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sábado, 26 de abril de 2008, 19:39 | Online
Após queima de fogos, Cesaria Evora dá início à Virada Cultural
Eixo central da cidade de SP vai ser dominado por uma maratona musical que acaba só no domingo à tarde
Adriana Carranca, Livia Deodato e Lauro Lisboa, de O Estado de S. Paulo
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Clayton de Souza/AE
A programação da Virada se estende até o fim da tarde deste domingo e o eixo central da cidade vai ser dominado por uma maratona musical de mais de 24 horas, que se insinua recordista em número de atrações. Só no centro são 26 palcos com shows para gostos, idades e estilos variados. Há também atividades teatrais, de dança e performances circenses, intervenções literárias, programação de filmes e até roda de capoeira, mas o forte é a música. Tudo grátis.
Do meio da multidão, o povo gritava "Cesaria" tentando alcançar a musa. A cantora entrou no palco em silêncio, dando ouvidos aos fãs e apontou o dedo para uma bandeira de Cabo Verde estendida sobre a multidão por dois grupos de jovens caboverdianos que moram no Brasil. Wellington Barbosa, bem no gargalo, chegou um hora antes só para ver Cesaria de perto. Apesar de colecionar seus discos, foi a primeira vez que ouviu a cantora ao vivo. "A virada é muito legal, mas Cesaria, é especial", disse ele. Como estava acompanhado do filho João, de 18 anos, Wellington ficaria também para ver Gal e Zé Ramalho e ao final da noite, Mutantes, a atração mais esperada pelo jovem.
Carlos Augusto Calil, Secretario de Cultura de São Paulo deseja que a Virada se torne o maior evento da cidade. "A Virada só vem reafirmar a vocação da cidade para as atrações culturais. É muito legal reunir gente de todas idades, classes sociais e de muitos lugares. Essa é grande conquista desse evento."
Entre os convidados, em cercadinho, estavam turistas estrangeiros convidados para o evento pela Prefeitura. De olhos arregalados e um pouco assustadas com a multidão, duas amigas coreanas terminaram o show de Cesaria ensaiando alguns passinhos de samba. Elas não tinham a menor idéia de quem estava no palco, só sabiam que a cantora falava português. A espanhola Rosa Torra, de 59 anos, comparou o evento aos espetáculos culturais de rua que acontecem todos os anos no verão de Barcelona. Muita gente acompanhou os show das janelas do prédios. O hotel Hollywood ocupou 6 apartamentos só com gente para ver o show. Eles pagaram R$ 38 pela noite, e puderam assistir ao show de camarote.
Filas
As filas para ver Luiz Melodia recriar as maravilhas de seu disco de estréia, Pérola Negra (1973), começaram cedo e se prolongaram até depois que o Teatro Municipal já estava lotado. Muita gente ficou de fora e teve de acompanhar o show do telão. O cantor surgiu no palco às 18h06 e entusiasmou o público em cerca de 50 minutos de show. A disputa por um lugar no Municipal era grande, aparentemente maior do que nas edições anteriores da Virada Cultural.
No Vale do Anhangabaú, as cerca de 500 cadeiras começaram a ser ocupadas duas horas antes do aguardado primeiro espetáculo de dança da Virada, de Ana Botafogo e o Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que interpretaram o segundo ato de Giselle. A notícia da morte do coreógrafo Ismael Guiser na manhã deste sábado, 26, deixou todo o meio da dança consternado, mas às 18h47 teve início o belo trecho do espetáculo, que foi seguido de um curto, porém emocionante solo de Luis Arrieta, ambos muito aplaudidos.
No intervalo entre as duas primeiras apresentações, uma dupla de circenses do Acrobáticos Fratelli, montada em cima de uma bicicleta, sobrevoava o Viaduto do Chá, presos a cordas de aço e a um balão. Atrás do palco de dança, Martin Sabatino, também dos Fratelli, montado em uma perna-de-pau, atravessou o Vale do Anhangabaú em uma tirolesa, fazendo, em seguida, uma descida em um rapel de 130 metros. " Foi uma coisa louca, maravilhosa. Começar a virada desse jeito, entre os melhores artistas do Brasil, não tem coisa melhor", disse Sabatino. Seus próximos sobrevôos estão marcados para às 11h30 e 16h30 deste domingo.
Texto ampliado às 21h24
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