O livro (e a escola) do futuro

Estadão

14 Junho 2013 | 07h00

(Por Aryane Cararo)

Imagine que você vai chegar à escola e o seu professor não vai ensinar nada na lousa. Ele estará lá, mas só para o caso de dúvidas. Você terá de estudar em seu tablet o conteúdo da matéria e, junto com outros alunos, tentar achar a solução para os problemas apresentados. Na verdade, poderá produzir junto com o professor o conteúdo das aulas. Nem ele, nem você receberão mais o material pronto apenas. Vocês vão criar. Parece tudo muito estranho?

Pois é o que especialistas reunidos ontem (dia 13) no 4o Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em São Paulo, acham que vai acontecer. E tem mais. Sabe aquelas anotações que você faz nos livros ou as respostas dos exercícios? Elas poderão ser compartilhadas na rede com outros alunos (aliás, isso até já acontece). E tem gente que acredita que o livro de papel vai quase desaparecer e virar artigo de luxo. Parece impossível? Pois alguns deles dizem que isso acontecerá muito antes do que possamos imaginar. Quer saber mais o que o futuro nos espera? Veja o que alguns palestrantes do congresso disseram:

Livro ou game?


Para a professora Marisa Lajolo, doutora pela Universidade de São Paulo com pós-doutorado na Brown University, o livro digital é as duas coisas. E é bom que seja assim! Durante sua apresentação, ela deu exemplos de como o conhecimento e a brincadeira podem morar juntos no mesmo livro.

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Quem Soltou o Pum?, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, segundo ela, é o primeiro exemplo efetivo de livro digital que faz uso de diferentes linguagens. Tem som, pode ser ouvido pela voz do narrador e, dependendo do comando que o leitor der, o cachorro pode pular, sujar e bagunçar a casa, se esconder embaixo da cama… “Tem interação literal do leitor com o livro, que é a grande diferença de um e outro livro (o de papel e o no tablet). No impresso, tudo acontece na cabeça do leitor. O digital materializa isso.”

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Marisa também citou A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, que “foi o primeiro livro moderno de literatura infantil brasileira e também o primeiro e-book a trabalhar todas as possibilidades da linguagem digital”, comentou ela.

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Por fim, falou muito bem de In My Dream, que ganhou o prêmio de melhor aplicativo na Feira do Livro Infantil de Bolonha de 2012.