Música
quinta-feira, 9 de agosto de 2007, 11:26 | Online
De tanto ir a Montreux agora festival é que vem ao Brasil
Está nos planos a realização em Salvador, em 2009, da mítica mostra suíça de jazz
Jamil Chade, do Estadão

"Funky Claude", apesar de seu estilo calmo.
Aos 31 anos Nobs se tornou o diretor do Escritório de Turismo de Montreux, cidade aos pés dos Alpes. Apesar da beleza natural, Montreux pouco conseguia atrair turistas. Mas a idéia de Nobs de levar à cidade os maiores músicos do planeta revolucionou a região a partir de 1967.
Para a revista Time, Nobs "mudou o som da Europa" no fim do século 20. Hoje, o festival já deixou de ser apenas de jazz e consegue atrair 200 mil pessoas por ano, apesar das críticas daqueles que insistem que o evento abandonou suas origens. Mas Nobs também passou a ser conhecido por emprestar seu palco a artistas pouco conhecidos na Europa, como era o caso dos brasileiros nos anos 70. O suíço abriu espaço para a música brasileira e o próprio Gil admitiu, em 1978, que esteve prestes a abandonar sua carreira e foi sua participação em Montreux naquele ano que o convenceu a continuar cantando.
A primeira presença brasileira data de 1974: Milton Nascimento. Desde então, os principais nomes do País passaram pelos palcos de Montreux, entre eles Hermeto Pascoal, João Gilberto, Jorge Ben Jor e Maria Bethânia e, mais recentemente, até grupos como Falamansa, Skank e Raça Negra. No início da década, os brasileiros atraíam tanto público que nada menos que quatro noites eram dedicadas à música brasileira.
Mas Nobs quer mais uma vez inovar para evitar passar os próximos anos repetindo os mesmos convidados dos anos 70, 80 e 90. "Vou ao Brasil ouvir o que há de novo. Quero ir ao interior, às pequenas cidades, ouvir de perto e com cuidado. Assim, descobriremos o que podemos trazer de novo do Brasil para Montreux", afirmou. Um de seus projetos é também o de visitar o País durante o carnaval de 2008, para escutar as novas tendências.
O palco de Montreux também começa a se tornar um espaço de publicidade para o turismo no Brasil. Neste ano, o show do Olodum, realizado em julho, contou com telões que exibiam publicidades do governo do Estado da Bahia, algo raro em um festival de música na Europa. Enquanto Alceu Valença se apresentava, foi a vez de o governo de Pernambuco aproveitar para se promover diante do público europeu.
Nobs mostrou que está disposto a aceitar a parceria dos diversos governos. Subiu no palco e circulava por Montreux com uma camiseta que dizia "Enjoy Pernambuco" (curta Pernambuco). Ao final do show, as roupas foram distribuídas ao público suíço.
Diante das relações intensas com o Brasil, o Festival de Montreux espera concretizar um outro plano antigo: o de levar o evento ao País. A idéia é de organizar em Salvador uma mostra no mesmo estilo e usando o mesmo logotipo. "Eu quero estar lá", afirma a cantora Beth Carvalho, que já passou por Montreux em quatro ocasiões. "O festival foi o primeiro palco europeu de muitos artistas brasileiros e ter um evento desse nível no Brasil será muito positivo para todos", garante a sambista.
Montreux já realiza festivais anualmente em Atlanta (EUA) e Cingapura. Um evento chegou a ocorrer em São Paulo no início dos anos 90, mas foi abandonado por questões financeiras. "Desta vez, o projeto será concretizado", garante Mazzola, produtor brasileiro responsável pelas noites dedicadas à música do País em Montreux. A esperança é que o evento tenha o apoio do ministro da Cultura, Gilberto Gil. "Estamos em fase de negociação", completa Mazzola.
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