Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2002, 20:51 | Online
Brasil é campeão de repetência na América Latina
No dia em que 6 milhões de alunos da rede estadual de São Paulo voltam à s aulas, a Unesco divulga um estudo que mostra que o Brasil ainda tem de evoluir, sobretudo no que diz respeito à repetência. O levantamento reúne dados de 19 paÃses latino-americanos coletados entre 1998 e 1999. O Brasil teve o pior desempenho em repetência no nÃvel básico e no secundário.
Segundo a Unesco, a taxa de repetência era de 24% no nÃvel básico e de 18% no secundário. Nos dois casos, o Brasil é o recordista do subcontinente. Na educação básica, a Guatemala é a 2.ª colocada, com uma taxa de 15%. No ensino secundário, o PaÃs está à frente da Argentina, Costa Rica e Venezuela, todos com menos de 10% de reprovação em média.
Esses dados não diferem muito das estatÃsticas mais recentes divulgadas pelo Ministério da Educação. A taxa de repetência de 2000  que usa dados de 1999  é de 21,6% no nÃvel fundamental e de 18,6% no médio.
Na avaliação da Unesco (a agência das Nações Unidas para educação, cultura e ciência), a reprovação gera uma série de prejuÃzos não só financeiros  quanto mais repetentes, mais caro fica para o governo manter o sistema Â, mas sobretudo educacionais, pois indica que existem problemas de qualidade, já que as crianças e jovens não estão aprendendo tanto quanto deveriam. ÂO Brasil melhorou muito, mas agora o problema da qualidade começa a vir à tona. Aqui e em toda a América LatinaÂ, comenta a coordenadora de Educação da Unesco-Brasil, Dulce Borges.
Outro dado que chama a atenção é o fato de que o número de alunos matriculados na educação básica é maior do que a população na faixa etária ideal: a taxa na América Latina é de 125%. Isso ocorre por causa da reprovação e do elevado número de jovens e adultos atrasados em relação à série ideal. Novamente, o Brasil é o campeão, com uma taxa de matrÃcula de 154% em relação à faixa etária ideal.
A boa notÃcia para os brasileiros, no entanto, é o fato de a Unesco incluir o PaÃs entre os sete que universalizaram o acesso à educação básica. A lista também é composta por Argentina, BolÃvia, Cuba, Equador, México e Paraguai. Apesar disso, a Unesco estima que 2 milhões de crianças latino-americanas em idade de freqüentar a educação básica estejam fora da escola. Na zona rural, 40% das crianças abandonam a escola antes de completar o primário ou concluem esse nÃvel com dois anos de atraso. Nas cidades, a taxa cai para 17%. No secundário, 54% dos jovens em idade de freqüentar esse nÃvel de ensino estão matriculados. Mas há 20 milhões de jovens excluÃdos.
De acordo com a Unesco, o ensino de terceiro grau é o grande problema da região. Embora o nÃvel de freqüência tenha melhorado na década de 90, só 9,5 milhões de pessoas estavam matriculadas em universidades na América Latina em 1998. Brasil, México e Argentina concentram 60% das inscrições.
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Segundo a Unesco, a taxa de repetência era de 24% no nÃvel básico e de 18% no secundário. Nos dois casos, o Brasil é o recordista do subcontinente. Na educação básica, a Guatemala é a 2.ª colocada, com uma taxa de 15%. No ensino secundário, o PaÃs está à frente da Argentina, Costa Rica e Venezuela, todos com menos de 10% de reprovação em média.
Esses dados não diferem muito das estatÃsticas mais recentes divulgadas pelo Ministério da Educação. A taxa de repetência de 2000  que usa dados de 1999  é de 21,6% no nÃvel fundamental e de 18,6% no médio.
Na avaliação da Unesco (a agência das Nações Unidas para educação, cultura e ciência), a reprovação gera uma série de prejuÃzos não só financeiros  quanto mais repetentes, mais caro fica para o governo manter o sistema Â, mas sobretudo educacionais, pois indica que existem problemas de qualidade, já que as crianças e jovens não estão aprendendo tanto quanto deveriam. ÂO Brasil melhorou muito, mas agora o problema da qualidade começa a vir à tona. Aqui e em toda a América LatinaÂ, comenta a coordenadora de Educação da Unesco-Brasil, Dulce Borges.
Outro dado que chama a atenção é o fato de que o número de alunos matriculados na educação básica é maior do que a população na faixa etária ideal: a taxa na América Latina é de 125%. Isso ocorre por causa da reprovação e do elevado número de jovens e adultos atrasados em relação à série ideal. Novamente, o Brasil é o campeão, com uma taxa de matrÃcula de 154% em relação à faixa etária ideal.
A boa notÃcia para os brasileiros, no entanto, é o fato de a Unesco incluir o PaÃs entre os sete que universalizaram o acesso à educação básica. A lista também é composta por Argentina, BolÃvia, Cuba, Equador, México e Paraguai. Apesar disso, a Unesco estima que 2 milhões de crianças latino-americanas em idade de freqüentar a educação básica estejam fora da escola. Na zona rural, 40% das crianças abandonam a escola antes de completar o primário ou concluem esse nÃvel com dois anos de atraso. Nas cidades, a taxa cai para 17%. No secundário, 54% dos jovens em idade de freqüentar esse nÃvel de ensino estão matriculados. Mas há 20 milhões de jovens excluÃdos.
De acordo com a Unesco, o ensino de terceiro grau é o grande problema da região. Embora o nÃvel de freqüência tenha melhorado na década de 90, só 9,5 milhões de pessoas estavam matriculadas em universidades na América Latina em 1998. Brasil, México e Argentina concentram 60% das inscrições.