Terça-feira, 15 de Abril de 2003, 17:25 | Online

Lula critica aplicação de recursos do BNDES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje a aplicação de recursos pelo BNDES, afirmando que o dinheiro era utilizado ou para salvar empresas falidas ou de "amigos de governantes". "Acabou o tempo do apadrinhamento, em que o amigo do rei conseguia empréstimos e quem não era amigo do rei não conseguia. Não vamos recriar a indústria de favores neste país", afirmou ele.

Dirigindo-se aos diretores da Copebrás, empresa multinacional, afirmou: "Se eles tiverem interesse em fazer novas parcerias com o BNDES, não contem até dez. Comecem hoje mesmo, porque não podemos, nem vocês, perder tempo."

O presidente Lula relatou, em seu discurso, que já fez três encontros com empresas multinacionais e tem ouvido afirmação de que estão preparadas e com capacidade para produzir no Brasil. Segundo ele, o governo está aberto para que o BNDES participe com recursos para empresas, como aconteceu com a Copebras. "São sempre bem-vindas e o governo apoiará de prontidão todo tipo de investimentos que venha gerar empregos".

Para Lula, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil podem fazer muito mais do que foi feito nos últimos anos. Ele anunciou que o BB vai começar, em maio, a liberar R$ 18 milhões para agricultura. "Vamos dobrar o dinheiro na agricultura familiar", afirmou. "A situação econômica é difícil, mas acredito que a fera está sendo domada ".

Reformas

Lula disse hoje que pretende marcar amanhã, na reunião que terá com os 27 governadores, a data em que entregará as propostas de reformas previdenciária e tributária ao Congresso. "Quem sabe daqui a uma semana estarei com os 27 governadores e os integrantes do Conselho de Desenvolvimento atravessando do Palácio do Planalto para o Congresso para entregar as reformas", afirmou.

Segundo ele, as reformas não resolverão tudo, mas irão garantir, no futuro, condições para investimento nos setores produtivos, sociais e na educação. "E não gastando apenas nas aposentadorias que pagamos hoje", ressaltou.

Na sua expectativa não haverá deputado ou senador, independentemente do partido, nem empresário, independentemente do que pensa do presidente da República, que não terá a chance de participar da discussão das reformas.

Dores

Durante a cerimônia de inauguração do novo complexo industrial da Companhia Petroquímica Brasileira (Copebrás), empresa que pretende dobrar a produção de minério de fósforo no País, Lula não disfarçou o incômodo provocado por dores musculares no braço esquerdo, machucado em uma partida de futebol. Olhando para o alto e segurando o ombro esquerdo, Lula demonstrava desconforto, e, quando podia, gesticulava o braço numa espécie de massagem e exercícios.

Nessa situação, o presidente ouviu cinco discursos - de diretores das empresas, do prefeito de Catalão, Adib Elias Junior, e do governador de Goiás, Marcone Perillo. O presidente Lula deve embarcar de volta a Brasília às 18h.

Crítica

Lula voltou a criticar a condução da política social do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmando que a aplicação dos recursos estava sendo pulverizada e não tinha uma proposta de governo. "O que tinha era programa de ministros", disse ele. Segundo Lula, é necessário otimizar os recursos dos programas sociais, fazendo com que o dinheiro chegue na ponta, "e não pare no meio do caminho com as intermediações que geralmente acontecem nas políticas sociais deste País".

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