Quarta-feira, 18 de Abril de 2007, 20:08 | Online
Maysa, da cantora sensível à mulher transgressora
Chega às livrarias a biografia Só numa Multidão de Amores, do jornalista Lira Neto
O mundo caiu para Maysa no dia 22 de
janeiro de 1977. Cantora com uma voz indiscutivelmente singular
(meio rouca, meio aveludada), estrela que ostentava uma vida
tumultuada e explosiva, ela dirigia sua Brasília azul a toda
velocidade no final daquela tarde de sábado quando, ao percorrer
a ponte Rio-Niterói em direção a Maricá, perdeu o controle do
carro ao tentar desviar de outro veículo e bateu em um cabo de
proteção. Em poucos minutos, seu turbulento, apaixonado,
transgressor e por vezes insano coração parou de bater.
Ela estava chegando aos 40 anos e ocupava uma posição
única no cenário artístico nacional - "deusa das canções de
dor-de-cotovelo", "rainha da música de fossa", "Edith Piaf dos
Trópicos", a cantora e compositora Maysa era não apenas um ícone
da boemia, mas também uma cronista da vida noturna,
especialmente quando cantava a melancolia em versos seus ou de
Dolores Duran, Antonio Maria, Vinicius de Moraes, Jacques Brel,
Tom Jobim.
"Maysa tinha consciência de que a causa de seu êxito
estrondoso como artista residia também na imagem pública que
construíra como musa imbatível - e sofisticada - do desencanto",
afirma o jornalista Lira Neto, autor de Só numa Multidão de
Amores, biografia que a editora Globo começa a enviar nesta quinta, 19, para as livrarias.
Amores e conflitos
Trata-se de um trabalho de fôlego: depois de dois anos
de pesquisa, Lira reuniu uma coleção de fotos raras e inéditas,
histórias desconhecidas e fatos elucidados da trajetória de uma
das mais controversas cantoras da MPB. Com isso, percorreu todos
os traumas de uma vida marcada por amores, viagens, conflitos
com a mídia, tentativas de suicídio, crises de alcoolismo e
internações em clínicas para desintoxicação. Do convívio com o
pai boêmio e hedonista ao casamento com o magnata André
Matarazzo (que impunha à mulher o recato das tradições
familiares), o jornalista esmiuçou, com carinho e determinação,
a existência da mulher que tanto se identificava com a música
romântica como abraçava as novidades estéticas trazidas pela
bossa nova.
A música O Barquinho, aliás, de Ronaldo Bôscoli e
Roberto Menescal, símbolo do movimento, foi primeiro gravada por
Maysa e não por Pery Ribeiro, como reza a lenda. Lira também
revela histórias inéditas, tiradas dos diários que a cantora
escreveu dos 15 anos até meses antes da morte. Momentos por
vezes, sufocantes, que mostram aspectos sombrios de sua
personalidade, como se percebe na seguinte anotação: "Há gritos
incríveis dentro de mim, que me povoam da mais imensa solidão."
Mulher altiva, bela, com olhos que lembravam "dois
oceanos não pacíficos", no verso de Manuel Bandeira, Maysa
deixou uma marca profunda na MPB com sua personalidade, mais
complexa do que sugere sua imagem pública. Uma vida que
transformou a angústia em sucesso profissional.
Entrevista com Lira Neto
Estado - Como se interessou por Maysa?
Lira Neto - Sempre me interessei por personagens
intensos, contraditórios, que não tiveram existências em linha
reta. Maysa é um caso assim. Sua vida turbulenta, recheada de
altos e baixos, permeada por zonas de luz e de sombra, estava a
pedir uma biografia que a revelasse por inteiro. Além de ser uma
artista fabulosa, dona de uma sensibilidade e de um talento
incomuns, ela viveu sob o signo da transgressão e da ousadia.
Foi uma artista que conseguiu, como poucos, unir a vida
artística e o cotidiano em uma única dimensão.
Qual foi sua principal dificuldade?
Ao contrário dos meus livros anteriores, tive a
meu dispor a extrema generosidade da família, que me confiou os
"baús" deixados por Maysa. Isso incluiu os diários íntimos da
cantora - escritos por ela desde os 15 anos até o último ano de
sua vida - e uma montanha de recortes de jornais e revistas, do
Brasil e do exterior. Ao fim, cataloguei e consultei cerca de
100 mil documentos. Com base nesse material, parti para a fase
de entrevistas. A maior dificuldade, sem dúvida, foi
reconstituir os muitos anos em que ela viveu fora do Brasil. Mas
com base nos diários, nas matérias de jornal e nas entrevistas
feitas na Espanha, Argentina e Estados Unidos, foi possível
mapear ano a ano, mês a mês, dia a dia, os passos de Maysa lá
fora.
E o que mais te surpreendeu?
Neto - A primeira boa e grande surpresa foi perceber o
cuidado que Maysa teve em deixar registrado, por escrito, nos
diários, seus sentimentos e emoções. Para um biógrafo, é um
tesouro. A preocupação que teve em preservar todo o material de
imprensa a seu respeito - não só as matérias positivas, mas
também as notas negativas - também foi fundamental. Maysa era
transparente e honesta consigo mesmo. Ela nunca gostaria que sua
biografia fosse escrita em tons pastel ou em cor-de-rosa. Esta
certeza norteou meu livro.
A própria Maysa fazia questão de
inventar lendas. O que ela escrevia nos diários era confiável?
Em seus diários, ela abria o coração e escrevia
sem censuras. Mas, mesmo aí, não pude baixar a
guarda e tomar como verdade o que estava escrito pelo próprio
punho da biografada. Foi preciso, mesmo nesses casos, ouvir
pessoas, cotejar com outros documentos, averiguar informações. O
livro é o cruzamento desses três olhares: o olhar de Maysa sobre
si própria, o olhar da mídia sobre a cantora rebelde e
melancólica e, por fim, o olhar de quem conviveu de perto com
ela. Fiz quase 200 entrevistas, com mais de meia centena de
pessoas.
Maysa se apaixonava perdidamente.
Maysa viveu com intensidade. Portanto, quando
amou, amou intensamente. Mas é curioso perceber que ela parece
ter passado a vida inteira em busca de um amor total, sem nunca
verdadeiramente vir a conhecê-lo. Houve pessoas que marcaram
profundamente sua vida, mas nenhum dos muitos amores que teve
parece ter satisfeito toda a sua imensa fome e sua enorme sede
de amar. Maysa era um furacão em forma de mulher, mas sempre foi
também uma alma imersa em extrema carência.
E o caso com Roberto Carlos?
Para os amigos mais íntimos, Maysa dizia que teve
realmente, um rápido affair com Roberto. Contudo, nos diários,
não deixou uma única linha a esse respeito. E quando outras
pessoas lhe indagavam a respeito, não desmentia nem confirmava.
Oferecia à curiosidade alheia o benefício da dúvida.
Você disse que Maysa era duas pessoas:
a cantora das músicas melancólicas e a mulher irreverente.
De fato, ao lado da Maysa angustiada e noturna,
havia também uma Maysa solar, chegada a uma irresistível
molecagem. Costumo dizer que poucos artistas brasileiros tiveram
a vida tão dolorosamente devassada pela imprensa quanto Maysa;
ao mesmo tempo em que quase nenhum deles soube tirar tanto
proveito da exposição na mídia quanto ela. Maysa tinha a exata
consciência de que seu êxito como artista, além de sua voz única
e marcante, decorria também de seu comportamento controvertido e
pouco afeito às convenções. Aos poucos, porém, percebeu que
acabou se tornando refém do próprio personagem que criara para
si. "Acabei me transformando exatamente naquilo que queriam que
eu fosse: uma mulher mal-amada", escreveu, certa vez, em seu
diário.
A dependência alcoólica e química foi
seu principal problema?
O livro mostra como a dependência alcoólica
significou um terrível drama ao longo de toda a sua vida. Tomei
o cuidado de não "glamourizar" os pileques de Maysa, ao mesmo
tempo que procurei fugir de qualquer espécie de condenação moral
a esse respeito. Maysa assumia-se como uma pessoa doente. Por
várias vezes, tentou largar a bebida, mas não conseguiu. Perto
do fim da vida, Maysa recorreu a um recurso extremo,
introduzindo uma pastilha de Antabuse em seu corpo, por baixo da
pele da pélvis. O Antabuse é uma substância química que, em
certos casos, pode provocar efeitos imprevisíveis - às vezes até
a morte - ao paciente que ousar misturá-lo com o álcool. Quando
pôs a pastilha no corpo, Maysa escreveu em seu diário: "Pus o
meu futuro dentro de mim. A pastilha de Antabuse, no meu ventre,
é como um filho ou uma filha. Uma nova Maysa nascerá em mim."
Menos de um ano depois, infelizmente, ela estava morta.
E a dificuldade com o peso?
Maysa tinha a incômoda capacidade de ganhar
quilos da noite para o dia. Tratava-se de uma característica
familiar, mas que foi agravada pela ingestão excessiva de
bebidas alcoólicas. Chegou a pesar perto de 100 quilos. Para
emagrecer, recorreu a anfetaminas que, com o Antabuse,
representaram um verdadeiro coquetel químico em seu organismo.
Os comprimidos de Minifage, um moderador de apetite, combinado
com os de Lasix, um diurético que usava para perder líquidos e,
por conseqüência, peso, provocavam efeitos colaterais violentos.
Ela tinha crises de delírios, insônias e embotamentos mentais.
É possível apontar herdeiras?
Nesta época impregnada pelo bom-mocismo e pela
construção de imagens politicamente corretas no meio artístico,
é difícil encontrar semelhanças em relação a Maysa. Viver
intensamente, sem dúvida, foi o grande legado que ela nos deixou
"Só digo o que penso,/ só faço o que gosto/ e aquilo que creio"
ela cantou, na música "Resposta", de sua autoria. Difícil
vislumbrar, hoje em dia, alguém cantando isso com a mesma emoção
e honestidade.
:
janeiro de 1977. Cantora com uma voz indiscutivelmente singular
(meio rouca, meio aveludada), estrela que ostentava uma vida
tumultuada e explosiva, ela dirigia sua Brasília azul a toda
velocidade no final daquela tarde de sábado quando, ao percorrer
a ponte Rio-Niterói em direção a Maricá, perdeu o controle do
carro ao tentar desviar de outro veículo e bateu em um cabo de
proteção. Em poucos minutos, seu turbulento, apaixonado,
transgressor e por vezes insano coração parou de bater.
Ela estava chegando aos 40 anos e ocupava uma posição
única no cenário artístico nacional - "deusa das canções de
dor-de-cotovelo", "rainha da música de fossa", "Edith Piaf dos
Trópicos", a cantora e compositora Maysa era não apenas um ícone
da boemia, mas também uma cronista da vida noturna,
especialmente quando cantava a melancolia em versos seus ou de
Dolores Duran, Antonio Maria, Vinicius de Moraes, Jacques Brel,
Tom Jobim.
"Maysa tinha consciência de que a causa de seu êxito
estrondoso como artista residia também na imagem pública que
construíra como musa imbatível - e sofisticada - do desencanto",
afirma o jornalista Lira Neto, autor de Só numa Multidão de
Amores, biografia que a editora Globo começa a enviar nesta quinta, 19, para as livrarias.
Amores e conflitos
Trata-se de um trabalho de fôlego: depois de dois anos
de pesquisa, Lira reuniu uma coleção de fotos raras e inéditas,
histórias desconhecidas e fatos elucidados da trajetória de uma
das mais controversas cantoras da MPB. Com isso, percorreu todos
os traumas de uma vida marcada por amores, viagens, conflitos
com a mídia, tentativas de suicídio, crises de alcoolismo e
internações em clínicas para desintoxicação. Do convívio com o
pai boêmio e hedonista ao casamento com o magnata André
Matarazzo (que impunha à mulher o recato das tradições
familiares), o jornalista esmiuçou, com carinho e determinação,
a existência da mulher que tanto se identificava com a música
romântica como abraçava as novidades estéticas trazidas pela
bossa nova.
A música O Barquinho, aliás, de Ronaldo Bôscoli e
Roberto Menescal, símbolo do movimento, foi primeiro gravada por
Maysa e não por Pery Ribeiro, como reza a lenda. Lira também
revela histórias inéditas, tiradas dos diários que a cantora
escreveu dos 15 anos até meses antes da morte. Momentos por
vezes, sufocantes, que mostram aspectos sombrios de sua
personalidade, como se percebe na seguinte anotação: "Há gritos
incríveis dentro de mim, que me povoam da mais imensa solidão."
Mulher altiva, bela, com olhos que lembravam "dois
oceanos não pacíficos", no verso de Manuel Bandeira, Maysa
deixou uma marca profunda na MPB com sua personalidade, mais
complexa do que sugere sua imagem pública. Uma vida que
transformou a angústia em sucesso profissional.
Entrevista com Lira Neto
Estado - Como se interessou por Maysa?
Lira Neto - Sempre me interessei por personagens
intensos, contraditórios, que não tiveram existências em linha
reta. Maysa é um caso assim. Sua vida turbulenta, recheada de
altos e baixos, permeada por zonas de luz e de sombra, estava a
pedir uma biografia que a revelasse por inteiro. Além de ser uma
artista fabulosa, dona de uma sensibilidade e de um talento
incomuns, ela viveu sob o signo da transgressão e da ousadia.
Foi uma artista que conseguiu, como poucos, unir a vida
artística e o cotidiano em uma única dimensão.
Qual foi sua principal dificuldade?
Ao contrário dos meus livros anteriores, tive a
meu dispor a extrema generosidade da família, que me confiou os
"baús" deixados por Maysa. Isso incluiu os diários íntimos da
cantora - escritos por ela desde os 15 anos até o último ano de
sua vida - e uma montanha de recortes de jornais e revistas, do
Brasil e do exterior. Ao fim, cataloguei e consultei cerca de
100 mil documentos. Com base nesse material, parti para a fase
de entrevistas. A maior dificuldade, sem dúvida, foi
reconstituir os muitos anos em que ela viveu fora do Brasil. Mas
com base nos diários, nas matérias de jornal e nas entrevistas
feitas na Espanha, Argentina e Estados Unidos, foi possível
mapear ano a ano, mês a mês, dia a dia, os passos de Maysa lá
fora.
E o que mais te surpreendeu?
Neto - A primeira boa e grande surpresa foi perceber o
cuidado que Maysa teve em deixar registrado, por escrito, nos
diários, seus sentimentos e emoções. Para um biógrafo, é um
tesouro. A preocupação que teve em preservar todo o material de
imprensa a seu respeito - não só as matérias positivas, mas
também as notas negativas - também foi fundamental. Maysa era
transparente e honesta consigo mesmo. Ela nunca gostaria que sua
biografia fosse escrita em tons pastel ou em cor-de-rosa. Esta
certeza norteou meu livro.
A própria Maysa fazia questão de
inventar lendas. O que ela escrevia nos diários era confiável?
Em seus diários, ela abria o coração e escrevia
sem censuras. Mas, mesmo aí, não pude baixar a
guarda e tomar como verdade o que estava escrito pelo próprio
punho da biografada. Foi preciso, mesmo nesses casos, ouvir
pessoas, cotejar com outros documentos, averiguar informações. O
livro é o cruzamento desses três olhares: o olhar de Maysa sobre
si própria, o olhar da mídia sobre a cantora rebelde e
melancólica e, por fim, o olhar de quem conviveu de perto com
ela. Fiz quase 200 entrevistas, com mais de meia centena de
pessoas.
Maysa se apaixonava perdidamente.
Maysa viveu com intensidade. Portanto, quando
amou, amou intensamente. Mas é curioso perceber que ela parece
ter passado a vida inteira em busca de um amor total, sem nunca
verdadeiramente vir a conhecê-lo. Houve pessoas que marcaram
profundamente sua vida, mas nenhum dos muitos amores que teve
parece ter satisfeito toda a sua imensa fome e sua enorme sede
de amar. Maysa era um furacão em forma de mulher, mas sempre foi
também uma alma imersa em extrema carência.
E o caso com Roberto Carlos?
Para os amigos mais íntimos, Maysa dizia que teve
realmente, um rápido affair com Roberto. Contudo, nos diários,
não deixou uma única linha a esse respeito. E quando outras
pessoas lhe indagavam a respeito, não desmentia nem confirmava.
Oferecia à curiosidade alheia o benefício da dúvida.
Você disse que Maysa era duas pessoas:
a cantora das músicas melancólicas e a mulher irreverente.
De fato, ao lado da Maysa angustiada e noturna,
havia também uma Maysa solar, chegada a uma irresistível
molecagem. Costumo dizer que poucos artistas brasileiros tiveram
a vida tão dolorosamente devassada pela imprensa quanto Maysa;
ao mesmo tempo em que quase nenhum deles soube tirar tanto
proveito da exposição na mídia quanto ela. Maysa tinha a exata
consciência de que seu êxito como artista, além de sua voz única
e marcante, decorria também de seu comportamento controvertido e
pouco afeito às convenções. Aos poucos, porém, percebeu que
acabou se tornando refém do próprio personagem que criara para
si. "Acabei me transformando exatamente naquilo que queriam que
eu fosse: uma mulher mal-amada", escreveu, certa vez, em seu
diário.
A dependência alcoólica e química foi
seu principal problema?
O livro mostra como a dependência alcoólica
significou um terrível drama ao longo de toda a sua vida. Tomei
o cuidado de não "glamourizar" os pileques de Maysa, ao mesmo
tempo que procurei fugir de qualquer espécie de condenação moral
a esse respeito. Maysa assumia-se como uma pessoa doente. Por
várias vezes, tentou largar a bebida, mas não conseguiu. Perto
do fim da vida, Maysa recorreu a um recurso extremo,
introduzindo uma pastilha de Antabuse em seu corpo, por baixo da
pele da pélvis. O Antabuse é uma substância química que, em
certos casos, pode provocar efeitos imprevisíveis - às vezes até
a morte - ao paciente que ousar misturá-lo com o álcool. Quando
pôs a pastilha no corpo, Maysa escreveu em seu diário: "Pus o
meu futuro dentro de mim. A pastilha de Antabuse, no meu ventre,
é como um filho ou uma filha. Uma nova Maysa nascerá em mim."
Menos de um ano depois, infelizmente, ela estava morta.
E a dificuldade com o peso?
Maysa tinha a incômoda capacidade de ganhar
quilos da noite para o dia. Tratava-se de uma característica
familiar, mas que foi agravada pela ingestão excessiva de
bebidas alcoólicas. Chegou a pesar perto de 100 quilos. Para
emagrecer, recorreu a anfetaminas que, com o Antabuse,
representaram um verdadeiro coquetel químico em seu organismo.
Os comprimidos de Minifage, um moderador de apetite, combinado
com os de Lasix, um diurético que usava para perder líquidos e,
por conseqüência, peso, provocavam efeitos colaterais violentos.
Ela tinha crises de delírios, insônias e embotamentos mentais.
É possível apontar herdeiras?
Nesta época impregnada pelo bom-mocismo e pela
construção de imagens politicamente corretas no meio artístico,
é difícil encontrar semelhanças em relação a Maysa. Viver
intensamente, sem dúvida, foi o grande legado que ela nos deixou
"Só digo o que penso,/ só faço o que gosto/ e aquilo que creio"
ela cantou, na música "Resposta", de sua autoria. Difícil
vislumbrar, hoje em dia, alguém cantando isso com a mesma emoção
e honestidade.