Terça-feira, 24 de Outubro de 2006, 19:40 | Online
Na mostra:
Na tela, o Brasil dos anos 70, com copa do mundo e perseguição política
Na tela, o Brasil dos anos 70, com copa do mundo e perseguição política
Ano de Copa do Mundo. Ano também de
"milagre econômico", ditadura militar, perseguições políticas,
risco de vida para quem se opõe ao regime. Claro: estamos
falando do Brasil de 1970. De um lado, um país em frangalhos; de
outro, uma maravilhosa seleção, que representava talvez um país
ideal, bem melhor que o real, na Copa do Mundo do México. O Ano
em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, procura
colar uma coisa na outra - o país que vai mal com o futebol que
vai muitíssimo bem. E visto através de um garoto que, obviamente
só tem olhos para Pelé, Gérson, Rivellino, Tostão & Cia. E
também para Félix, já que deseja ser goleiro.
A história é simples. Os pais são militantes e precisam
escapar. Ou talvez juntar-se a um grupo armado. Moram em Belo
Horizonte e vão deixar o menino na casa do avô, em São Paulo, no
então bairro judeu do Bom Retiro. Mas por algum motivo que não
cabe dizer aqui, não será o avô (Paulo Autran) quem tomará conta
do futuro goleiro, mas um desconhecido.
Essa a história. Mas há a ambientação. E que revela
aquilo que São Paulo, tantas vezes achincalhada como cidade
impossível de se viver, tem de melhor - o cosmopolitismo, a
capacidade de povos oriundos de vários lugares do mundo viverem
juntos. Porque no Bom Retiro não há apenas judeus. Existem os
italianos, os nordestinos que vieram chegando, os negros, os
árabes - todos, enfim, que formam a cara de um país
multicultural e multirracial como o nosso. O filme é, em boa
medida, essa celebração do País como mistura e convivência, algo
que não entra na cabeça raspada de idiotas como esses que
distribuem cartazes racistas na Vila Mariana.
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006, 105 min.) -
Unibanco Arteplex 2. Rua Frei Caneca, 569, 3472-2365. Quarta,
13h30. Cine Bombril 1. Av.Paulista, 2.073, 3285-3696. Sáb.,
19h20
:
"milagre econômico", ditadura militar, perseguições políticas,
risco de vida para quem se opõe ao regime. Claro: estamos
falando do Brasil de 1970. De um lado, um país em frangalhos; de
outro, uma maravilhosa seleção, que representava talvez um país
ideal, bem melhor que o real, na Copa do Mundo do México. O Ano
em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, procura
colar uma coisa na outra - o país que vai mal com o futebol que
vai muitíssimo bem. E visto através de um garoto que, obviamente
só tem olhos para Pelé, Gérson, Rivellino, Tostão & Cia. E
também para Félix, já que deseja ser goleiro.
A história é simples. Os pais são militantes e precisam
escapar. Ou talvez juntar-se a um grupo armado. Moram em Belo
Horizonte e vão deixar o menino na casa do avô, em São Paulo, no
então bairro judeu do Bom Retiro. Mas por algum motivo que não
cabe dizer aqui, não será o avô (Paulo Autran) quem tomará conta
do futuro goleiro, mas um desconhecido.
Essa a história. Mas há a ambientação. E que revela
aquilo que São Paulo, tantas vezes achincalhada como cidade
impossível de se viver, tem de melhor - o cosmopolitismo, a
capacidade de povos oriundos de vários lugares do mundo viverem
juntos. Porque no Bom Retiro não há apenas judeus. Existem os
italianos, os nordestinos que vieram chegando, os negros, os
árabes - todos, enfim, que formam a cara de um país
multicultural e multirracial como o nosso. O filme é, em boa
medida, essa celebração do País como mistura e convivência, algo
que não entra na cabeça raspada de idiotas como esses que
distribuem cartazes racistas na Vila Mariana.
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006, 105 min.) -
Unibanco Arteplex 2. Rua Frei Caneca, 569, 3472-2365. Quarta,
13h30. Cine Bombril 1. Av.Paulista, 2.073, 3285-3696. Sáb.,
19h20