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Terça-feira, 1 de abril de 2008, 17:55 | Online
Agressões alteraram o metabolismo da garota, dizem médicos
Os responsáveis pela realização dos exames ficaram chocados; laudo deve ser divulgado nesta quarta-feira
Rubens Santos, de O Estado de S.Paulo
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O laudo médico será divulgado nesta quarta-feira, 2, segundo o Hospital São Francisco. A ressonância magnética foi feita pelos médicos para descobrir um tipo de febre, de 39ºC que aparece e depois some. Acreditam que é devido ao esforço para se manter na ponta dos calcanhares, enquanto suspensa pelos braços amarrados às correntes. Há, também, uma lesão na língua e quatro cicatrizes que nasceram após Silvia cortar a língua dela com alicate.
Os médicos adiantaram que, à medida em que as feridas, marcas e contusões eram localizadas, LRS relatava como surgiram em seu corpo. A menina foi marcada com ferro elétrico, de passar roupa, em cada um dos glúteos. Quente, o ferro deixou suas linhas na forma de uma severa queimadura, de aspecto horrível. A região lombar também foi marcada pelo ferro quente, e as três feridas deverão levar meses até cicatrizar se for descartada, por exemplo, a cura por meio de enxerto de gordura ou de pele.
Há cerca de 11 buraquinhos no couro cabeludo, descobriu a médica Eliane Frota. LRS explicou como eles surgiram: "A tia Silvia fez com o salto do sapato alto". A mucosa do nariz está ferida: "Ela enfiou uma tesoura no meu nariz". Você sente dores no abdome e nas costas? "Sim, muita, ela me batia e dava socos nas minhas costas e na barriga". Há atrofias nos braços, ruídos nos ouvidos, necrose embaixo das unhas das mãos: "Ela se acalmava quando via os dedos prensados na porta", contou a menor.
Hemogramas e eletroencefalogramas precedem as consultas com dermatologista, cardiologista, clínico geral, oftalmologista, pediatra e neurocirurgião. Um dentista reconstruiu um dente da arcada superior, e retirou as sobras do aparelho ortodôntico avariado dentro da boca.
Os exames também revelaram os dias tensos - dois anos - da menina na companhia da empresária, e as causas do quadro agudo de desnutrição. LRS contou que Silvia colocou uma barata em sua boca, fechou tudo com uma gaze e depois mordaça: "Ela colocava o pano e a barata na minha boca", contou. "Um dia eu comi uma; não é pecado, não é mesmo?", falou inocente. "Já comi um pano, estava com tanta fome!", relatou aos médicos.
LRS disse que mais de uma vez percebeu que havia no ar um estranho prazer nas sessões de tortura. Após quatro dias sem alimentos, "tia Silvia" a obrigou a comer ração, depois as fezes e a beber a urina do cachorro. "E eu tinha de engatinhar pra comer e beber", contou aos médicos.
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Silvia Calabresi Lima,
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