Twitter vende dados de seus usuários

Empresas vão poder oferecer a terceiros histórico de informações publicadas no microblog. Especialistas em direitos de privacidade se mostram preocupados com as implicações de informações de usuários serem divulgadas

Redação

03 Março 2012 | 10h09

Os usuários do Twitter estão prestes a fazer uma grande contribuição para as pesquisas de marketing em todo o mundo. Isso porque o serviço de microblogs vendeu o acesso ao seu banco de dados para duas empresas de pesquisa que vão revender as informações dos usuários (de perfil, de localização, tweets, tudo que tiver sido postado como público na rede) para clientes dispostos a pagar pela exploração desses dados.

As empresas Boulder Gnip, sediada no Colorado, e a DataSift, com base no Reino Unido e em San Francisco, foram licenciadas pelo Twitter para analisar tweets arquivados e informações básicas sobre os usuários, como dados de localização. A DataSift anunciou esta semana que irá oferecer para empresas dados do Twitter em pacotes que irão abranger os dois últimos anos de atividade na rede, enquanto a Boulder só poderá divulgar dados de até 30 dias atrás.

Mais de 700 empresas estão em uma lista de espera para experimentar o que a companhia tem a oferecer, disse o presidente da DataSift, Rob Bailey. Aqueles que comprarem as informações poderão ver tweets sobre tópicos específicos e até isolar mensagens baseando-se na localização.

Por exemplo, a Coca-Cola poderia olhar o que as pessoas em uma determinada cidade estão dizendo sobre a Coca Zero, ou a rede de cafeterias Starbucks poderia descobrir o que as pessoas estão dizendo sobre suas bebidas de caramelo. As empresas também podem ver como elas responderam a reclamações de consumidores.

A Boulder, que oferece um pacote de dados de curto prazo, afirmou que as informações — que envolvem consultas em tempo real — também podem ser usadas durante desastres naturais para ajudar equipes de resgate, ou para monitorar doenças como um surto de gripe, ou analisar o comportamento do mercado de ações.

Preocupações
“Coletar o que alguém publicou há um ano ou mais é algo que muda o jogo”, diz Paul Stephens, diretor de política e advocacia da Privacy Rights Clearinghouse, em San Diego. Em relação aos detalhes sobre o tipo de informação que serão explorados, ele e outros especialistas em direitos de privacidade se mostram preocupados com as implicações de informações de usuários sendo divulgadas para empresas que vão passar um pente fino nelas.

“Conforme vemos o Twitter crescer e as mídias sociais se desenvolverem, isso começa a se tornar uma questão cada vez maior”, disse Graham Cluley, consultor sênior de empresa britânica de segurança Sophos. “Empresas online sabem em quais sites nós clicamos, qual propagandas vemos, o que compramos. Cada vez mais, eles estão aprendendo o que nós estamos pensando. E esse é um pensamento bem assombroso.”

O Twitter optou por não comentar a venda e repassou as questões para a DataSift. Tweets privados ou apagados não poderão ser acessados, disse Bailey. As empresas querem agregar dados, não tentar descobrir quem disse o que para quem. “A única informação que oferecemos é a pública”, disse. “Não queremos vender dados para anúncios direcionados.”