Ganhador de dois Oscar, Dustin Hoffman estreia na TV

Ganhador de dois Oscar, Dustin Hoffman faz sua estreia na TV na série ‘Luck’, que chega hoje ao Brasil, e mostra os bastidores de luxo e vícios das corridas de cavalo

Redação

05 Fevereiro 2012 | 00h25

FERNANDA BRAMBILLA

Um único episódio e 3,3 milhões de espectadores foram suficientes para que a HBO anunciasse, em dois dias, que Luck, série protagonizada por Dustin Hoffman (também um dos produtores), terá uma segunda temporada, marcada para janeiro de 2013. Não à toa. Antes mesmo da primeira cena, o arsenal de nomões da indústria anuncia a produção puro-sangue: na direção, Michael Mann (do filme Colateral) e, entre os produtores executivos, Eric Roth (de Forrest Gump – O Contador de Histórias e O Curioso Caso de Benjamin Button). Hoje à noite, a HBO estreia a série no Brasil, às 21h. Em cena, Dustin Hoffman, em sua estreia na TV, e Nick Nolte se contrapõem num duelo bestial.

O universo de Luck é o das corridas de cavalo. Pistas visitadas por gente elegante que vem aplaudir e apostar muito dinheiro em animais tão musculosos que parecem máquinas disfarçadas pela cobertura de pelo lustroso. A escolha em ajustar a lente sobre esse cosmo veio do criador da série, David Milch (da série de TV Deadwood). Dono de quatro Emmy, o que o credencia como um ás da televisão, Milch passou décadas de sua vida nutrindo o vício pelo jogo. Universo, portanto, que conhece bem.

Logo, o espectador entenderá que se trata, sim, de uma indústria de máquinas, ganhadoras e perdedoras, igualmente belas. E vivas. Mas isso não vem ao caso. Não ainda.


Aos 74 anos e com a primazia de quem traz dois Oscar no currículo, Hoffman logo apresenta-se como Chester Bernstein, que está prestes a deixar a cadeia. Foram três longos anos para Ace, como os amigos o chamam, e ele anseia respirar fundo à beira da pista de corrida. Sua condenação: lavagem de dinheiro em cassinos e em corridas de cavalo.

Aos poucos, o aspecto asséptico inicial de seu personagem vai se quebrando para revelar facetas contraditórias. Os nervos lhe fervem, ele exaspera e urra frente a um executivo engravatado. No instante seguinte, porém, se recompõe. Sua pressão está alta, precisa se resguardar. Ele quer vingança de todos os que o traíram, mas sabe que essas coisas levam tempo. A seu lado, tem o motorista que lhe foi fiel por toda a vida, Gus (Dennis Farina). Mas, a essa altura do jogo, Chester não confia em mais ninguém.

Do universo dos estábulos, vem o lado passional e apaixonante desse ambiente, voltado, este sim, aos geradores de fortunas. E as pessoas que pairam nesse entorno são absolutamente distintas –investidores ricos, jóqueis novatos e franzinos, agentes ambiciosos e sem coração, socialites que se limitam a importar-se com seus trajes finos, homens extremamente endinheirados e outros cuja esperança de comer está toda depositada no bilhete da rodada a seguir. Toda essa gente sem nada em comum acaba nivelada num mesmo processo que começa com um leve ranger de dentes e um mesmo frio incontrolável nas mãos, seguidos de momentos de coração palpitante, suor excessivo e possíveis cabelos arrancados.

Nesse bolo, há o apostador-junkie (Jason Gedrick), capaz de gastar milhares de dólares ganhos num palpite quente numa noitada. Em 24 anos de dedicação, Turo Escalante (John Ortiz) fez-se um treinador de cavalos respeitados e capaz de laçar de surpresa um alazão campeão. Entre tantos interesses escusos, porém, há um respiro necessário para a atenção que um envelhecido Nick Nolte merece. Um homem que comparte o doce olhar de um jovem cavalo, e lhe fala ao ouvido, como se preparasse um garoto ao seu primeiro dia de aula.

No pé dessa cadeia, o jovem jóquei se concentra, beija sua santa tal qual o peão de rodeio, e monta sua máquina veloz. E se o animal é um objeto a ser movido, ele dita as passadas, a aceleração, e tem nas mãos as rédeas de um motor. Infelizmente, porém, levá-lo ao limite, aqui, pode ser fatal.