Livro ‘Um Dia’ já é sucesso no Brasil

O encontro casual marca os primeiras linhas do livro Um Dia, do inglês David Nicholls. Pelos próximos 20 anos, a publicação, que terá sua adaptação cinematográfica lançada no próximo mês nos Estados Unidos, mostra como está a vida dos dois jovens nesse mesmo dia

Redação

08 Julho 2011 | 07h01

MAIARA CAMARGO

O ano é 1988. Após estudarem juntos por alguns anos, mas andarem com turmas diferentes, Emma Morley e Dexter Mayhew se aproximam numa festa depois da formatura. Os dois vão parar na casa de Em, ou melhor, na cama dela. É ali que, durante a madrugada de 15 de julho, conversam sobre seus sonhos e planos para o futuro.

O encontro casual marca os primeiras linhas do livro Um Dia, do inglês David Nicholls. Pelos próximos 20 anos, a publicação, que terá sua adaptação cinematográfica lançada no próximo mês nos Estados Unidos, mostra como está a vida dos dois jovens nesse mesmo dia.


Lançado no ano passado na Inglaterra, o livro ganhou status de fenômeno mundial. Já foram vendidos mais de 1,35 milhão de exemplares da obra, sendo 700 mil apenas no Reino Unido. Nos Estados Unidos, no mês de lançamento, 275 mil cópias deixaram as prateleiras. O sucesso fez o título entrar para a lista de best sellers do New York Times e Sunday Times, além de conquistar editoras interessadas em 37 países, incluindo o Brasil.

Por aqui, o título começa a chamar a atenção. Lançado pela editora Intrínseca, o livro saiu com uma tiragem de 25 mil exemplares. Vendeu tudo. Na sequência, mais 25 mil exemplares foram impressos e, agora, a editora está imprimindo mais 30 mil exemplares. A boa resposta já faz com que a obra apareça entre os 12 livros mais vendidos do País.

Um Dia é o terceiro livro de David Nicholls. Além de escritor, Nicholls já assinou roteiros para a televisão e cinema (box abaixo), incluindo a adaptação de Simpático, peça de Sam Shepard, para a telona. A proximidade de seu aniversário de 40 anos foi uma das inspirações do autor para criar Emma e Dexter.

“Na universidade, eu e meus amigos discutíamos o que estaríamos fazendo aos 40 anos. E eu não esperava me tornar um escritor. A impossibilidade de prever o futuro é um tema interessante. Como podemos mudar dos 20 aos 40 anos?”, diz o autor.

Outro fator que instigou a imaginação de Nicholls foi o fato de que seus dois primeiros romances eram comédias. “Eu queria escrever algo que fosse grande e emocional, engraçado e triste.”

Temas comuns

Segundo a tradição inglesa, o clima do dia 15 de julho, o dia de São Swithin, se repete por 40 dias. No segundo capítulo do livro, a data é 1989. Um ano depois da transa, Em está trabalhando numa pequena companhia de teatro. Já Dex faz a linha playboy e está fazendo uma série de viagens. Os dois já não falam do romance que tiveram e se tratam como amigos.

Elogiada por escritores como Nick Hornby e Tony Parsons, a publicação mostra nos protagonistas todos os sinais da juventude. Mesmo sendo bonita, Em é insegura, aceita um namorado apenas por ele estar interessado nela. Já Dex não assume nenhum tipo de responsabilidade, sai com muitas mulheres ao mesmo tempo e age como um bacana na maior parte do tempo.

O jeito de jovem adulto dos protagonistas pode não agradar a todos, mas é difícil não se reconhecer nas falsas impressões e expectativas que eles têm, além de manter a torcida para que eles fiquem juntos.

Com o decorrer dos capítulos e da idade, é interessante ver o que o amadurecimento faz com a vida da dupla. Para Nicholls, a explicação do êxito da obra está ligada ao fato de que as experiências que Dexter e Emma vivem são comuns a todas as pessoas.

“Os temas oportunidades perdidas, amor perdido, ideais perdidos, arrependimentos, e acima disso, a importância da amizade fazem sentido para todos. O livro é sobre como nos sentimos aos 22, 26, 33, 39 anos”, afirma.

É o próprio Nicholls quem assina o roteiro de One Day. No filme, que ainda não tem data de estreia no Brasil, Em é interpretada por Anne Hathaway. E o ator Jim Sturgess dá vida a Dex. A direção é de Lone Scherfig, que assinou Educação (2009), longa que foi roteirizado por Hornby, o mesmo que fez vastos elogios para One Day.

Apesar da familiaridade com o cinema, Nicholls diz que não pensou em filme quando escreveu o livro e que foi difícil adaptá-lo à telona. “Quando estou produzindo uma ficção, eu só penso em fazer uma boa prosa. Embora o cinema seja uma influência no meu trabalho, eu não trato meus romances como obras na sala de espera”, afirma. Seja no cinema, seja na livraria, David Nicholls é um nome que deve estar em alta por mais do que um dia.

Leia aqui o primeiro capítulo do livro.