Cheque é usado apenas para pagar salários

Como forma de pagamento, o velho talão deixou de ser citado por consumidores de todas as classes sociais, aponta BC

danielsilva

23 Novembro 2011 | 19h33

Fernando Nakagawa

O cheque parece ter sido completamente esquecido no fundo da gaveta pelos brasileiros. Em pesquisa realizada pelo Banco Central (BC) sobre as formas de pagamento mais frequentes, o velho talão deixou de ser citado pelos consumidores de todas as classes sociais como instrumento para pagar contas no dia a dia.

Segundo a pesquisa, o cheque continua sendo usado – ainda que cada dia menos – apenas por uma pequena parcela dos brasileiros para receber salários.

Segundo pesquisa publicada no Relatório de Inclusão Financeira, divulgado na manhã de hoje pelo BC, o talão de cheques foi a resposta de 0% dos brasileiros das classes A e B à pergunta sobre quais formas de pagamento são as mais usadas.


O porcentual também foi repetido entre os entrevistados das classes C, D e E. Em 2007, o talão ainda era usado por 3% dos clientes da classe C e 1% dos consumidores das classes D e E.

Apesar do uso em queda, o cheque continua na carteira – ou na gaveta – dos clientes. Segundo a pesquisa, 26% dos brasileiros das classes A e B possuem o meio de pagamento. Já a presença dos talões é de 12% na classe C e de 4% entre os clientes das chamadas classes D e E.

O cheque aparece apenas como maneira de pagar salários: esse é o instrumento financeiro recebido por 3% dos brasileiros das classes A e B, 1% da classe C e 2% das classes D e E.

O dinheiro continua a ser a principal forma de pagamento usada no Brasil: essa foi a opção de 57% dos entrevistados das classes A e B. Essa também foi a resposta de 75% dos consumidores da classe C e de 86% das classes D e E.

Cartão de crédito é preferido de classes C,D,E; A e B preferem débito
Ao usar o dinheiro de plástico, brasileiros de menor renda preferem a função “crédito” ao uso no “débito”. A pesquisa do BC mostra ainda que o cartão de crédito é mais popular entre as classes C, D e E do que seu uso no débito em conta. Nas classes A e B, a utilização é exatamente a contrária.

De acordo com o levantamento, o cartão de crédito já é o instrumento preferido de pagamento de 13% dos brasileiros da classe C e de 8% dos consumidores das classes D e E. Esses porcentuais são maiores que o uso do cartão de débito, que foi opção de 12% na classe C e 6% entre os clientes das classes D e E.

Já entre os consumidores mais ricos, o cartão de débito lidera o uso do dinheiro de plástico e é preferido por 25% dos clientes das classes A e B. Já a função crédito é usada por parcela menor, de 17% desses consumidores.