Dieese: salário mínimo deveria ser R$ 2.329,35

Com base no maior valor da cesta básica e considerando o preceito constitucional que estabelece que o mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares, calcula-se que o mínimo deveria ter sido 3,74 vezes maior do que o atual

Redação

07 Maio 2012 | 17h37

O salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.329,35 em abril, a fim de suprir as necessidades básicas da população e de sua família, como constata a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada hoje pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com base no maior valor apurado para a cesta básica no período, de R$ 277,27, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ter sido 3,74 vezes maior do que o piso vigente no Brasil, de R$ 622,00.

O valor estimado pelo Dieese em abril é maior do que o apurado para março, quando o mínimo necessário fora calculado em R$ 2.295,58 ou 3,69 vezes o mínimo atual.

Há um ano, o salário mínimo necessário para suprir as necessidades dos brasileiros era de R$ 2.255,84, o equivalente a 4,14 vezes o mínimo em vigor naquele período, de R$ 545,00.

Bens essenciais
A instituição também informou que o tempo médio de trabalho necessário para que o brasileiro que ganha salário mínimo pudesse adquirir, em abril deste ano, o conjunto de bens essenciais aumentou, na comparação com o mês anterior, mas caiu significativamente em relação a igual período de 2011.

Na média das 17 cidades pesquisas pelo Dieese, o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 85 horas e 53 minutos, uma hora a mais do que o tempo exigido em março, que era de 84 horas e 53 minutos para realizar a mesma compra.

Já em abril de 2011, a mesma compra necessitava de 94 horas e 41 minutos.

Denise Abarca — Agência Estado