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quinta-feira, 20 de novembro de 2008, 16:53 | Online
Tom Zé reúne nata feminina da música brasileira em novo CD
'Minha aspiração máxima é que os ouvintes possam cantar as canções lavando prato', diz cantor sobre trabalho
Livia Deodato, de O Estado de S. Paulo

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João Gilberto e todo o movimento que ajudou a impulsionar a partir do ano de 1958 sempre "estremeceram" seu conterrâneo nascido em Irará - ao mesmo tempo que o inspirava a seguir no sentido inverso do que começava a ser delineado como bossa nova. "Mas agora eu quis cometer essa traição de abandonar o oposto e me tornar o anjo. Sempre trabalhei no limite entre o som e o ruído. Agora, com a bossa nova, eu tenho de dizer: perdoem-me amigos! Eu venho traí-los neste CD melódico inspirado no contemplativo", suplica o eterno tropicalista.
Para dar voz às letras e encorpar os arranjos que Tom Zé vem trabalhando desde 2003 ("porque não sou gênio, sou japonês e faço as coisas com lentidão"), o músico contou com a ajuda de João Marcelo Bôscoli e Patricia Palumbo, apresentadora da Rádio Eldorado, para juntos selecionarem a nata feminina da música brasileira atual. Mariana Aydar, Mônica Salmaso, Tita Lima, Andréia Dias, Márcia Castro, Jussara Silveira, Fabiana Cozza, Fernanda Takai, Zélia Duncan, Marina de la Riva, Anelis Assumpção e Badi Assad formam o harém de Tom Zé, na origem da palavra, como explica a seguir: "Quando Moisés agonizava na cama, já com a idade avançada, os hebreus convidaram moças para o visitar e assim, com a proximidade, darem mais vida a ele. Foi o que aconteceu comigo agora."
A idéia de produzir um CD inspirado na bossa nova - ou "plagiado", como ele mesmo afirma, sem nenhum pudor - acompanha o momento mais feminino que Tom Zé acredita estar vivendo. Aos 72 anos, ele chegou até a se preocupar com essa mudança radical em seus "quereres e quimeras". Derramou-se em composições sincopadas que, em sua maioria, alude às clássicas do gênero (Filho do Pato, Barquinho-Herói e Roquenrol Bim-Bom são ótimos exemplos), pediu aprovação de d. Neusa, sua esposa e empresária, e finalmente decidiu chamar esse processo de Estudando a Bossa - Nordeste Plaza, com o qual garante botar fim aos seus estudos, iniciados com o samba (1976) e o pagode (2005).
O subtítulo Nordeste Plaza remete ao shopping da Água Branca que freqüenta, o West Plaza. "Assim como o Rio foi invadido pela voz e pelo trem vindo de Juazeiro, o trem de São Miguel Paulista aportou no West Plaza, apelidado de Nordeste Plaza", explica Tom Zé sobre mais um ingrediente do seu caldeirão. O novo álbum não tem a pretensão de prestar homenagem ao gênero. "Não tenho cacife pra isso. A minha aspiração máxima é que os ouvintes possam cantar as canções lavando prato. Ou arrumando a casa."
Tom Zé. Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, Pq. do Ibirapuera, 3629-1075. Hoje e amanhã, 21 h; dom., 19 h. R$ 30
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