Barco brasileiro afunda na Antártida

Embarcação rebocada pela Marinha afundou em dezembro no litoral da Antártida com uma carga de 10 mil litros de óleo combustível. O naufrágio vem sendo mantido em sigilo tanto pela Marinha quanto pelos ministérios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar)

Redação

24 Fevereiro 2012 | 23h02

Uma chata (embarcação de fundo chato usada para transporte de carga) rebocada pela Marinha afundou em dezembro no litoral da Antártida com uma carga de 10 mil litros de óleo combustível.

Poluente, o produto não vazou, mas está a 40 metros de profundidade e a 900 metros da Estação Antártica Comandante Ferraz, base  brasileira no continente. Um compartimento dentro da embarcação armazena o diesel.

O naufrágio vem sendo mantido em sigilo tanto pela Marinha quanto pelos ministérios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Minas e Energia e Defesa. Não houve vítimas.

O Brasil é signatário de tratados de preservação ambiental na Antártida e, portanto, se comprometeu a não poluir o continente.

Na próxima semana chega à Baía do Almirantado, onde a chata foi a pique, os navios de socorro Felinto Perry, da frota da Marinha, especializado em resgate de submarinos, e  Gulmar Atlantis, contratado pela Petrobrás.

O planejamento prevê o içamento da chata por boias e guindaste, para que o gasoil artic (combustível anticongelante produzido pela Petrobrás possa ser retirado antes que comece a vazar. É uma operação de risco, por causa do clima inóspito da região.

A chata afundou por causa do mau tempo. Estava sendo rebocada para a terra por quatro embarcações pequenas quando, possivelmente por causa do vento forte e do mar agitado, naufragou. Não havia marinheiros a bordo, pois a chata não tem tripulação.

Flutuante sem motor ou qualquer outro tipo de propulsão própria, a embarcação (cargueira) só navega a reboque. A que naufragou na Antártica tinha fundo reforçado e paredes duplas, para dificultar os vazamentos de óleo.

A chata servia à Estação Antártica. Cabia à embarcação transportar para a terra os combustíveis líquidos trazidos pela Marinha para o abastecimento da base brasileira. O gasoil artic permanece armazenado em 17 tanques.

Por ano, a estação científica consome 320 mil litros de óleo, empregados em geração de energia e aquecimento interno e da água, indispensáveis em ambientes cuja temperatura pode cair a menos de 30°C.

Na estação vivem 15 militares da Marinha, 15 funcionários civis do Arsenal de Marinha, para manutenção, reparos e emergências, e, em sistema de rodízio, 30 pesquisadores (biólogos, biofísicos, geólogos, oceanógrafos e químicos) de universidades e instituições científicas brasileiras.

O resgate da chata não tem data marcada. Dependerá das condições climáticas. Há uma semana, nevascas cobriram com uma camada de pelo menos 1 metro de altura do solo da enseada da lha Rei George, sede da base nacional.

Os ventos, superiores a 100 quilômetros por hora, impediram os cientistas brasileiros de realizar trabalhos de campos. Eles tiveram de ficar confinados.
Depois disso, o tempo melhorou, com o surgimento do sol. Antes negativas, as temperaturas chegaram a 5°C. Como o verão está no final, são esperadas para breve quedas bruscas nas temperaturas e tempestades de neve. Daí a necessidade de o resgate ser feito o mais rapidamente possível, para que ocorra em condições de segurança.

Sergio Torres, do Rio

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