Terça-feira, 21 de Maio de 2002, 10:45 | Online

Santuário das baleias é derrotado novamente

Adesões à proposta brasileira subiram de 20 para 23, mas Japão conseguiu 17 votos contrários e o mínimo de ¾ dos votos não foi alcançado

A adesão de mais três países à proposta brasileira de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul não foi suficiente para garantir a aprovação da Comissão Internacional de Baleias (CIB), hoje, no Japão. Este ano, foram 23 votos a favor e 17 contra, quando, no ano passado, haviam sido 20 votos a favor e 13 contra, com 4 abstenções. Eram necessários ¾ dos votos para a proposta ser aprovada.

Segundo informa um dos integrantes da comitiva brasileira, José Truda Palazzo, a Suíça, que se absteve no ano passado, Portugal e a República de San Marino foram os três novos votos favoráveis, ao lado daqueles que já haviam votado com o Brasil em 2001: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Chile, Estados Unidos, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Índia, Itália, México, Mônaco, Nova Zelândia, Reino Unido, Suécia.

O Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, que foi pessoalmente defender o santuário, levando uma carta do presidente Fernando Henrique Cardoso, declarou que a proposta será mantida na pauta para votação nas próximas reuniões. O ministro ainda apresentou uma declaração da política nacional brasileira para os mamíferos marinhos, durante a discussão do santuário.

O documento ficou registrado oficialmente na CIB e considera prioritário o uso não-letal das baleias, entendendo como um direito dos países em desenvolvimento, o turismo de observação e a pesquisa científica, que exclui a caça. Tal direito estaria sendo prejudicado pela caça promovida pelos países baleeiros, uma vez que as baleias visitam todos os oceanos e sua captura prejudica o uso não letal.

Derrota parcial

A proposta da Austrália e Nova Zelândia, de estabelecer um santuário no Pacífico Sul, também foi derrotada, pelo mesmo bloco de 17 votos liderados pelo Japão, com o qual votam os países do Caribe e África, beneficiados por financiamentos dos japoneses para reequipar seus portos e armazéns de pesca. Mas o Japão não obteve êxito ao tentar cancelar os dois santuários de baleias já existentes: da Antártica e do Oceano Índico.

Até o fim da semana, a CIB ainda vota a manutenção ou não da moratória de caça à baleia, com forte pressão dos japoneses e noruegueses para sua suspensão. A moratória está em vigor desde 1985 e vem sendo burlada pelos japoneses através de cotas de caça para fins de “pesquisa científica” de baleias das espécies minke, sei, Bryde e cachalote. As baleias “pesquisadas” pelo Japão são enlatadas em navios fábrica, que acompanham os baleeiros e vendidas no mercado japonês. Organizações ambientalistas não-governamentais – como o Greenpeace, a International Wildlife Coalition (IWC) e a Earth Island – têm denunciado, inclusive, a venda de carne de golfinhos e outras baleias, mais ameaçadas, como se fossem destas quatro espécies. A troca é verificada através de testes de DNA.

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