Quinta-feira, 16 de Junho de 2005, 11:37 | Online

Fãs de James Joyce comemoram o bloomsday

Já tradicional, evento que celebra o romance Ulisses vai reunir leituras de textos do irlandês e exibição de filme inédito

Já se tornou tradição: a cada ano, no dia 16 de junho, joycianos de todo o mundo reúnem-se para celebrar a mítica data em que o judeu-húngaro-irlandês Leopold Bloom fez uma caminhada memorável de 18 horas pela cidade de Dublin, atravessada pelo Rio Liffey. Era 1904 e tal jornada se transformou no romance Ulisses, com que James Joyce dividiu as águas da literatura moderna - a obra, publicada em 1922, revolucionou a forma e a estrutura do romance, influenciando decisivamente o desenvolvimento da "corrente da consciência" e impulsionando a linguagem e as experiências lingüísticas aos limites da comunicação.

Em São Paulo, o Finnegan´s Pub (Rua Cristiano Viana, 358, em Pinheiros) mantém-se como principal ponto de encontro dos admiradores de Joyce, reunião que ocorre desde 1988. Logo ao chegar, o convidado vai receber o livreto Assassinos do Sol, editado pela Olavobrás. E as atividades começam às 19 horas justamente com o lançamento da nova tradução de Ulisses (Objetiva), na tradução da professora Bernardina Pinheiro. Em seguida, após a exibição de música irlandesa tradicional e da leitura de poemas, começam as discussões sobre Joyce e sua obra.

Após breves comentários sobre a criação joyciana a ser feita por um dos organizadores do Bloomsday paulistano, Marcelo Tápia, haverá a leitura de fragmentos das principais obras de Joyce, concentrando-se em Ulisses. Deste, será lida uma montagem de fragmentos do episódio Gado do Sol (correspondente ao episódio que integra o canto 12 da Odisséia, de Homero, também conhecido como Vacas de Hélio), em tradução inédita de Caetano Galindo, professor da Universidade Federal do Paraná. É considerado o capítulo mais difícil do romance, por lançar mão de pastiches literários, realizando um esboço histórico da prosa inglesa.

O encontro paulistano mostra ainda - em sintonia com o Bloomsday de Florianópolis, dedicado ao "Joyce pós-colonialista" - o "lado político" do escritor irlandês, por meio da leitura, a ser feita por Aurora Bernardini, de um ensaio crítico do escritor, A Irlanda no Tribunal, de 1907, em tradução de Dirce Waltrick do Amarante.

Como ocorre em todos os anos, outra obra de Joyce, Finnegans Wake, também será lembrada por meio de leituras e pela exibição do vídeo Jaguadarte, de Paulo Fernando. Já o músico Livio Tragtenberg vai homenagear o livro por meio de uma peça musical inspirada em fragmentos da obra. Finnegans Wake foi traduzido no Brasil pelo professor Donaldo Schüler, que também levou anos no trabalho.

O poeta Haroldo de Campos, um dos principais idealizadores do Bloomsday paulistano, será outro nome lembrado na noite, finalizando o programa com uma apresentação do cantor e compositor Edvaldo Santana, que preparou, especialmente para a ocasião, duas canções cujas letras são transcriações de Haroldo: a primeira, um fragmento de Finnegans Wake, e a segunda, um poema de Catulo.

As comemorações continuam no sábado, com a exibição do filme Bloom, de Sean Walsh, baseado no romance Ulisses. A sessão, em DVD, será na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37), a partir das 20 horas. A entrada é gratuita e 50 lugares estarão à disposição. Em caso de lotação esgotada, os organizadores planejam realizar outra sessão, às 22 horas.

Neste 16 de junho, o mundo comemora o Bloomsday, celebrando James Joyce e uma de suas maiores obras, Ulisses. Para marcar a data, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta, em seu quarto andar, a exposição Joyce Internacional e a palestra O dia de um dublinense, com Ana Maria Bulhões (professora da UNI-RIO) e Alfredo Grieco (professor da PUC-RIO). Tudo com entrada franca.

O livro de Joyce em questão, Ulisses, é considerado a obra que inaugura o romance moderno e uma das mais importantes da literatura ocidental. Publicado em 1922, na França, a ação do livro passa-se em um único dia, 16 de junho de 1904, em Dublin. Seus personagens, Stephen Dedalus, Leopold Bloom e Molly Bloom, enfrentam situações correspondentes aos episódios da Odisséia, de Homero. Nessa obra, Joyce reinventa a linguagem e a sintaxe. Radicaliza a narrativa, explorando processos de associação de imagens e recursos verbais, paródias estilísticas e o fluxo da consciência. Também incorpora teorias da psicanálise freudiana sobre o comportamento sexual. O livro foi censurado no Reino Unido e nos Estados Unidos, sendo liberado décadas depois.

A exposição

Com 22 painéis que ilustram a vida e obra do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), a exposição começou em Berlim e segue para várias cidades do mundo. O texto dos painéis é de autoria de Michael Barsanti, do Museu e Biblioteca de Rosenbach, Estados Unidos, tendo o projeto tido como Conselheiro Editorial o professor Declan Kiberd, da University College de Dublin.

Como diz Barsanti, em seu texto de introdução, "a exposição fala-nos da estória de Joyce, um dos maiores artistas do século vinte. Internacional na sua visão e impacto, permaneceu sempre espiritualmente enraizado à sua cidade natal de Dublin. Poder-se-ia dizer que Joyce representa o espírito da moderna Irlanda. Através dos caracteres e lugares que descreveu, Joyce revelou ao mundo a Dublin de 1904; com as suas inovações literárias, consegue mostrar que a Irlanda, apesar da sua imagem tradicional, constitui um caso único no mundo atual." Os vários painéis cobrem temas como política e independência, Ibsen e as Influências Européias, censura, entre outros.

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