Confirmado: Itaquera abre a Copa

Ontem, em Zurique, cartolas da CBF e da Fifa começaram a desenhar o cenário definitivo da Copa, consolidaram a posição de São Paulo como abertura e também local de um número maior de jogos, do Congresso da Fifa, sorteios e mesmo o centro de treinamento dos árbitros

Redação Esportes

17 Outubro 2011 | 23h10

JAMIL CHADE
ENVIADO ESPECIAL
 
Zurique – São Paulo volta a dividir com o Rio de Janeiro o protagonismo na Copa de 2014. Depois de anos de uma disputa política e da pressão da CBF e da Fifa para a construção de um novo estádio, a capital paulista volta a atrair as atenções do Mundial.

Ontem, em Zurique, cartolas de ambas as entidades começaram a desenhar o cenário definitivo da Copa, consolidaram a posição de São Paulo como abertura e também local de um número maior de jogos, do Congresso da Fifa, sorteios e mesmo o centro de treinamento dos árbitros.

Já os engenheiros da Fifa alertam que o Maracanã não ficará pronto dentro do prazo de 2013 dado pelo governo e que um “sinal amarelo” foi dado ao governo carioca.

O anúncio oficial do programa da Copa será feito apenas na quinta-feira e as reuniões, que se iniciaram ontem em Zurique, mostraram ainda problemas técnicos para definir onde cada etapa do Mundial seria disputada.

Mas o JT apurou que a Fifa já planeja uma primeira visita de inspeção ao Itaquerão em novembro, para marcar posição da entidade de apoio ao projeto e também dar um sinal político.

De um lado, a Fifa conseguiu o que queria, que era a construção de um novo estádio, e de outro envolveu definitivamente o maior mercado consumidor brasileiro no evento.

“Essa era a posição que a Fifa sempre quis de São Paulo desde o início. Mas que foi pega de surpresa. Agora, a cidade volta a ocupar o lugar que merece”, afirma uma fonte próxima às negociações da Fifa.

A entidade nunca escondeu que seria impensável uma Copa sem a presença de São Paulo. Mas fazia exigências que cartolas na cidade e mesmo governantes estimavam que eram descabidas.
Em 2007, o então governador do estado, José Serra, fechou um entendimento com a CBF e o Rio de que São Paulo ficaria com a abertura, a ser realizada no Morumbi. Mas disputas políticas entre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e os cartolas do São Paulo fizeram o projeto naufragar. Essa não é a versão oficial da Fifa, que insiste que o problema foi “técnico” com o Morumbi, que não teve seus projetos aprovados pela entidade.
Com a intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um acordo foi fechado para a construção de um estádio para o Corinthians. Ontem, na reunião, dirigentes teriam mostrado satisfação com o Itaquerão. “A Fifa gostou do que viu”, disse um participante da reunião.
Além da abertura, São Paulo deve sediar pelo menos mais cinco partidas da Copa. Nos dias que antecedem ao Mundial, mais de 200 cartolas de todo o mundo desembarcarão na cidade para o Congresso da Fifa, evento de grandes proporções realizado a cada quatro anos. O estádio não ficará pronto para a Copa das Confederações. Mas a Fifa pode dar para a cidade o sorteio do torneio.
Maracanã em baixa
Se o Itaquerão vai bem, a situação do Maracanã é preocupante. O governo de Sérgio Cabral garantiu que o estádio estaria pronto em março de 2013, suficiente para fazer parte da Copa das Confederações. Ontem, técnicos da Fifa deixaram claro que o prazo é impraticável. “Isso é unanimidade”, contou um alto funcionário.
Segundo a entidade e a CBF, o estádio só não será retirado dos eventos porque é o Maracanã e a paciência das entidades com o local mítico é maior do que com os demais estádios da Copa do Mundo no Brasil.