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Arte guerrilheira na rua Augusta

Nada de tendas ou galerias fechadas. A onda agora é levar a arte para as ruas. E é isso que o projeto Vídeo Guerrilha, idealizado pelo VJ Alexis Anastasiou, faz desde a noite de ontem, na região da Baixa Augusta

Redação

13 Novembro 2010 | 00h50

Megaprojeções de imagens em fachadas de predios da Rua Augusta e arredores abriram o projeto (FOTO: KEINY ANDRADE/AE)

 

Tatiana Piva

Nada de palcos, tendas, salas de concertos ou galerias fechadas. A onda agora é levar a arte para as ruas. E é isso que o projeto Vídeo Guerrilha, idealizado pelo VJ Alexis Anastasiou, faz desde a noite de ontem, na região da Baixa Augusta. São sete pontos, todos ao ar livre, que proporcionam a qualquer pessoa que passe pelas ruas da região curtir vídeos, instalações, grafites e projeções de imagens de até 24 metros de altura – o equivalente a um prédio de 8 andares – refletidos em edifícios da Augusta.

Alexis explica que a escolha do nome “Vídeo Guerrilha” surgiu de uma analogia com os pequenos grupos do mundo que, por meio de guerrilhas, conseguem um grande impacto na sociedade. “É uma proposta de questionamento do espaço. Por que a arte tem de ficar limitada num único lugar, só para alguns grupos? Isso torna o mundo mais chato e mais careta”, diz. “Queremos arte nas ruas, oportunidade para todos”.

Até a noite de hoje, mais de 80 artistas de todo o País e de outras partes do mundo – como Irlanda, Espanha e Holanda – terão seus vídeos exibidos das 20h às 4h nos diversos pontos do Centro. Pelo que ocorreu ontem à noite, a proposta de Alexi tem surtido o efeito desejado.

As pessoas que passavam pelas ruas ocupadas pelo projeto paravam para apreciar as imagens, comentavam sobre as intervenções. Quase todas olhavam para as paredes no alto, atraídas pelas cores e formas nelas projetadas. Quem curtia a noite nos bares da região também aproveitou para admirar essa inusitada exposição de arte urbana. Muitos usavam o celular para fotografar o que viam.

“Não estava sabendo da intervenção, mas não me contive. Tive de parar para ver”, disse o artista plástico Marcio Ramos, 32 anos. Para ele a ideia é genial. “Hoje em dia, o artista é multimídia e é preciso que haja a possibilidade de demonstrarem isso”.

A estilista Juliana Lee, 27 anos, ouviu um amigo comentar sobre o projeto e resolveu passar pela Augusta. “É legal perceber que a arte saiu das galerias e está nas ruas. Isso possibilita acesso a pessoas que não têm tantas oportunidades culturais”, diz Juliana. “Acho até que isso pode atrair mais turistas para a região”.

Grafite virtual

A estilista parou em frente ao Espaço1, localizado na altura do número 1300 e destinado a experimentações ao vivo de grafite virtual. Na parede do prédio acima do Bar Ibotirama, grafiteiros faziam caricaturas e pichações. Além desse espaço, há exposição de trabalhos de arquitetura mapeada, passando por interações com realidade aumentada, criações coletivas entre artistas visuais e VJs e um local voltado para estudantes e novos artistas.

O espaço 7, na R. Augusta, 541, é um dos que mais chama atenção. Ali, funciona o que eles chamam de ‘Agigantador de Pessoas’. Uma instalação que projeta imagens ao vivo de voluntários e atores convidados, captadas com uma câmera instalada num estúdio montado na rua. “As imagens projetadas ficam com mais de 20 metros de altura”, conta Alexis.

Agora, o objetivo dele é expandir a intervenção. Há pouco mais de quatro meses, a equipe do projeto Vídeo Guerrilha esteve no Rio de Janeiro, onde realizou projeções de vídeos e imagens coloridas no Cristo Redentor. No próximo dia 26, eles voltam à cidade. A nova intervenção no Rio acontecerá na comunidade do Morro Dona Marta, localizado em Botafogo, zona sul carioca.

HOJE, DAS 20H30 ÀS 4 HORAS
Espaço 1: Rua Augusta, 1.300
Experimentações ao vivo de grafite virtual
Espaço 2: R. Augusta, 1.276
Apresentação de animações
Espaço 3: R. Fernando de Albuquerque, 31
Trabalhos de novos artistas e estudantes
Espaço 4: R. Augusta, 788
Uso de diferentes técnicas visuais, além de recursos interativos e de realidade aumentada
Espaço 5: R. Augusta, 746
Trabalhos de VJs e artistas internacionais
Espaço 6: Casa abandonada entre a Rua Augusta
e Rua Dona Antonia de Queiroz
Mapping Arquitetônico
Espaço 7: R. Augusta, 541
Fotografia e ‘Agigantador de Pessoas’

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