Quinta-feira, 8 de Março de 2001, 16:16 | Online

Carro: financiar sem comprovar renda é difícil

Nos financiamentos, tanto para carros novos quanto usados, se entrada for inferior a 50% do valor total da compra, o cliente, provavelmente, terá que comprovar sua renda mensal. Caso a renda seja inferior a 3 vezes o valor da prestação, o crédito não é aprovado

O valor pago como entrada para a compra do automóvel zero-quilômetro é que vai determinar a necessidade ou não de comprovação de renda por parte do consumidor para a aprovação do financiamento. É consenso no mercado atual que o sinal igual ou superior a 50% do bem - em dinheiro ou dando um usado na troca - torne o crediário automático.

Pagar menos do que a metade do valor do carro implica cumprimento de algumas exigências feitas pelas diversas instituições que oferecem crédito direto ao consumidor (CDC), entre elas a comprovação de um salário líquido superior em, no mínimo, três vezes o montante da prestação.

Os concessionários advertem não haver uma regra sobre o assunto e garantem levar em conta a peculiaridade que envolve cada caso. No entanto, reconhecem que buscam sempre se "cercar" de algumas garantias, mas nada suficientemente complicado e que faça o cliente abandonar a idéia da compra. "É uma situação proporcionalmente inversa: quanto menor a entrada, maior a exigência", explica João Aissa Filho, gestor da carteira de crédito e de seguros da Chevrolet Viamar.


Nome sujo


Estar com o nome incluído em uma das listas negras - Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou no Serviço de Centralização dos Bancos (Serasa), o primeiro com registros de dívidas no comércio e o segundo apontando a existência de protestos, falências e outras pendências - , o que chamam de ter o "nome sujo" na praça, encerra qualquer chance de se abrir um crediário.

E não são poucos os casos. Segundo Sérgio Silvestre Freitas, gerente de vendas e maketing do Banco Ford, cerca de 25% das fichas cadastrais feitas em toda a rede de revendas da marca são recusadas pelo banco. "Muitas pessoas compram simplesmente por impulso, sem ter idéia da dívida que estão assumindo, e outras têm um histórico de inadimplência ou outros problemas financeiros de fácil detectação."

"Dessa forma, a comprovação da renda é um indicador muito válido para a aprovação do crédito, pois é ainda a forma mais segura para o banco avaliar a capacidade financeira do cliente", conclui Marcos Moreira, diretor-comercial do Banco Fiat.

Quando o consumidor não consegue comprovar a renda mínima exigida, uma das soluções para que efetue a compra é apresentar um avalista. "Nesse caso, o avalista é quem terá que provar, individualmente, um rendimento compatível", avisa Regina Villasanchez, gerente da Ford Sonnervig Sul. Para essas situações, às vezes são solicitados outros documentos para viabilizar o negócio como, por exemplo, declaração de imposto de renda, escritura de um imóvel, etc.
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