Quinta-feira, 1 de Março de 2007, 11:23 | Online

Distribuição de direitos autorais cresce 145% em 6 anos

Ecad se prepara para atuar no segmento de internet e aponta investimento em tecnologia e conscientização como fatores importantes para o bom resultado

Investimento em tecnologia e
conscientização. Baseado na combinação desses dois fatores,
aliada a um trabalho mais eficiente, o Ecad (Escritório Central
de Arrecadação e Distribuição) anuncia um aumento de 145% nos
últimos seis anos na distribuição dos direitos autorais de
execução pública de música. Pelo segundo ano consecutivo, o
cantor e compositor Rick, da dupla Rick & Renner, ficou em
primeiro lugar, no balanço de 2006, entre os que mais
arrecadaram direitos por gravações veiculadas em rádios AM e FM
do País. Campeão em 2002 e 2003, Roberto Carlos, que caiu para a
quarta posição em 2005, recuperou o segundo lugar registrado em
2004. Outro sertanejo que desponta na lista é Bruno, da dupla
Bruno & Marrone. Os demais já são fregueses antigos.

O Ecad não revela o montante repassado mensalmente para
cada artista, nem quanto as emissoras pagam por execução de uma
certa gravação. No total foram arrecadados R$ 268 milhões em
2006, R$ 206 milhões dos quais foram distribuídos às associações
coletivas, compositores, editores, músicos, intérpretes e
produtores. "Esses valores são os maiores da América Latina, não
só de arrecadação como de distribuição", afirma Glória Braga,
superintendente da instituição.

Único do gênero no País, o Ecad trabalha para dez
associações de música e tem um banco de dados que os associados
alimentam com informações sobre determinadas gravações. "Acho
que hoje dá para um compositor viver de direito autoral no
Brasil, sim, mas isso depende do bem que ele tiver", considera
Glória, que diz não ter parâmetros de comparação com Estados
Unidos, Europa e Japão. "Não diria que esse aumento de 145% é um
dado otimista, mas um resultado muito bom, apesar das
adversidades."

A pirataria - responsável pela queda de 30% na venda de
CDs entre 2000 e 2005 - não afeta diretamente o Ecad, já que a
instituição não controla vendagens de discos. Segundo Glória,
porém, a eficiência no serviço de arrecadação acaba compensando
a perda de alguns artistas por conta dos CDs e downloads ilegais.



Radiodifusão


O campo de atuação do Ecad abrange execução musical no
setor de radiodifusão (TV e rádio), shows com música ao vivo,
festas populares como o carnaval e São João e até eventos com
som mecânico. Agora, a instituição também se prepara para atuar
no setor de internet. "Já estamos preparados para detecção, mas
ainda estamos começando nesse segmento. Alguns contratos estão
sendo firmados", diz Glória. Outra novidade tecnológica foi
testada na semana passada nos trios elétricos, durante o
Carnaval de Salvador. "Desenvolvemos um aparelho que foi
acoplado aos trios elétricos, para registrar as músicas tocadas
no carnaval, e foi um sucesso", conta. O aparelho ainda não tem
nome, mas representa um avanço no controle do que veicula nesse
campo. Antes, era feito por meio de gravações registradas ao
vivo por representantes do Ecad.

Se o controle da música que toca em rádio e tevê parece
complicado, o que cai na rede aparentemente fugiria ainda mais
do controle. Mas Glória diz que é até mais fácil identificar
exatamente qual música foi ouvida nas rádios virtuais. Na área
de radiodifusão, a instituição tem "problemas históricos", cujos
efeitos vêm tentando minimizar. "A veiculação de música no
Brasil ainda passa muito pela radiodifusão, e nessa área há
clientes que estão entre os que mais questionam o pagamento de
direito autoral", diz a superintendente.

Um desses clientes notórios é a Rede Globo de Televisão,
cujo contrato com o Ecad expirou em 2005. "Houve divergências
nos valores a serem pagos pela emissora e hoje eles pagam em
juízo uma quantia muito inferior ao que devem", afirma Glória. E
quem não paga, garante, cai na ilegalidade.

:

    Publicidade: