Terça-feira, 20 de Março de 2007, 12:48 | Online
O tempo caminha devagar em Alfama
Triste e belo, o fado dita o ritmo nas vielas mal iluminadas do bairro, salpicado de casas com apresentações ao vivo
Alfama não parou no tempo mas, tenha certeza, por suas vielas e escadarias, ele caminha mais devagar. Situado numa região de encosta, em que de alguns trechos tem-se uma vista espetacular do Rio Tejo, o bairro mais antigo de Lisboa preserva igrejas, museus e prédios de estilo colonial onde vivem pessoas de hábitos um tanto esquecidos no dia-a-dia de uma cidade movimentada. Se a diversão dos turistas é se perder pelas vielas labirínticas, a graça de quem habita o lugar é acompanhar, da porta de casa, o vaivém desses estranhos - que podem até pensar que, sim, as roupas penduradas nas janelas estão ali para render uma foto pitoresca e não para secar ao sol.
Você pode até requisitar um passeio guiado na esquina do Beco da Lapa com a Rua dos Remédios, mas vai se divertir muito mais se entregar o sobe-e-desce das ruas à própria sorte. Mirantes não faltam para admirar o Tejo: o maior deles é o de Santa Luzia, onde se chega com a linha de ônibus (autocarro) 37, pela Rua do Limoeiro.
Alguns endereços
Alfama é, se não berço, o grande sinônimo de fado. Durante o dia, faça uma breve visita ao Museu do Fado (Largo de Chafariz de Dentro, 1; 00--351-21-882-3470; site). O lugar guarda documentos históricos sobre esse estilo musical.
À noite, as melodias e letras tristes são interpretadas por pequenos grupos de músicos semiprofissionais em restaurantes, tascas e tabernas. Para os restaurantes, aliás, vale a dica: em geral, eles cobram uma fortuna por um jantar ´típico português´ chinfrim que dá direito a assistir a um show. Portanto, esqueça da comida. Depois das 23 horas, é possível assistir às apresentações pagando apenas o couvert artístico e a consumação mínima (cerca de 20).
Dos diversos clubes de fado do bairro, o que está há mais tempo em atividade, desde a década de 1930, é o Luso (Travessa da Queimada, 10; 00--351-21- 342-2281). O Parrerinha de Alfama (Beco do Espírito Santo, 1; 00--351-21-886-8209) é administrado pela fadista Argentina Santos, um dos mitos lisboetas. No Clube de Fado (Rua São João da Praça, 92; 00--351-21- 885-2704), apresentam-se novos cantores.
Mas um dos pontos mais autênticos, ao qual se chega por uma escadaria mal iluminada, é a Casa de Linhares (reservas pelo 00--351-21-886-5088). Conhecido como ´Bacalhau de Molho´, esse restaurante fica nas ruínas do palacete do Conde de Linhares, uma construção do século 16 que se ligava por um túnel de 700 metros à Catedral da Sé e ao Castelo de São Jorge.
Tente reservar uma noite em que a jovem cantora Raquel Linhares esteja presente e você verá, ao mesmo tempo, a beleza e a tristeza de um fado genuíno.
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Você pode até requisitar um passeio guiado na esquina do Beco da Lapa com a Rua dos Remédios, mas vai se divertir muito mais se entregar o sobe-e-desce das ruas à própria sorte. Mirantes não faltam para admirar o Tejo: o maior deles é o de Santa Luzia, onde se chega com a linha de ônibus (autocarro) 37, pela Rua do Limoeiro.
Alguns endereços
Alfama é, se não berço, o grande sinônimo de fado. Durante o dia, faça uma breve visita ao Museu do Fado (Largo de Chafariz de Dentro, 1; 00--351-21-882-3470; site). O lugar guarda documentos históricos sobre esse estilo musical.
À noite, as melodias e letras tristes são interpretadas por pequenos grupos de músicos semiprofissionais em restaurantes, tascas e tabernas. Para os restaurantes, aliás, vale a dica: em geral, eles cobram uma fortuna por um jantar ´típico português´ chinfrim que dá direito a assistir a um show. Portanto, esqueça da comida. Depois das 23 horas, é possível assistir às apresentações pagando apenas o couvert artístico e a consumação mínima (cerca de 20).
Dos diversos clubes de fado do bairro, o que está há mais tempo em atividade, desde a década de 1930, é o Luso (Travessa da Queimada, 10; 00--351-21- 342-2281). O Parrerinha de Alfama (Beco do Espírito Santo, 1; 00--351-21-886-8209) é administrado pela fadista Argentina Santos, um dos mitos lisboetas. No Clube de Fado (Rua São João da Praça, 92; 00--351-21- 885-2704), apresentam-se novos cantores.
Mas um dos pontos mais autênticos, ao qual se chega por uma escadaria mal iluminada, é a Casa de Linhares (reservas pelo 00--351-21-886-5088). Conhecido como ´Bacalhau de Molho´, esse restaurante fica nas ruínas do palacete do Conde de Linhares, uma construção do século 16 que se ligava por um túnel de 700 metros à Catedral da Sé e ao Castelo de São Jorge.
Tente reservar uma noite em que a jovem cantora Raquel Linhares esteja presente e você verá, ao mesmo tempo, a beleza e a tristeza de um fado genuíno.