Terça-feira, 14 de Janeiro de 2003, 17:50 | Online
Pesquisadores de ong são roubados e ameaçados na ParaÃba
Três pesquisadores do Centro de Justiça Global, organização não-governamental ligada à causa dos direitos humanos, foram perseguidos, ameaçados e tiveram seus computadores portáteis roubados, no sábado passado, na cidade de Itambé, na ParaÃba, quando investigavam a ação de grupos de extermÃnio que atuam naquele Estado e em Pernambuco.
A diretoria da Justiça Global, que denunciou nesta terça-feira, em São Paulo e no Rio de Janeiro, as ações de intimidação, teme que o roubo dos computadores portáteis desencadeie uma onda de ameaças contra dezenas de testemunhas ouvidas pelos pesquisadores nas últimas semanas. Os depoimentos destas testemunhas, quase todos eles sigilosos, estavam armazenados na memória dos computadores.
Informações cruciais
Os três pesquisadores  os advogados brasileiros Eduardo Araújo e Flávia Helena de Lima, e o cientista polÃtico norte-americano Adrian Alvares  estavam viajando há vários dias pelas capitais e por cidades do interior da ParaÃba e de Pernambuco. Antes, haviam colhido depoimentos sobre a ação de grupos de extermÃnio no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
"Todo este material, entre eles alguns depoimentos com informações e denúncias cruciais, estava nos computadores", afirma Sandra Carvalho, diretora de Pesquisa do Centro e coordenadora do projeto sobre Execuções Sumárias no Brasil, que investiga também os grupos de extermÃnio.
Os ladrões sabiam o que procuravam
Os computadores foram roubados de dentro do apartamento de um integrantes da Justiça Global, onde os três pesquisadores estavam hospedados. "O dono do apartamento acabara de mudar, dezenas de malas fechadas estavam espalhadas pelos cômodos, havia outros computadores na casa, equipamentos eletrônicos e objetos de valor", relata Sandra.
"Mas os ladrões sabiam exatamente onde se encontravam os computadores portáteis, dentro de uma pequena mochila, e não levaram absolutamente mais nada do apartamento, além de uma garrafa de uÃsque e um celular." Nenhuma outra mala foi aberta e nada foi revirado.
Perseguidos por um carro
Horas antes de constatarem o roubo, ainda na tarde de sábado, os três pesquisadores foram perseguidos várias vezes, pelas ruas de Itambé, por um gol branco ocupado por um homem que tentava intimidá-los. "Quando chegaram ao apartamento, perceberam o furto dos computadores", ldiz Sandra.
Mais tarde, quando voltaram a sair, os três foram novamente perseguidos pelo automóvel, que se aproximou muito e os obrigou a fugir. Na mesma noite, o secretário de Estado dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, determinou uma investigação detalhada do episódio. Pesquisadores da Justiça Global já haviam feito antes várias visitas à ParaÃba.
Denúncia anterior
Em 23 de setembro do ano passado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) autorizou as medidas cautelares solicitadas pela Justiça Global, com a finalidade de garantir a vida e a integridade pessoal do vereador Manoel Bezerra de Mattos e da promotora de Justiça Rosemary Souto Maior de Almeida, ambos de Itambé, e de mais três pessoas que não podem ter seus nomes divulgados.
Todos ele denunciaram a atuação de pistoleiros e de grupos de extermÃnio nos Estados de Pernambuco e ParaÃba desde a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Estadual da Pistolagem e do Narcotráfico, em 2000.
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A diretoria da Justiça Global, que denunciou nesta terça-feira, em São Paulo e no Rio de Janeiro, as ações de intimidação, teme que o roubo dos computadores portáteis desencadeie uma onda de ameaças contra dezenas de testemunhas ouvidas pelos pesquisadores nas últimas semanas. Os depoimentos destas testemunhas, quase todos eles sigilosos, estavam armazenados na memória dos computadores.
Informações cruciais
Os três pesquisadores  os advogados brasileiros Eduardo Araújo e Flávia Helena de Lima, e o cientista polÃtico norte-americano Adrian Alvares  estavam viajando há vários dias pelas capitais e por cidades do interior da ParaÃba e de Pernambuco. Antes, haviam colhido depoimentos sobre a ação de grupos de extermÃnio no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
"Todo este material, entre eles alguns depoimentos com informações e denúncias cruciais, estava nos computadores", afirma Sandra Carvalho, diretora de Pesquisa do Centro e coordenadora do projeto sobre Execuções Sumárias no Brasil, que investiga também os grupos de extermÃnio.
Os ladrões sabiam o que procuravam
Os computadores foram roubados de dentro do apartamento de um integrantes da Justiça Global, onde os três pesquisadores estavam hospedados. "O dono do apartamento acabara de mudar, dezenas de malas fechadas estavam espalhadas pelos cômodos, havia outros computadores na casa, equipamentos eletrônicos e objetos de valor", relata Sandra.
"Mas os ladrões sabiam exatamente onde se encontravam os computadores portáteis, dentro de uma pequena mochila, e não levaram absolutamente mais nada do apartamento, além de uma garrafa de uÃsque e um celular." Nenhuma outra mala foi aberta e nada foi revirado.
Perseguidos por um carro
Horas antes de constatarem o roubo, ainda na tarde de sábado, os três pesquisadores foram perseguidos várias vezes, pelas ruas de Itambé, por um gol branco ocupado por um homem que tentava intimidá-los. "Quando chegaram ao apartamento, perceberam o furto dos computadores", ldiz Sandra.
Mais tarde, quando voltaram a sair, os três foram novamente perseguidos pelo automóvel, que se aproximou muito e os obrigou a fugir. Na mesma noite, o secretário de Estado dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, determinou uma investigação detalhada do episódio. Pesquisadores da Justiça Global já haviam feito antes várias visitas à ParaÃba.
Denúncia anterior
Em 23 de setembro do ano passado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) autorizou as medidas cautelares solicitadas pela Justiça Global, com a finalidade de garantir a vida e a integridade pessoal do vereador Manoel Bezerra de Mattos e da promotora de Justiça Rosemary Souto Maior de Almeida, ambos de Itambé, e de mais três pessoas que não podem ter seus nomes divulgados.
Todos ele denunciaram a atuação de pistoleiros e de grupos de extermÃnio nos Estados de Pernambuco e ParaÃba desde a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Estadual da Pistolagem e do Narcotráfico, em 2000.