Sábado, 26 de Janeiro de 2002, 19:20 | Online
CPI do roubo de carga já tem 40 suspeitos
A CPI do roubo de carga, que poderá terminar pouco antes das eleições, já tem no relatório preliminar cerca de 40 nomes de pessoas envolvidas nesse tipo de crime, anunciou o presidente da CPI, senador Romeu Tuma (PFL-SP). Segundo ele, foi descoberto no interior do PaÃs prefeituras que compravam mercadorias roubadas e pagavam com cheques pré-datados.
Ele explicou que a CPI já deveria ter sido encerrada no final do ano passado, mas por pressões de governadores e empresários que viram na atuação um freio nos roubos, ela está prosseguindo neste ano. ÂAlém disto temos vários Estados a serem visitados ainda. Muita coisa deve ser feita. Nós estamos trabalhando junto ao presidente da Câmara, deputado Aécio Neves, para que se aprove algumas legislações para reduzir o roubo de carga, como a punição para a figura do receptadorÂ, afirmou.
Receptador presumido
Ele disse que Âé preciso que a justiça reconheça a figura do receptador presumido. Ou seja aquele que sabemos ser um receptador, mas não temos provas concretas. Só sabemos que eles ganham dinheiro vendendo mercadoria roubada. à preciso que se aceitem os indÃcios. Também precisamos criar um DNA para identificar as mercadorias. Isto é importante. Estamos trabalhando muito nistoÂ.
Outra fato revelado por Tuma é que alguns empresários que foram indiciados por sonegação já estão conseguindo vitórias na justiça. ÂVamos descobrir quem está por trás deles. Veja o caso da Petroforte. O que sabemos é que há ligações do roubo de carga, com o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. Estamos investigandoÂ, afirmou.
Tuma disse que conta com dois delegados da PolÃcia Federal trabalhando com ele, como são os casos dos delegados Paulo Lacerda e Marco Antonio Cavalheiro. ÂVamos encaminhar ao Ministério Público o que já temos, para que trabalhe e indicie os responsáveis pelo crime de roubo de cargaÂ, disse o senador.
Lavagem de dinheiro e drogas
A CPI está investigando ainda o desmanche de caminhões e a lavagem de dinheiro. Segundo Tuma, muitas das quadrilhas estão melhor aparelhadas do que a polÃcia. A CPI é elogiada pelos empresários que sabem que a demora para a conclusão se deve basicamente as dificuldades para a investigação e obtenção de provas.
As investigações mostram também que pode haver ligações entre o roubo de carga e o tráfico de drogas. A CPI investigou o desvio de mercadorias em zonas portuárias e aeroportuárias. Estes desvios se caracterizam como fraudes tanto nas importações como exportações brasileiras.
Mercadorias visadas
Em meados dos anos 90, os ladrões de cargas roubavam principalmente cigarros e medicamentos, que eram facilmente revendidos no mercado negro. O rol de mercadorias visadas passou a expandir cada vez mais nos últimos anos.
Atualmente, além dos produtos mencionados, roubam-se eletroeletrônicos, tecidos, calçados e alimentos. E até matérias-primas, como alumÃnio e zinco. "Atualmente, não existe mercadoria que não seja visada", diz o diretor da Transportadora Americana, Celso Luchiari. "Gastamos no ano passado 11% do faturamento com medidas para combater os ladrões, como rastreamento dos veÃculos, escolta e segurança", diz. Luchiari afirma ter poucas esperanças de ver o problema resolvido a médio prazo.
As seguradoras aumentaram a restrições para fazer o seguro do transporte, a ponto de não aceitar contratos para o transporte de cigarros, por exemplo. O diretor de operações da transportadora paulista Expresso Araçatuba, Hugo Nery, afirma que a empresa é obrigada a fracionar a mesma carga em vários caminhões porque as seguradoras só aceitam fazer o seguro até um certo limite de valor por veÃculo.
Satélite
Além disso, os 200 caminhões da Expresso são rastreados por satélite, pois as seguradoras exigem rastreadores para fechar os contratos. Cada sistema de rastreamento custa cerca de US$ 3 mil, o que aumenta os custos operacionais da empresa.
A Expresso Araçatuba atualmente restringe acordos com caminhoneiros autônomos que não têm caminhões equipados com esses aparelho. Mesmo assim, o número de casos cresceu em 2001, em relação ao ano anterior, em quantidade não revelada. A Expresso realiza serviços de frete até a Argentina e cruza América do Sul até o PacÃfico, passando por Peru e Chile.
Nery afirma que, nos últimos seis meses, não foi registrado caso de roubo nesses paÃses. Segundo ele, o Estado de São Paulo continua a ser a região mais perigosa para a transportadora.
A Transportadora Kwikasair registrou no ano passado um aumento de 14,6% no volume de roubos de cargas, de 41 ocorrências em 2000 para 47 em 2001. O número de veÃculos rastreados da empresa atinge 452.
Neste ano, a Kwikasair destinou R$ 2,5 milhões do orçamento para gastar com gerenciamento de riscos. Isso inclui uma série de medidas para combater o roubo, como contratação de seguranças, escolta, sistemas de rastreamento, treinamento dos motoristas e outras atividades.
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Ele explicou que a CPI já deveria ter sido encerrada no final do ano passado, mas por pressões de governadores e empresários que viram na atuação um freio nos roubos, ela está prosseguindo neste ano. ÂAlém disto temos vários Estados a serem visitados ainda. Muita coisa deve ser feita. Nós estamos trabalhando junto ao presidente da Câmara, deputado Aécio Neves, para que se aprove algumas legislações para reduzir o roubo de carga, como a punição para a figura do receptadorÂ, afirmou.
Receptador presumido
Ele disse que Âé preciso que a justiça reconheça a figura do receptador presumido. Ou seja aquele que sabemos ser um receptador, mas não temos provas concretas. Só sabemos que eles ganham dinheiro vendendo mercadoria roubada. à preciso que se aceitem os indÃcios. Também precisamos criar um DNA para identificar as mercadorias. Isto é importante. Estamos trabalhando muito nistoÂ.
Outra fato revelado por Tuma é que alguns empresários que foram indiciados por sonegação já estão conseguindo vitórias na justiça. ÂVamos descobrir quem está por trás deles. Veja o caso da Petroforte. O que sabemos é que há ligações do roubo de carga, com o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. Estamos investigandoÂ, afirmou.
Tuma disse que conta com dois delegados da PolÃcia Federal trabalhando com ele, como são os casos dos delegados Paulo Lacerda e Marco Antonio Cavalheiro. ÂVamos encaminhar ao Ministério Público o que já temos, para que trabalhe e indicie os responsáveis pelo crime de roubo de cargaÂ, disse o senador.
Lavagem de dinheiro e drogas
A CPI está investigando ainda o desmanche de caminhões e a lavagem de dinheiro. Segundo Tuma, muitas das quadrilhas estão melhor aparelhadas do que a polÃcia. A CPI é elogiada pelos empresários que sabem que a demora para a conclusão se deve basicamente as dificuldades para a investigação e obtenção de provas.
As investigações mostram também que pode haver ligações entre o roubo de carga e o tráfico de drogas. A CPI investigou o desvio de mercadorias em zonas portuárias e aeroportuárias. Estes desvios se caracterizam como fraudes tanto nas importações como exportações brasileiras.
Mercadorias visadas
Em meados dos anos 90, os ladrões de cargas roubavam principalmente cigarros e medicamentos, que eram facilmente revendidos no mercado negro. O rol de mercadorias visadas passou a expandir cada vez mais nos últimos anos.
Atualmente, além dos produtos mencionados, roubam-se eletroeletrônicos, tecidos, calçados e alimentos. E até matérias-primas, como alumÃnio e zinco. "Atualmente, não existe mercadoria que não seja visada", diz o diretor da Transportadora Americana, Celso Luchiari. "Gastamos no ano passado 11% do faturamento com medidas para combater os ladrões, como rastreamento dos veÃculos, escolta e segurança", diz. Luchiari afirma ter poucas esperanças de ver o problema resolvido a médio prazo.
As seguradoras aumentaram a restrições para fazer o seguro do transporte, a ponto de não aceitar contratos para o transporte de cigarros, por exemplo. O diretor de operações da transportadora paulista Expresso Araçatuba, Hugo Nery, afirma que a empresa é obrigada a fracionar a mesma carga em vários caminhões porque as seguradoras só aceitam fazer o seguro até um certo limite de valor por veÃculo.
Satélite
Além disso, os 200 caminhões da Expresso são rastreados por satélite, pois as seguradoras exigem rastreadores para fechar os contratos. Cada sistema de rastreamento custa cerca de US$ 3 mil, o que aumenta os custos operacionais da empresa.
A Expresso Araçatuba atualmente restringe acordos com caminhoneiros autônomos que não têm caminhões equipados com esses aparelho. Mesmo assim, o número de casos cresceu em 2001, em relação ao ano anterior, em quantidade não revelada. A Expresso realiza serviços de frete até a Argentina e cruza América do Sul até o PacÃfico, passando por Peru e Chile.
Nery afirma que, nos últimos seis meses, não foi registrado caso de roubo nesses paÃses. Segundo ele, o Estado de São Paulo continua a ser a região mais perigosa para a transportadora.
A Transportadora Kwikasair registrou no ano passado um aumento de 14,6% no volume de roubos de cargas, de 41 ocorrências em 2000 para 47 em 2001. O número de veÃculos rastreados da empresa atinge 452.
Neste ano, a Kwikasair destinou R$ 2,5 milhões do orçamento para gastar com gerenciamento de riscos. Isso inclui uma série de medidas para combater o roubo, como contratação de seguranças, escolta, sistemas de rastreamento, treinamento dos motoristas e outras atividades.