Aluguel de tablets é boa aposta

Jovens de 24 anos criam um negócio lucrativo em São Paulo que aproveita popularização dos aparelhos. Com menos de um ano de vida, a empresa criada pelos paulistas deve alcançar um faturamento de R$ 1 milhão

Redação

29 Fevereiro 2012 | 14h19

Ligia Aguilhar

“Agora eu posso negociar com os seus pais?” Essa foi a pergunta que os jovens Rony Breuel e Guto Ramos, ambos com 24 anos, mais escutaram de potenciais clientes no fim das primeiras apresentações da empresa idealizada por eles, a BR Mobile. A pouca idade da dupla só não causava mais estranheza porque o serviço oferecido pelo empreendimento também é diferente: a locação de tablets.


Os sócios acostumaram-se com a desconfiança e aprenderam a falar com propriedade sobre o mercado em que atuam. Eles têm na ponta da língua as vantagens do serviço que oferecem e, por isso, conquistaram em pouco tempo uma carteira de 30 clientes fixos — entre os quais estão grandes marcas como Nestlé, Pfizer e Tramontina. Resultado: o negócio deve faturar R$ 1 milhão ao completar em maio um ano de vida.

Ramos e Breuel investiram apenas R$ 12 mil na compra de seis iPads; hoje eles contam com 250 aparelhos à disposição (Foto: JOSE PATRICIO/AE)

A ideia de abrir um empreendimento desse tipo, especializado na locação de tablets, partiu de Rony Breuel. Ele trabalhava com marketing esportivo nos Estados Unidos quando descobriu que uma companhia aérea começaria a oferecer iPads para entreter seus passageiros.

Uma rápida pesquisa na internet revelou ao futuro empreendedor que iniciativas semelhantes também existiam em outros países. Na Espanha, por exemplo, já é possível alugar esse tipo de aparelho — carregado com uma série de informações turísticas — por 50 euros.

“Pensei em criar algo semelhante no Brasil, com foco em turismo”, diz Breuel. Mas durante a elaboração do plano de negócios, ele e o sócio optaram pelo aluguel dos aparelhos para empresas. A BR Mobile abriu as portas em maio de 2011, com investimento de apenas R$ 12 mil para a compra de seis iPads. “Conseguimos um contrato com um grande cliente que precisava dos aparelhos dois dias depois”, relembra Breuel.

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Mas esse acordo precoce não fez a empresa decolar. Para ganhar visibilidade, os empreendedores patrocinaram links em um site de buscas. “Aí começaram a chover ligações”, conta Breuel. A proposta começava a sair do papel e o dinheiro, a entrar no caixa. Neste momento, a receita foi usada para a compra de novos equipamentos — o patrimônio da BR Mobile conta atualmente com 250 tablets, alugados por R$ 18,90 ao dia.

O serviço é contratado por empresas que utilizam o aparelho para fins distintos como, por exemplo, servir de catálogo durante um evento. Estudantes que desejam incrementar suas apresentações também integram a carteira de clientes da BR Mobile.

“Fizemos as pessoas perceberem as vantagens da locação. Elas não se preocupam com furto, manutenção e têm à disposição o modelo mais recente”, explica Guto Ramos.

Além da locação, a empresa oferece aos clientes aplicativos customizados. O produto já responde por 40% do faturamento do empreendimento. É justamente por meio do desenvolvimento de novos projetos que os empresários pretendem dobrar o faturamento do negócio no ano que vem. “Enxergamos um potencial muito grande no mercado porque acreditamos que os tablets vão substituir os notebooks”, diz Ramos.

Estudo da consultoria comScore mostra que os tablets já representam 40% do tráfego de internet no Brasil originário de aparelhos conectados que não sejam computadores tradicionais. Trata-se do maior porcentual entre os dez países monitorados na América Latina. No ano passado, foram vendidos 500 mil tablets no Brasil, número que deve dobrar em 2012 diante dos incentivos fiscais prometidos pelo governo federal.