Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2006, 20:34 | Online
Ratos mostram como cérebro reage ao "bullying"
Qualquer vÃtima de "bullying" - intimidação, como a praticada por crianças e jovens contra colegas mais novos ou mais fracos - sabe que a experiência pode causar um medo prolongado. Agora, cientistas que analisaram ratos grandes intimidarem os menores descobriram que o estresse causa mudanças no cérebro - uma descoberta que pode ajudar as pesquisas sobre depressão e outras doenças mentais.
Uma substância produzida no cérebro, chamada de BDNF, parece ser a culpada, controlando se o rato que sofreu a intimidação se tornará ou não um solitário medroso. "Essa é uma observação fascinante", disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, que ajudou a financiar o trabalho.
Neurocientistas da Universidade do Texas queriam testar o papel do "caminho de recompensa" do cérebro em pessoas com comportamento depressivo. Esse circuito do cérebro está envolvido no aprendizado emocional, reconhecimento de prazer e, assim, também tem um papel no vÃcio. Mas as pessoas com depressão grave tornam-se quase entorpecidas, incapazes de experimentar o prazer, sugerindo outra função deste caminho.
Os pesquisadores do Texas submeteram pequenos ratos marrons a uma intimidação mais intensa do que a que enfrentariam na vida selvagem: cada um deles foi colocado, por cinco minutos, na jaula de grande rato branco, particularmente agressivo. Depois, os cientistas dividiram a jaula em duas por 24 horas - assim o ratinho não corria nenhum perigo, mas veria e sentiria o cheiro de seu agressor. Por 10 dias, cada ratinho enfrentou o valentão. Os pequenos animais ficaram drasticamente amedrontados.
Quatro semanas depois, eles ainda temiam mesmo aqueles que presumivelmente seriam seus amigos. O que aconteceu em seus cérebros?
O BDNF é uma substância quÃmica importante para o crescimento e a maturação das células nervosas. Alguns antidepressivos aumentam o nÃvel de BDNF no hipocampo, o que, espera-se, ajuda a dar novo impulso aos neurônios.
Mas numa região diferente do cérebro, que abrange o feixe de dopamina mesolÃmbico , achar muito BDNF é ruim: o ratinhos experimentaram altos nÃveis de BDNF, que ativaram centenas de genes localizados na parte frontal do cérebro.
O ativação genética pouco usual foi paralela ao isolamento social dos animais. Depois, a equipe de pesquisadores injetou nos ratinhos um vÃrus que corta a produção de BDNF apenas nessa região do cérebro, e repetiu a experiência. Na falta de BDNF, os ratinhos não ficaram amedrontados - eles essencialmente não sabiam como responder à ameaça emocional, evidência do papel do BDNF no estresse social.
"A habilidade do estresse de induzir BDNF nesta rota é provavelmente uma boa coisa", disse Eric Nestler, psiquiatra. "Se você é constantemente submetido a algo ruim como ser agredido, faz sentido evitar quem te agride". Mas o estresse extremo pode transformar esse sistema de proteção normal em algo ruim.
Isso é similar ao que pode acontecer nas pessoas, quando alguém geneticamente predisposto a experiências depressivas é exposto ao estresse emocional.
A maioria dos pesquisadores de depressão focaram nos nÃveis totais de diferentes substâncias quÃmicas cerebrais, como a serotonina. Mas o novo estudo sugere que isso é muito simplista, já que o BDNF aparenta ter diferentes efeitos em diferentes áreas do cérebro. "Não gostamos de pensar no cérebro como outro órgão qualquer", disse Insel. "à muito mais complicado. Precisamos pensar nas mudanças em circuitos especÃficos, não em se algo subiu ou descer no cérebro".
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Uma substância produzida no cérebro, chamada de BDNF, parece ser a culpada, controlando se o rato que sofreu a intimidação se tornará ou não um solitário medroso. "Essa é uma observação fascinante", disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, que ajudou a financiar o trabalho.
Neurocientistas da Universidade do Texas queriam testar o papel do "caminho de recompensa" do cérebro em pessoas com comportamento depressivo. Esse circuito do cérebro está envolvido no aprendizado emocional, reconhecimento de prazer e, assim, também tem um papel no vÃcio. Mas as pessoas com depressão grave tornam-se quase entorpecidas, incapazes de experimentar o prazer, sugerindo outra função deste caminho.
Os pesquisadores do Texas submeteram pequenos ratos marrons a uma intimidação mais intensa do que a que enfrentariam na vida selvagem: cada um deles foi colocado, por cinco minutos, na jaula de grande rato branco, particularmente agressivo. Depois, os cientistas dividiram a jaula em duas por 24 horas - assim o ratinho não corria nenhum perigo, mas veria e sentiria o cheiro de seu agressor. Por 10 dias, cada ratinho enfrentou o valentão. Os pequenos animais ficaram drasticamente amedrontados.
Quatro semanas depois, eles ainda temiam mesmo aqueles que presumivelmente seriam seus amigos. O que aconteceu em seus cérebros?
O BDNF é uma substância quÃmica importante para o crescimento e a maturação das células nervosas. Alguns antidepressivos aumentam o nÃvel de BDNF no hipocampo, o que, espera-se, ajuda a dar novo impulso aos neurônios.
Mas numa região diferente do cérebro, que abrange o feixe de dopamina mesolÃmbico , achar muito BDNF é ruim: o ratinhos experimentaram altos nÃveis de BDNF, que ativaram centenas de genes localizados na parte frontal do cérebro.
O ativação genética pouco usual foi paralela ao isolamento social dos animais. Depois, a equipe de pesquisadores injetou nos ratinhos um vÃrus que corta a produção de BDNF apenas nessa região do cérebro, e repetiu a experiência. Na falta de BDNF, os ratinhos não ficaram amedrontados - eles essencialmente não sabiam como responder à ameaça emocional, evidência do papel do BDNF no estresse social.
"A habilidade do estresse de induzir BDNF nesta rota é provavelmente uma boa coisa", disse Eric Nestler, psiquiatra. "Se você é constantemente submetido a algo ruim como ser agredido, faz sentido evitar quem te agride". Mas o estresse extremo pode transformar esse sistema de proteção normal em algo ruim.
Isso é similar ao que pode acontecer nas pessoas, quando alguém geneticamente predisposto a experiências depressivas é exposto ao estresse emocional.
A maioria dos pesquisadores de depressão focaram nos nÃveis totais de diferentes substâncias quÃmicas cerebrais, como a serotonina. Mas o novo estudo sugere que isso é muito simplista, já que o BDNF aparenta ter diferentes efeitos em diferentes áreas do cérebro. "Não gostamos de pensar no cérebro como outro órgão qualquer", disse Insel. "à muito mais complicado. Precisamos pensar nas mudanças em circuitos especÃficos, não em se algo subiu ou descer no cérebro".