Quinta-feira, 19 de Abril de 2001, 15:18 | Online

Centro Cultural Banco do Brasil abre em SP

Metro - A Metrópole em Você abre a sede paulista com instalação de Tunga. Cálices, caldeirões e sinos estão na praça central do prédio e ressurgem dentro do edifício, ao som da música de Arnaldo Antunes e performance de cem atores e bailarinos dirigidos por Lia Rodrigues

Marcello Dantas, curador da série de eventos inaugurais do CCBB paulista, escreve no folder de apresentação das atividades do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que será inaugurado em São Paulo no sábado. Metro - A Metrópole em Você é o tema da abertura do centro cultural que fica na rua Álvares Penteado, 112. Dantas escreve que "Metro, prefixo de metrópole, medida de escala humana, objeto de desejo e conflito no espaço urbano, com acento é vetor de transporte das grandes cidades. Metro liga o universo macro da cidade ao espaço mínimo pessoal".

O metro que cabe a Tunga, artista plástico que abre no sábado ao meio-dia a série de atividades reunidas sob o título de Metro são nada menos que os cinco andares do edifício de 1901. "Em um primeiro momento, a instauração ocuparia também os subsolos do prédio", conta Tunga, que, não fossem as obras finais do espaço, apresentaria seu trabalho Resgate também nos andares subterrâneos do local que abrigou a primeira sede do Banco do Brasil na cidade e que ainda preserva pesadíssimos cofres, que antes guardavam cédulas e moedas e a partir de agora servirão de salas de exposição de peças de arte.

Mas a mudança de planos não prejudica o projeto que, em uma ironia, leva o nome de uma operação bancária. Isso porque as "instaurações" de Tunga funcionam bem com os elementos-surpresa e as improvisações. Em Resgate, estão sujeitos às mudanças de planos nada menos que 10 toneladas de material, como vidro soprado, ímãs, ferro fundido, água fervente tubérculos e maquiagem. Isso sem contar os personagens, que somam cerca de cem, se não forem contados os espectadores que podem se tornar personagens de última hora.

Logo na entrada pela Rua Álvares Penteado, o visitante pode ter uma síntese formal da obra de Tunga. Cálices, caldeirões e sinos recebem as pessoas a partir das 18 horas, na praça central do prédio. Essas peças ressurgem por todo o corpo da obra, ou seja pelos quase 4.000 metros de edifício que será invadido por tranças, cobertores, música de Arnaldo Antunes e performance (desempenho, como prefere o autor) executada pelos cem atores e bailarinos dirigidos por Lia Rodrigues. "A estratégia é criar uma experiência teatral", explica o artista, que quer fazer com que os presentes se sintam dentro da cena, que é a imensa obra de arte que envolverá todos que estarão na abertura do evento.

A jornalista Yole Mendonça, diretora do centro cultural, afirma que as artes plásticas terão lugar especial na programação do CCBB. Ela conta que nas pesquisas realizadas para a formatação da agenda, produtores e realizadores culturais da cidade foram entrevistados. "Como não podíamos simplesmente transferir o modelo carioca, tentamos nos aproximar mais do perfil cultural dos paulistanos, que são extremamente ligados às artes plásticas." Em outras palavras, a atuação de Tunga será a primeira de uma série de boas exibições que ocorrerão nos próximos finais de semana no centro da cidade.

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