Shoppings: fechamento ameaça 60 mil funcionários

Sindicato de comerciários protestou contra a possibilidade de centros comerciais fecharem. Ontem, a FecomercioSP enviou ofício ao prefeito Gilberto Kassab solicitando audiência pública para tratar dos impactos que seriam provocados pelas interdições

danielsilva

20 Julho 2012 | 23h30

BERNARDO CARAM
Especial para o Jornal da Tarde

Entidades de comércio de São Paulo se mobilizaram contra a possibilidade de fechamento de shopping centers na capital. De acordo com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), a cidade tem 20 estabelecimentos com irregularidades, e cuja interdição ameaça o emprego de 60 mil pessoas.

Ontem, a Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) enviou ofício ao prefeito Gilberto Kassab solicitando audiência pública para tratar dos impactos que seriam provocados pelas interdições.

Os fechamentos causariam também um forte impacto financeiro. De acordo com o diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, é possível tomar por base o caso do Shopping JK Iguatemi, que tinha previsão de inauguração para o dia 19 de abril, mas só foi autorizado a iniciar o funcionamento no dia 22 de junho. Com um prejuízo calculado de R$ 2 milhões por dia fechado, as perdas totais chegaram a R$ 128 milhões.

O professor do Núcleo de Estudos do Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP) Roberto Nascimento Azevedo de Oliveira não acredita no fechamento dos shopping centers. “Estamos em um momento de crise, de queda de vendas, então, no cenário atual, em que todo o comércio está calculando suas vendas passadas e futuras para 2012, e elas não vão tão bem, é impossível ocorrer o fechamento. Ainda mais se isso representa a perda de 60 mil vagas”, diz.

O presidente do SECSP, Ricardo Patah, afirma que o sindicato está cobrando medidas para proteger os funcionários. “Comércio e serviço geram muito emprego e riqueza. Se tem problema de estacionamento ou alvará, que seja resolvido”, diz.
A FecomercioSP informou que é a favor da fiscalização dos centros comerciais e que haja punição, se necessário. A entidade ressaltou, entretanto, que a interdição dos estabelecimentos causará prejuízos a empregadores, a funcionários e à sociedade, inclusive à administração pública.
No Brasil, os shopping centers representam 18% de todas as vendas do varejo, de acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Dados da FecomercioSP indicam que os 54 shoppings da cidade de São Paulo empregam aproximadamente 150 mil pessoas.
“Os shoppings têm uma grande participação no comércio varejista da cidade de São Paulo. Os segmentos do varejo todos estão em queda. Apenas o comércio de rua está indo bem, porque vende produtos baratos. O governo tem de começar a dar suporte, e não querer prejudicar ainda mais o comércio varejista ”, afirma Oliveira.
Menos radical
O economista da Associação Comercial de São Paulo Marcel Solimeo defende a busca de uma alternativa menos extremada, que não afete lojistas, trabalhadores e consumidores de maneira radical. “É preciso cumprir a lei e punir quem não cumpre, mas devemos preservar as outras partes envolvidas que não cometeram nenhuma infração.” Para o economista, a solução mais justa seria multar os estabelecimentos irregulares e oferecer um prazo mais dilatado para que se adequem à lei.
Ontem, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, em parceria com o Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP), fez uma manifestação em frente ao Shopping Pátio Higienópolis. De acordo com Ricardo Patah, do Sindicato dos Comerciários, cerca de mil pessoas participaram do protesto.
O centro comercial seria fechado no dia 27 por não cumprir o número mínimo de vagas de estacionamento exigidas pela Prefeitura. Mas, na quarta-feira, a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar impedindo a interdição do shopping.
A reportagem do JT entrou em contato com a assessoria de imprensa do Shopping Pátio Higienópolis, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.
De acordo com Patah, haverá nova manifestação na sexta-feira, em local a ser definido.::
Colaborou José Gabriel Navarro