Segunda-feira, 26 de Março de 2007, 20:00 | Online
Polícia conclui que viúva mandou matar milionário da Mega
Morte foi ordenada por Senna ameaçar excluir Adriana do testamento, diz inquérito
A Delegacia de Homicídios do Rio indiciou nesta segunda-feira a ex-cabeleireira Adriana Almeida como mandante do assassinato do marido, o milionário Renné Senna, 54 anos. Deficiente físico, ele ganhou R$ 52 milhões na Mega-Sena em 2005 e foi morto com cinco tiros no último dia 7 de janeiro, em Rio Bonito.
O inquérito foi encerrado nesta segunda e enviado para o Ministério Público, que tem até o dia 30 para denunciar os acusados. A polícia concluiu que Adriana mandou matar o marido porque ele ameaçara excluí-la de seu testamento, pelo qual ela receberia metade dos bens do milionário. Senna teria tomado a decisão por desconfiar que Adriana tinha um amante, o que provocou uma briga do casal.
Outras cinco pessoas também foram indiciadas pelo homicídio duplamente qualificado: dois ex-seguranças de Senna, dois policiais e uma mulher. Todos estão presos.
De acordo com o inquérito, Adriana teria contratado Anderson Silva de Souza, ex-PM e ex-segurança de Senna, para matar o marido. Souza, acusado de ter atirado contra a vítima, teria convidado três cúmplices para o crime: Ednei Gonçalves Pereira, também ex-segurança de Senna, e os policiais militares Ronaldo Amaral Oliveira e Marco Antonio Vicente. A mulher de Souza, Janaína de Oliveira Silva, também teria participado da quadrilha.
Ednei Pereira, que assim como Souza foi demitido pela vítima em setembro do ano passado, teria pilotado a moto usada no crime. Na época da demissão, eles foram acusados de planejar o seqüestro de um filho de Adriana. O homem que os acusou, David Vilhena, foi executado dias depois. Já os policiais Oliveira e Vicente teriam dado apoio à ação.
Contradições
O inquérito traz contradições dos acusados, dados bancários e conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial. Entre os indícios apresentados está uma moto encontrada na casa de Oliveira, possivelmente usada no assassinato.
A perícia constatou uma violação no lacre da placa do veículo, pintado recentemente. Para a polícia, o álibi de Souza não se sustentou. Ele, Adriana e Janaína teriam mentido ainda sobre telefonemas trocados nos dias anteriores ao crime. Os acusados negaram os contatos, revelados pela quebra do sigilo telefônico.
Outra complicação para Souza é o desaparecimento de sua arma. Contra Adriana pesa também um saque de R$ 1,8 milhão, da conta conjunta que mantinha com a vítima, feito logo depois do crime.
Cronologia do caso
Julho de 2005: René Senna, ex-lavrador e ex-açougueiro de Rio Bonito, ganha sozinho o prêmio de R$ 52 milhões da Mega Sena
Janeiro de 2006: René, então com 53 anos, se casa com a cabeleireira Adriana Almeida, de 28 anos
Janeiro de 2007: Adriana paga R$ 300 mil por uma cobertura no Arraial do Cabo (RJ). No documento de compra e venda, diz não ser casada nem ter relacionamento estável
4 de janeiro: O casal briga, e Adriana deixa a fazenda de R$ 9 milhões onde morava com o marido
7 de janeiro: René Senna é morto com quatro tiros de pistola à queima-roupa no Bar do Penco
12 de janeiro: Acusada pela única filha de René, Renata, de ser a mandante do crime, Adriana depõe na delegacia de Rio Bonito. A polícia pede quebra do sigilo bancário e telefônico da ex-cabeleireira
27 de janeiro: O motorista de van Robson de Oliveira, de 27 anos, diz em depoimento de seis horas que ele e a viúva se conhecem há três anos, já namoraram, reataram em setembro e passaram o réveillon juntos em Arraial do Cabo
29 de janeiro: Adriana admite que mentiu e pede pra refazer declarações à polícia
30 de janeiro: Adriana é presa sob acusação de envolvimento no crime
1º de fevereiro: Dois policiais militares que trabalharam como seguranças de René Senna foram presos, sob suspeita de participação no crime
2 de fevereiro: O ex-policial militar Anderson Silva de Souza, que atuou como segurança do milionário, se entrega para a polícia, é preso e considerado suspeito
5 de fevereiro: Prisão da professora de educação física Janaína da Silva Oliveira, mulher do ex-policial militar Anderson Silva de Souza - apontado como possível executor do assassinato - e amiga da viúva de Senna, Adriana Almeida.
6 de fevereiro: O último suspeito, o motorista Edney Gonçalves Pereira, se entrega à polícia e nega participação no crime.
8 de fevereiro: Depoimento de Creuza Ferreira Almeida, mãe de Adriana, reforça indícios de que ela tenha ligações com a morte de Renné e do PM Davi Vilhena. Creuza declarou que o ex-PM Anderson da Silva Souza, acusado de ser o autor do crime, tinha ciúmes de Vilhena com o patrão.
14 de fevereiro: Justiça nega pedido de habeas-corpus de Adriana. Decisão levou em consideração conversas telefônicas que indicaram que ela tentou atrapalhar as investigações sobre o caso.
26 de fevereiro: Polícia do Rio faz a reconstituição do crime, no dia 7 de janeiro, na cidade de Rio Bonito.
27 de fevereiro: Juíza prorroga por 30 dias a prisão dos seis envolvidos no caso.
21 de março: Calisto Fernandes dos Santos Filho, de 66 anos, tio de Renné Senna, é encontrado morto na carceragem da Polinter, no Rio. Preso por estupro, ele estaria alojado na mesma cela de Anderson Silva de Sousa, ex-PM e ex-segurança de Renné, um dos suspeitos de ter participado do assassinato do milionário. O delegado responsável pelo caso informa que a Delegacia de Homicídios não vai investigar a morte pois não há indícios de que a morte tenha ligação com o assassinato de Renné.
Texto ampliado às 7h24 do dia 27/03.
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O inquérito foi encerrado nesta segunda e enviado para o Ministério Público, que tem até o dia 30 para denunciar os acusados. A polícia concluiu que Adriana mandou matar o marido porque ele ameaçara excluí-la de seu testamento, pelo qual ela receberia metade dos bens do milionário. Senna teria tomado a decisão por desconfiar que Adriana tinha um amante, o que provocou uma briga do casal.
Outras cinco pessoas também foram indiciadas pelo homicídio duplamente qualificado: dois ex-seguranças de Senna, dois policiais e uma mulher. Todos estão presos.
De acordo com o inquérito, Adriana teria contratado Anderson Silva de Souza, ex-PM e ex-segurança de Senna, para matar o marido. Souza, acusado de ter atirado contra a vítima, teria convidado três cúmplices para o crime: Ednei Gonçalves Pereira, também ex-segurança de Senna, e os policiais militares Ronaldo Amaral Oliveira e Marco Antonio Vicente. A mulher de Souza, Janaína de Oliveira Silva, também teria participado da quadrilha.
Ednei Pereira, que assim como Souza foi demitido pela vítima em setembro do ano passado, teria pilotado a moto usada no crime. Na época da demissão, eles foram acusados de planejar o seqüestro de um filho de Adriana. O homem que os acusou, David Vilhena, foi executado dias depois. Já os policiais Oliveira e Vicente teriam dado apoio à ação.
Contradições
O inquérito traz contradições dos acusados, dados bancários e conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial. Entre os indícios apresentados está uma moto encontrada na casa de Oliveira, possivelmente usada no assassinato.
A perícia constatou uma violação no lacre da placa do veículo, pintado recentemente. Para a polícia, o álibi de Souza não se sustentou. Ele, Adriana e Janaína teriam mentido ainda sobre telefonemas trocados nos dias anteriores ao crime. Os acusados negaram os contatos, revelados pela quebra do sigilo telefônico.
Outra complicação para Souza é o desaparecimento de sua arma. Contra Adriana pesa também um saque de R$ 1,8 milhão, da conta conjunta que mantinha com a vítima, feito logo depois do crime.
Cronologia do caso
Julho de 2005: René Senna, ex-lavrador e ex-açougueiro de Rio Bonito, ganha sozinho o prêmio de R$ 52 milhões da Mega Sena
Janeiro de 2006: René, então com 53 anos, se casa com a cabeleireira Adriana Almeida, de 28 anos
Janeiro de 2007: Adriana paga R$ 300 mil por uma cobertura no Arraial do Cabo (RJ). No documento de compra e venda, diz não ser casada nem ter relacionamento estável
4 de janeiro: O casal briga, e Adriana deixa a fazenda de R$ 9 milhões onde morava com o marido
7 de janeiro: René Senna é morto com quatro tiros de pistola à queima-roupa no Bar do Penco
12 de janeiro: Acusada pela única filha de René, Renata, de ser a mandante do crime, Adriana depõe na delegacia de Rio Bonito. A polícia pede quebra do sigilo bancário e telefônico da ex-cabeleireira
27 de janeiro: O motorista de van Robson de Oliveira, de 27 anos, diz em depoimento de seis horas que ele e a viúva se conhecem há três anos, já namoraram, reataram em setembro e passaram o réveillon juntos em Arraial do Cabo
29 de janeiro: Adriana admite que mentiu e pede pra refazer declarações à polícia
30 de janeiro: Adriana é presa sob acusação de envolvimento no crime
1º de fevereiro: Dois policiais militares que trabalharam como seguranças de René Senna foram presos, sob suspeita de participação no crime
2 de fevereiro: O ex-policial militar Anderson Silva de Souza, que atuou como segurança do milionário, se entrega para a polícia, é preso e considerado suspeito
5 de fevereiro: Prisão da professora de educação física Janaína da Silva Oliveira, mulher do ex-policial militar Anderson Silva de Souza - apontado como possível executor do assassinato - e amiga da viúva de Senna, Adriana Almeida.
6 de fevereiro: O último suspeito, o motorista Edney Gonçalves Pereira, se entrega à polícia e nega participação no crime.
8 de fevereiro: Depoimento de Creuza Ferreira Almeida, mãe de Adriana, reforça indícios de que ela tenha ligações com a morte de Renné e do PM Davi Vilhena. Creuza declarou que o ex-PM Anderson da Silva Souza, acusado de ser o autor do crime, tinha ciúmes de Vilhena com o patrão.
14 de fevereiro: Justiça nega pedido de habeas-corpus de Adriana. Decisão levou em consideração conversas telefônicas que indicaram que ela tentou atrapalhar as investigações sobre o caso.
26 de fevereiro: Polícia do Rio faz a reconstituição do crime, no dia 7 de janeiro, na cidade de Rio Bonito.
27 de fevereiro: Juíza prorroga por 30 dias a prisão dos seis envolvidos no caso.
21 de março: Calisto Fernandes dos Santos Filho, de 66 anos, tio de Renné Senna, é encontrado morto na carceragem da Polinter, no Rio. Preso por estupro, ele estaria alojado na mesma cela de Anderson Silva de Sousa, ex-PM e ex-segurança de Renné, um dos suspeitos de ter participado do assassinato do milionário. O delegado responsável pelo caso informa que a Delegacia de Homicídios não vai investigar a morte pois não há indícios de que a morte tenha ligação com o assassinato de Renné.
Texto ampliado às 7h24 do dia 27/03.