Música
sábado, 5 de abril de 2008, 00:24 | Online
Show de Rod Stewart tem público abaixo do esperado em SP
Organização do show esperava 22 mil pessoas no Parque Antártica, mas 16 mil pessoas foram à apresentação
Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo
Rod, the Mod. Rod, the jet-setter e bon vivant incorrigível. Rod, que foi o centroavante do Jeff Beck Group e do Faces. Rod, que um dia sonhou ser jogador de futebol. Bom, todos esses Rods envelheceram, estão agora com 63 anos e parece que não querem closes do rosto e dos cabelos loiros com eterna eletrostática. A cena acima, a dos fotógrafos, passou-se em New Orleans, no ano passado, durante o festival anual de jazz.
Há um bom tempo que Rod Stewart vem excursionando com esse show mais pop, frustrando alguns fãs de seu coté ''american songbook''. No show, ele não canta nada que as pessoas já não tenham ouvido antes - ao menos uma centena de vezes, como escreveu um colega do jornal Kansas City Star.
Os excessos da juventude, na velhice, parecem se tornar um tanto pantomímicos, caricatos. Rod, the Mod, que prometia erotismo, picardia, até alguma depravação, hoje se diverte observando lá do fundo do palco a multidão de senhoras da platéia que vieram cobrar a promessa. À sua volta, com saxofones típicos dos anos 1980, baixo e vocais, algumas loiras dignas de showroom de feira de automóveis.
Tudo na mitologia Rod já tem mais de 40 anos: no ano passado, completaram-se quatro décadas do ano em que ele foi recrutado por Jeff Beck; no ano que vem, o primeiro disco-solo de Stewart, The Rod Stewart Album (1969) completa 40 anos.
No seu livro 31 Canções, o escritor Nick Hornby (de Alta Fidelidade) elege algumas músicas muito importantes em sua vida. Uma é de Rod Stewart, Mama Been On My Mind, ao som da qual ele perdeu a virgindade.
O show de Rod é retrospectiva generosa - a bordo de sua voz única, ainda em forma - de sua carreira. Picos: a hora em que ele toca e canta ao violão a balada Dirty Old Town, de Ewan MacColl; a hora em que ele canta a única canção do Faces do repertório, Stay With Me; quando faz a platéia cantar em coro Have You Ever Seen the Rain, de John Fogerty, Having a Party, de Sam Cooke, ou Folled Around and Fell in Love, de Elvin Bishop.
Mas não se compara à eucaristia do bis, quando ele retorna com Maggie May, do disco Every Picture Tells a Story, de 1971. Nessa hora, Rod, que faz questão de se dizer escocês (na verdade é londrino; seu pai era escocês), volta a ser o ilusionista dos grandes truques do mundo pop.
Tags:
Rod Stewart
O que são TAGS?