas prisionais, não apenas no Brasil, como mundo afora. "Como punir? O debate não pode se restringir ao encarceramento. Temos de discutor outras punições e usar o direito penal como instrumento eficaz para solução dos conflitos e não como tábua de salvação", afirmou Theo Dias.

Na próximo dia 28, o "Estado" publica um caderno especial com os melhores momentos do debate, reportagens, análises e entrevistas sobre os caminhos da Educação no Brasil nos próximos quatro anos. 

 


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