Preço de imóveis usados recua

Desde abril, valor do metro quadrado já caiu até 3,2% em algumas regiões da capital. Os consumidores, contam diretores de imobiliárias, estão menos dispostos a aceitar os preços ofertados

danielsilva

22 Agosto 2012 | 10h30

O mercado de imóveis usados da cidade de São Paulo já revê alguns preços para baixo. Além dos saldões pontuais, observados desde o ano passado, o movimento agora aparece na queda dos índices de preço. É o caso da região Água Branca-Sumaré, na zona oeste da capital, onde o valor do metro quadrado recuou 3,2% de abril a julho, para R$ 6.578, de acordo com o FipeZap.

Os consumidores, contam diretores de imobiliárias, estão menos dispostos a aceitar os preços ofertados. Com demanda menor, os corretores estão tendo de convencer os vendedores que, às vezes, os valores pedidos podem estar um tanto fora da realidade.

“Os preços estão muito altos em relação ao poder aquisitivo das pessoas”, afirma Sueli Pacheco, diretora da imobiliária Pacheco, com atuação focada na zona oeste. Há cerca de dois meses, a empresa passou a oferecer uma TV de 32 polegadas para quem adquirir um imóvel acima de R$ 600 mil. “Não é o que vai decidir a compra, mas é um atrativo de marketing”, afirma a diretora.

Segundo Sueli, as vendas na região estão lentas. Sem detalhar nominalmente, ela afirma que já negociou descontos para conseguir fechar um negócio. Já houve casos de apartamentos cujos preços passaram de R$ 750 mil para 700 mil (-6,6%), diz Sueli. Ou de casas, antes ofertadas a R$ 2 milhões, que foram negociadas a R$ 1,7 milhão (-15%). Ela projeta, contudo, uma melhora no ânimo do consumidor assim que o ritmo de crescimento da economia se acelerar.


Na unidade Perdizes da imobiliária Lello, o clima é mais otimista. A gerente de vendas da imobiliária, Juliana Carmo, acredita na retomada do mercado em breve, após uma “paradeira” desde o fim do ano passado.
Nos últimos tempos, a equipe da empresa se mobilizou para ampliar o leque de ofertas.

Segundo ela, dobrou o ritmo de captações (imóveis que entram para o portfólio da empresa), de 70 para 150 novos empreendimentos por mês. Com mais ofertas, ela explica, aumentam as chances de fisgar o consumidor.
Pela cidade, há outros bairros com comportamento mais estável ou de baixa de preços. Na região Congonhas-Jardim Aeroporto, por exemplo, o preço tem oscilado desde abril e atualmente está 0,4% mais barato – de R$ 6.265 o metro quadrado em abril para R$ 6.238 no mês passado. No Sacomã, a desvalorização é de 0,95% no mesmo período. Em julho, o metro quadrado ficou em R$ 4.625.

Índice
O índice FipeZap pesquisa o preço de imóveis novos e usados, com exceção de lançamentos, em seis capitais do País e no Distrito Federal. Na próxima divulgação da pesquisa, referente a agosto, o índice pode apresentar nova desaceleração na comparação em 12 meses. Em julho, a alta nessa análise foi de 17,1%, a 11ª vez seguida em que perdeu força.

“Parte da demanda já foi absorvida. Acabou? Claro que não”, afirma o vice-diretor comercial da Abyara Brokers, Bruno Vivanco. “O que vem acontecendo, contudo, é que algumas empresas têm feito promoções”, completa.

“Até o meio do ano passado, toda a cidade vivia esse boom (de preços). Agora me parece que temos uma situação mais equilibrada”, afirma o coordenador do FipeZap, Eduardo Zylberstajn.
Nesse cenário, o comprador pode encontrar boas ofertas, mas é preciso cautela na análise das oportunidades de negócios. “Se o consumidor (dessas regiões) não está conseguindo comprar, os preços e a quantidade ofertados podem não estar atrativos”, afirma Zylberstajn.