Cibelle Cavalli, a brasileira que faz sucesso em Londres

A exemplo de Bebel Gilberto e Luciana Souza, que se deram bem no Hemisfério Norte, a paulistana Cibelle Cavalli, ou simplesmente Cibelle, encontrou a saída para sua música no aeroporto. Vivendo em exílio voluntário em Londres desde 2002, a cantora de 27 anos terá, enfim, um CD lançado no Brasil. Chega às lojas no dia 15 seu segundo álbum, The Shine of Dried Electric Leaves. Ela ainda aparece em duas faixas da compilação The Now Sound of Brazil 2 (já lançada por aqui) e no álbum de estréia-solo do produtor Apollo Nove, Res Inexplicata Volans. Os três CDs são do selo belga Ziriguiboom, braço brasileiro da Crammed Discs, e saem no Brasil pela ST2. O trocadilho de now (agora) com new (novo) no título da compilação - com faixas de Bebel Gilberto, Celso Fonseca, Suba, Zuco 103, Trio Mocotó, Bossacucanova e DJ Dolores, além de Cibelle e Apollo - é significativo. Quando saiu em 2003, o álbum de estréia Cibelle foi alvo de elogios da imprensa européia. Curiosamente o jornal inglês The Independent classificou seu trabalho como "simultaneamente sem igual na Terra e a tudo que você já ouviu antes". Música Contemporânea Brasileira (MCB) Ou seja, melhor do que novo é ser contemporâneo. E Cibelle explora uma infinidade de timbres, linguagens e ritmos sem limites estabelecidos. Combina instrumentação acústica com manipulações eletrônicas, guitarras ruidosas e brinquedos, levadas bossa-jazzísticas, canção urbana e ingênua na linha de Marisa Monte e Vanessa da Mata. Enfim, na falta de melhor definição, faz o que já se vem classificando de MCB (música contemporânea brasileira). Sua forma de trabalhar "é baseada em muita antropofagia, em devorar tudo, produzir mais para ser devorado, redevorar tudo com o que mais for atolado junto". Houve quem a apontasse como "a nova Bebel Gilberto", mas as comparações não chegam a incomodá-la. "Eu acho é engraçado, porque é muito surreal. A gente não tem nada a ver musicalmente uma com a outra. Ela faz lindo o som dela e eu vou aqui tocando o meu", diz. As semelhanças reconhecidas é que, além de brasileiras e integrantes da mesma gravadora, ambas trabalharam com Suba. "Só isso", arremata Cibelle, que primeiramente chamou atenção ao participar do álbum São Paulo Confessions, que o produtor lançou no mesmo 1999 em que morreu. Antes de partir para a carreira-solo, ela ainda participou de discos de Otto, Xis e cantou com Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova, sem se preocupar em cair no nicho de cantora eclética. O novo CD abre com uma canção densa de Tom Waits (Green Grass) e termina com uma suave versão da existencialista Cajuína (Caetano Veloso), no mesmo clima etéreo de Lembra (Cibelle/Mike Lindsay), uma das mais bonitas do CD. No recheio ela divide outras (boas) parcerias com Apollo, Benot Julliard, Spleen, Benge e Seu Jorge, assina uma sozinha e recria Por Toda a Minha Vida (Tom Jobim) e London, London (que Caetano compôs no exílio em 1969), esta em dueto com Devendra Banhart, declarado admirador de Caetano. A escolha da canção do baiano tem um pouco a ver com sua condição de "exilada". "Meu trabalho não tinha saído oficialmente no Brasil e me sentia um pouco exilada do mundo musical, sim". Na segunda-feira ela abre a noite de Tom Zé no festival Tropicália: a Revolution in Brazilian Culture, no Barbican Centre, em Londres. Depois segue em turnê por outros países europeus.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 20h01

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