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sábado, 14 de junho de 2008, 16:28 | Online
Polícia prende um durante passeio ciclístico nu em São Paulo
Movimento em várias cidades do mundo protesta pelos direitos dos ciclistas no trânsito das grandes cidades
Carolina Spillari - estadão.com.br
O grupo, que começou a percorrer a região por volta das 14 horas, passou pelas ruas Manoel da Nóbrega, Estados Unidos e Bela Cintra e retornaram para a Paulista. O passeio complicou o trânsito na avenida. Às 16h30, a fila de engarrafamento alcançava 2,2 km no sentido Consolação, entre a Rua Augusta e a Praça Oswaldo Cruz. Ou seja, quase toda a extensão da via.

Foto: André Penner/ Associated Press
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a Prefeitura não autorizou o evento, chamado de World Naked Bike Ride, que pretende protestar pela segurança dos ciclistas, ignorados por motoristas e com raros espaços transitáveis em São Paulo.
A polícia, que fazia a escolta do evento sobre duas rodas, de repente partiu para cima de um grupo de ciclistas que estava próximo de André Pasqualini. A indignação dos participantes, com a prisão, provocou a ira da polícia que reagiu com cassetetes e gás pimenta.
O subcomandante do 7º Batalhão Policial, Major Benjamin, quando questionado sobre a truculência da polícia, negou violência. Segundo o policial, o procedimento adotado foi o padrão. Ele negou que a polícia tenha usado cacetetes, mas alguns ciclistas ficaram com as marcas da agressão.

Foto: André Penner/ Associated Press
O estudante de Ciências Sociais da USP, que pedalou a maior parte da marcha de cueca, Thiago Tenório, afirma que a bicicleta precisa ser incorporada ao espaço urbano. "A cidade tem que se adaptar à bike que é um veículo usado em todas partes do mundo".
Para o funcionário público, Daniel Cavalari, a bicicleta precisa deixar de estar à margem da sociedade em São Paulo. "A própria atuação da polícia nesse caso demonstra que a bicicleta não faz parte da"ordem". O planejamento urbano só leva os automóveis em consideração ", opinou referindo-se à Ponte Octavio Frias de Oliveira na Avenida Roberto Marinho - recém construída e que não previu a passagem de pedestres e ciclistas no projeto.
Atropelada três vezes, a administradora de empresas, Luciana Telles, fez parte da World Naked Bike Ride para reafirmar o direito de ir de vir. De biquíni e com as costas pintadas com a palavra "respeito", ela expressou o sentimento de fragilidade do ciclista nas ruas de São Paulo. "Com a bicicleta diminuo o tempo das minhas viagens diárias entre casa de trabalho", incentiva a ciclista que faz 15 quilômetros diários.
O passeio ciclístico nu foi realizado pela primeira vez no País e aconteceu simultaneamente em cidades como Londres, e Vancouver. Também participam do World Naked Bike Ride, mas em outras datas, Madri, Paris, Cidade do México e Montreal. Nessas cidades, o movimento tem sido engrossado nos últimos anos por skatistas, que decoram seus corpos com mensagens de protesto contra a "cultura do carro".
O passeio-manifestação continua em São Paulo, na última sexta-feira de todo mês.
(Com Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo e Elvis Pereira, do estadao.com.br)
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