Terça-feira, 31 de Outubro de 2006, 10:58 | Online

Especialização é vital para destacar-se no mercado de TI

A crescente especialização exige a segmentação no perfil profissional

Embora exista uma grande demanda por profissionais na área de tecnologia, o grande desafio está na especialização: quanto mais se desenvolvem as áreas (comunicação, segurança, gestão, etc), aumenta a necessidade de profissionais com um perfil mais segmentado, embora as oportunidades estejam disponíveis para profissionais de tecnologia da informação em todos os níveis de especialização.

“O mercado precisa com mais urgência de pessoas que conseguiram certificação com cursos de curta duração, para atender a uma demanda específica. O ideal,porém,é que o profissional tenha, além domínio técnico, bom relacionamento com clientes, inglês fluente e conhecimento de negócios”,explica o diretor de Consultoria de Tecnologia e Segurança da Informação da PricewaterhouseCoopers, Antonio Gesteira.

Ele, que também é professor da Mercatus - Educação em Negócios, acredita que os especialistas em TI irão exercer papéis cada vez mais importantes dentro das organizações e a tendência é que passem a integrar o comitê executivo de muitas delas.

Parceria

Célio Antunes, presidente da empresa de treinamento Impacta Tecnologia, confirma a necessidade por especialização e cita o aquecimento nos cursos rápidos de certificação, que servem como porta de entrada imediata no mercado de trabalho. Mas ele alerta que a especialização do profissional não pode parar aí.

“A certificação dá condições para que a pessoa ingresse e, com isso, adquira recursos para iniciar uma graduação mais aprofundada. Este é
Um caminho muito viável e que abre inúmeras oportunidades na carreira”.

Sabendo disso, a Microsoft desenvolveu o Programa de Certificação e Capacitação, para formar profissionais especializados na linguagem da empresa. O curso é gratuito, já está em sua segunda edição, e é feito simultaneamente em cinco capitais do País em parceria com o Senac (São Paulo e Rio de Janeiro), PUC (Rio Grande do Sul e Paraná) e Iesb (Brasília).

O diretor de desenvolvimento da plataforma .Net da Microsoft Brasil afirma que a idéia é oferecer o curso uma vez por semestre, e o próximo deverá ocorrer entre março e abril de 2007. “TI já é item obrigatório
dentro das empresas. Se bem implementada, proporciona aumento de produtividade e melhores condições para competir no mercado”, diz.

Colocação

O estudante Vinicius Izidoro participou da primeira edição do programa e conseguiu sua certificação pela Microsoft. Ele já havia feito um curso técnico de informática e trabalhava com programação numa empresa de pequeno porte. “No Senac, porém, tive contato com uma plataforma nova, o que me abriu um leque de possibilidades muito grande”, conta
Izidoro.

Após a conclusão das 80 horas previstas na grade, a Catho, empresa de recolocação profissional que também é parceira do projeto, colocou o currículo do estudante em seu banco de dados e não demorou
para que novas oportunidades surgissem.

Hoje, ele atua como auxiliar de infra-estrutura e análise de sistemas na BM&F, Bolsa de Mercadorias e Futuros, e está motivado quanto a sua carreira. “Quero concluir a faculdade de Informática, iniciar outra graduação mais específica e depois fazer um mestrado na área de análise”.

Parcerias entre empresas e instituições de ensino são fundamentais para a qualificação profissional em TI. Essa é a opinião da diretora de outsourcing e aplicações Lilian Picciotti, da CPM, consultoria especializada no assunto.

Segundo ela, as faculdades da área prendem-se muito à teoria, pois não têm recursos para acompanhar todas as mudanças tecnológicas, cada vez mais rápidas. “A parceria funciona como um complemento da graduação para que os alunos tenham contato com a parte prática, virando muitas vezes estagiários e trainees”.

Demanda

A área de Tecnologia da Informação está tão aquecida que a grande preocupação dos especialistas é justamente o excesso de vagas de trabalho, principalmente na área de software.“

Isso é um problema porque as empresas podem deixar de investir no Brasil por falta de profissionais qualificados. Apesar de todos os esforços, ainda falta muita gente para suprir a demanda”, diz Célio Antunes.

Lilian, da CPM, é enfática: “A tendência é que a procura por especialistas em tecnologia aumente cada vez mais e essa uma ótima oportunidade para se construir uma carreira”.

E Antonio Gesteira, da PricewarehouseCoopers, aconselha: “Não espere que sua empresa ofereça treinamento e cursos de reciclagem. Tome a iniciativa e se atualize por conta própria, continuamente”.

O presidente da Impacta ainda adverte: “Ou o Brasil vira uma das maiores potências mundiais em TI ou perde o bonde e fica para trás.
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