Música

quinta-feira, 13 de setembro de 2007, 18:05 | Online

Fabiana Cozza põe o pé no terreiro em 'Quando o Céu Clarear'

Seleção de músicas que 'tocam a alma' poderão ser vistas no fim de semana no Sesc Pinheiros

Livia Deodato, do Estadão

Fabiana Cozza

Divulgação

Fabiana Cozza

SÃO PAULO - Fabiana Cozza pediu licença aos orixás e colocou o pé no terreiro. Desde quando finalizou o seu primeiro álbum, O Samba É Meu Dom, em 2004, esteve atenta ao chamado dos tambores e foi reunindo, aos poucos, todas as canções desse universo que tocavam a alma, para assim apresentar numa próxima compilação. Pois é chegada a hora de mostrar o resultado desse trabalho, sábado, 15, e domingo, no Sesc Pinheiros, em São Paulo,que tem o singelo título Quando o Céu Clarear, homônimo à canção inédita com que o baiano Roque Ferreira a presenteou.

 

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"Procurávamos por um nome para esse segundo disco, pois acho mais fácil chegar até as pessoas com um conceito. Foi meu amigo Marcelino Freire quem deu a dica e eu adorei, pois Quando o Céu Clarear tudo vai melhorar, as pessoas vão sambar, não vai haver violência, o Brasil vai se reerguer", sentencia. Aliás, de Roque Ferreira, que já compôs para Maria Bethânia, Martinho da Vila e Beth Carvalho, entre tantos outros, Fabiana também escolheu as inéditas Ponto de Nanã e Incensa, que abre o novo álbum. Só pelos nomes das canções você já pode ter uma idéia das boas energias que a cantora pretende retransmitir ao público.

 

"Eu abro o disco ‘incensando’ as pessoas e vou fechá-lo falando de um Brasil lindo, que é religioso, sagrado, de festa, de samba, de comidas maravilhosas, pensado por Aldir Blanc, João Bosco e Paulo Emílio." Ela se refere à clássica Nação, o hino nacional transvestido de samba, que presta homenagem às nossas referências, mais verde-e-amarelas impossíveis, de Dorival Caymmi e Silas de Oliveira a Oxum e o Uirapuru.

 

Dona Ivone Lara também está presente no repertório pensado pela intérprete de voz potente e que tem arranjos e direção musical de Marcos Paiva. São elas: Doces Recordações (em parceria com Délcio Carvalho) e Tendência (com Jorge Aragão), que só poderiam dar ainda mais sabor ao novo álbum. "Tendência faz parte da memória da minha infância. Eu ouvia e chorava." Fabiana tem o aval de uma das maiores compositoras do Império Serrano. Prova disso é que a sambista de 86 anos vai marcar presença nos dois shows para oferecer sua bênção à intérprete. Perdoe o trocadilho, mas como bem diz outra canção presente no novo álbum, de autoria de Gerônimo e Vevé Calazans, Fabiana só tem de Agradecer e Abraçar...

 

Canto de Ossanha ganhou nova roupagem com a participação do cubano Julio Padrón no trompete e na inserção de vozes na introdução da canção. Se a interpretação visceral de Fabiana já surpreendia, imagine agora com o toque latino sobreposto à tocante canção de Baden Powell e Vinicius de Moraes Outro cubano, o pianista Yaniel Matos, também chega para somar em Xangô te Xinga, do paraense Leandro Medina (presente no primeiro álbum de Fabiana com Valeu, Clementina). É união de todos os orixás.

 

Serviço:

Fabiana Cozza. Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, (11) 3095-9400. Sábado, 21 horas; domingo, 18 horas. R$ 7,50 a R$ 15


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