Domingo, 24 de Março de 2002, 14:04 | Online
Petrobrás transforma pneu velho e xisto em óleo combustível
Alguns catadores de papel da região metropolitana de Curitiba descobriram um novo jeito de ganhar dinheiro: juntar pneus usados. A reciclagem de pneus é estimulada pela Prefeitura de Curitiba e pela unidade de xisto da Petrobras instalada em São Mateus do Sul, a cerca de 140 quilômetros da capital paranaense. Após quase um ano de testes, a SIX, antiga Superintendência Industrial do Xisto, atualmente denominada de Unidade de Negócios da Industrialização do Xisto, desenvolveu tecnologia para utilizar o pneu velho, em conjunto com o xisto, para a geração de óleo combustível e outros derivados.
O xisto é um mineral com baixo teor de óleo (entre 7% e 11%) e é pesquisado pela Petrobras há mais de 30 anos. A possibilidade de utilização de resíduos de pneus (pneus cortados) resultou da contínua pesquisa em torno do processo e abriu um novo e promissor filão de negócios para a SIX. "Além de rentável é ecologicamente correto", observa o gerente geral da unidade, Paulo Rosa de Campos.
Cerca de 30 milhões de pneus velhos são abandonados por seus donos a cada ano no Brasil, e apenas uma pequena parcela deles é reciclada. A própria SIX já queimou cerca de um milhão de pneus, mas a capacidade instalada da usina permite reciclar quase inteiramente toda a sucata de pneus de um ano do País. Segundo Campos, são 27 milhões de pneus por ano, que seriam misturados às rochas do xisto betuminoso na proporção de 5%.
Mesmo tendo iniciado a operação efetiva no segundo semestre do ano passado, Campos garante que quase já não há pneu usado nas cercanias de Curitiba. "Os catadores de papel descobriram que o pneu usado é um negócio rentável", observou. Cada pneu velho rende R$ 0,30 ao catador curitibano. A opção de usar a mão-de-obra que já atuava com papel, mostrou-se acertada, na avaliação do executivo. "A logística funciona de forma bastante satisfatória", observa.
Obrigatoriedade
A tecnologia para a reciclagem do pneu foi desenvolvida internamente pela Petrobras e o início da operação da unidade da SIX se dá em momento extremamente oportuno. A partir deste ano, importadores e fabricantes de pneus novos são responsáveis pela destruição ou reciclagem do produto usado. Em 2002, para quatro pneus importados ou fabricados, a empresa responsável terá de destruir um pneu velho (25%) e essa proporção sobe para 50% em 2003, 75% em 2004 e 100% em 2006.
A nova determinação, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), faz com que o Brasil seja o primeiro país do mundo a tornar a reciclagem de pneus obrigatória, segundo Campos. Outro "braço" do governo fortemente interessado na destruição dos pneus velhos é o Ministério da Saúde. Segundo Luciene Ulrich Kurt, da área de comunicação empresarial da SIX, o governo constatou que o pneu velho é um dos principais responsáveis pela propagação da dengue. "O ministério já fez levantamento sobre isso e o pneu é um dos principais vilões", comenta Luciene.
Experiência inédita
A SIX cobra R$ 50,00 por tonelada de pneu já granulado, ou seja, cortado em tamanhos previamente definidos pela empresa. Com isso, além dos catadores de pneus, outras empresas se beneficiam da iniciativa, inclusive metalúrgicas próximas à Curitiba, além de empresas de transporte. O pneu exige cortes especiais porque além da borracha tem em sua composição fios de arame, o que aumenta a sua resistência. Mas o executivo da SIX está otimista. A reciclagem de pneus já se mostrou tecnicamente viável e tende a se tornar um negócio promissor, afirma. Segundo ele, não existem experiências semelhantes em outras partes do mundo.
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O xisto é um mineral com baixo teor de óleo (entre 7% e 11%) e é pesquisado pela Petrobras há mais de 30 anos. A possibilidade de utilização de resíduos de pneus (pneus cortados) resultou da contínua pesquisa em torno do processo e abriu um novo e promissor filão de negócios para a SIX. "Além de rentável é ecologicamente correto", observa o gerente geral da unidade, Paulo Rosa de Campos.
Cerca de 30 milhões de pneus velhos são abandonados por seus donos a cada ano no Brasil, e apenas uma pequena parcela deles é reciclada. A própria SIX já queimou cerca de um milhão de pneus, mas a capacidade instalada da usina permite reciclar quase inteiramente toda a sucata de pneus de um ano do País. Segundo Campos, são 27 milhões de pneus por ano, que seriam misturados às rochas do xisto betuminoso na proporção de 5%.
Mesmo tendo iniciado a operação efetiva no segundo semestre do ano passado, Campos garante que quase já não há pneu usado nas cercanias de Curitiba. "Os catadores de papel descobriram que o pneu usado é um negócio rentável", observou. Cada pneu velho rende R$ 0,30 ao catador curitibano. A opção de usar a mão-de-obra que já atuava com papel, mostrou-se acertada, na avaliação do executivo. "A logística funciona de forma bastante satisfatória", observa.
Obrigatoriedade
A tecnologia para a reciclagem do pneu foi desenvolvida internamente pela Petrobras e o início da operação da unidade da SIX se dá em momento extremamente oportuno. A partir deste ano, importadores e fabricantes de pneus novos são responsáveis pela destruição ou reciclagem do produto usado. Em 2002, para quatro pneus importados ou fabricados, a empresa responsável terá de destruir um pneu velho (25%) e essa proporção sobe para 50% em 2003, 75% em 2004 e 100% em 2006.
A nova determinação, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), faz com que o Brasil seja o primeiro país do mundo a tornar a reciclagem de pneus obrigatória, segundo Campos. Outro "braço" do governo fortemente interessado na destruição dos pneus velhos é o Ministério da Saúde. Segundo Luciene Ulrich Kurt, da área de comunicação empresarial da SIX, o governo constatou que o pneu velho é um dos principais responsáveis pela propagação da dengue. "O ministério já fez levantamento sobre isso e o pneu é um dos principais vilões", comenta Luciene.
Experiência inédita
A SIX cobra R$ 50,00 por tonelada de pneu já granulado, ou seja, cortado em tamanhos previamente definidos pela empresa. Com isso, além dos catadores de pneus, outras empresas se beneficiam da iniciativa, inclusive metalúrgicas próximas à Curitiba, além de empresas de transporte. O pneu exige cortes especiais porque além da borracha tem em sua composição fios de arame, o que aumenta a sua resistência. Mas o executivo da SIX está otimista. A reciclagem de pneus já se mostrou tecnicamente viável e tende a se tornar um negócio promissor, afirma. Segundo ele, não existem experiências semelhantes em outras partes do mundo.