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quarta-feira, 8 de outubro de 2008, 20:12 | Online
Anúncio de Nobel de Literatura causa polêmica nos EUA
Secretário permanente do comitê do Nobel, o sueco Horace Engdahl, desqualifica literatura norte-americana
AP
As recentes declarações do secretário permanente do comitê do Nobel, o sueco Horace Engdahl, tem causado muito barulho no mundo das letras. Na semana passada, ele disse à Associated Press que os Estados Unidos são um país demasiado insular e ignorante para competir com a Europa como centro literário do mundo. "Eles não traduzem o suficiente e não participam realmente do grande diálogo da literatura", disse Engdahl. "Essa ignorância é limitante", acrescentou.
Engdahl falava da literatura norte-americana em geral, não de escritores específicos, mas alguns observadores entenderam que um preconceito poderia arruinar as possibilidades de potenciais e permanentes candidatos daquele país, como Philip Roth, Joyce Carol Oates y Don DeLillo.
O secretário rechaçou a idéia de que a Academia Sueca é influenciada por política ou nacionalidade no momento de selecionar o ganhador.
"Na realidade, nós decidimos baseados em uma avaliação puramente literária", disse na entrevista do dia 30 de setembro, e acrescentou que a Academia é "um grupo heterogêneo politicamente". Muitas das escolhas do comitê, disse, foram politicamente controversas, porque "a grande literatura é sempre controversa".
Às vésperas do anúncio, a agência de apostas britânica Ladbrokes dava o escritor italiano Claudio Magris com mais chances, seguido do poeta sírio Adônis e do escritor israelense Amos Oz. Roth, favorido no ano passado, caiu para quinto lugar na lista da Ladbrokes.
Desde que o japonês Kenzaburo Oe ganhou o prêmio em 1994, os indicados têm um claro sabor europeu. Nove dos últimos premiados eram do Velho Continente, incluindo a ganhadora do ano passado, a britânica Doris Lessing. Dos outros quatro, um foi da Turquia, um da África do Sul, outro da China e um de Trinidad. A última norte-americana a ganhar um Nobel foi a escritora Toni Morrison, em 1993.
Seus comentários provocaram fortes reações de funcionários literários do outro lado do Atlântico. O chefe da Fundação Nacional do Livro nos Estados Unidos ofereceu enviar a Engdahl uma lista de livros recomendados para ele ler. Na Suécia, Jonas Thente, um crítico literário do jornal Dagens
Nyheter, disse que esperava que os escritores norte-americanos Thomas Pynchon e Don DeLillo dividissem o prêmio.
"O escândalo deste ano é a literatura norte-americana, sobre a qual o secretário da Academia faltou com o respeito", disse Thente em um vídeo no site do jornal. "Eu espero que o grande romance pós-moderno norte-americano finalmente ganhe o prêmio".
- 2007: Doris Lessing (Reino Unido)
- 2006: Orhan Pamuk (Turquia)
- 2005: Harold Pinter (Reino Unido)
- 2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
- 2003: J.M. Coetzee (África do Sul)
- 2002: Imre Kertesz (Hungria)
- 2001: V.S. Naipaul (Trinidad/Reino Unido
- 2000: Gao Xingjian (China)
- 1999: Gunter Grass (Alemanha)
- 1998: José Saramago (Portugal)
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