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quinta-feira, 9 de outubro de 2008, 11:32 | Online
Le Clézio diz estar comovido com conquista do Nobel
'É uma grande honra. Meu reconhecimento à Academia Sueca', declarou o escritor à uma rádio pública
Efe
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Segundo o escritor, foi sua mulher que recebeu a notícia da Academia, por telefone, enquanto ele estava lendo. O escritor francês respondeu em tom tranqüilo e sereno à rádio pública, mas o tempo todo deixou claro a grande honra que o prêmio representa para ele.
O prêmio foi uma surpresa para Le Clézio, principalmente porque seu nome não aparecia entre os favoritos para conquistar o Nobel. Nascido em Nice em 1940, o escritor é considerado um dos melhores e mais produtivos na língua francesa.
No início da tarde, o escritor falou com os jornalistas na sede da editora Gallimard, que publica seus livros, em Paris, cidade onde estava de passagem, fazendo uma escala entre a Coréia do Sul e o Canadá, fiel à sua fama de viajante incansável.
"Escrever não é apenas ficar sentado na sua mesa consigo mesmo, é escutar o ruído do mundo. Quando você está na posição do escritor, percebe melhor o ruído do mundo, vai de encontro com o mundo", disse o autor que reside no Novo México e é um apaixonado pela cultura hispano-americana.
Sério mas bem-humorado, austero mas generoso em suas respostas, o novo Prêmio Nobel de Literatura assegurou que não esperava ser o vencedor, e se mostrou um pouco envergonhado por ter "tamanha sorte".
Le Clézio falou pouco de sua obra e de suas influências, disse que procura "uma certa ingenuidade e frescura" quando escreve e revelou suas fontes de inspiração: "uma mescla de minhas recordações de infância, de minha vida de adulto e o que constato em cada instante. Minhas fontes estão na realidade".
Quando seu telefone tocou nesta manhã, Le Clézio estava lendo La Dictature du Chagrin, de Stig Dagerman, e aproveitou a janelas aberta pelo Nobel para recomendar a leitura de romances como antídoto para os problemas que atravessa a humanidade, desde a crise econômica com "a tendência excessiva de destacar o perigo que representam os estrangeiros".
"Ler romances é uma boa forma de interrogar o mundo atual sem que o resultado sejam respostas demasiadamente esquemáticas. O romancista não é um filósofo, não é um técnico da língua, é alguém que faz perguntas e se há uma mensagem que gostaria de enviar é que devemos fazer perguntas", disse Le Clézio.
O escritor de romances, contos, novelas e ensaios, disse que recebeu a notícia do prêmio com naturalidade e não acredita que o prestígio do prêmio mude sua vida. "Estou escrevendo um livro e não vou parar por causa disso. A Academia me deu tempo", disse.
Le Clézio não fez outra coisa em sua vida além de escrever e viajar. Com 8 anos escreveu duas obras em um barco que o levava rumo à Nigéria, onde seu pai médico de origem britânica, havia sido destinado durante a 2.ª Guerra Mundial.
"Todos os prêmios literários são uma sorte, dão tempo e supõem uma motivação", disse o escritor confessando sempre ter se sentido mal com os flashes das máquinas fotográficas. Comentou que escreve para testemunhar e não ocultou uma certa frustração, lembrando Dagerman "é o paradoxo do escritor que gostaria de escrever para quem morre de fome, mas na realidade escrev e para quem tem o suficiente para comer".
Uma situação "da qual o escritor não pode se recuperar", lamentou este existencialista cuja obra foi comparada com a de Georges Perec e Michel Butor, mas que se nega a se enxaixar em alguma corrente literária.
Le Cléxio reivindicou um cosmopolitismo combinado com a ligação forte com suas origens. "Não me sinto vinculado a nenhuma região, talvez à Bretanha, a terra de meus antepassados. Mas quando chego à Ilha Maurício digo a mim mesmo, 'estou em casa'".
Brindou a imprensa com respostas em francês, inglês e espanhol e falou de suas viagens pelo mundo, seu amor pela cultura hispano-americana cultivado em 12 anos de residência no México e em suas longas estadias atualmente no Novo México, onde constata o avanço da cultura latina.
Recordou seus estudos das culturas ameríndias, pelas quais mantém uma grande paixão, sem menosprezar as de outras partes do continente, como o Brasil de Euclides de Cunha "uma grande revelação, uma obra exemplar que relata a cultura da revolta".
E não se esqueceu da África, onde passou longas temporadas em sua infância e a quem dedicará no futuro uma obra centrada no poeta senegalês Leopoldo Sedar Senghor.
Le Clézio não quer parar de escrever. "Tenho a superstição de que enquanto tens um manuscrito entre as mãos serás mantido com vida, pelo menos até que o termines".
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