Rio de Janeiro
terça-feira, 21 de agosto de 2007, 19:01 | Online
Policiais civis fazem passeata por reajuste no Rio
Cerca de 50 policiais bloquearam o trânsito do Túnel Santa Bárbara para protestar contra o governador
Alexandre Rodrigues, do Estadão
Cerca de 50 policiais bloquearam o trânsito do Túnel Santa Bárbara e passaram canecas e panelas entre pedestres e motoristas, como se pedissem esmolas. Em frente ao Palácio Guanabara, o grupo se uniu a profissionais de saúde e professores (também em greve), na maior manifestação de servidores estaduais enfrentada por Cabral, com cerca de 800 pessoas.
A greve de três dias dos policiais civis começou na segunda-feira. Como determina a lei, 30% do efetivo foi mantido nas delegacias. Apenas prisões em flagrante, roubos e furto de veículos e remoção de cadáver são registrados. Apesar de Cabral ter anunciado o corte do ponto dos grevistas, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, reuniu-se com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira.
Segundo o presidente, o secretário prometeu interceder junto ao governador para reabrir as negociações em torno da reincorporação de uma gratificação da categoria. "Retomado o diálogo, acaba o movimento. Ninguém quer prejudicar a população", afirmou Bandeira.
Para os sindicalistas, o movimento grevista foi detonado pelo próprio governador, quando reuniu parte do secretariado e anunciou, em entrevista coletiva na semana passada, o plano de reajuste gradativo dos salários de funcionários das áreas consideradas por ele "estratégicas". O anúncio surpreendeu as três categorias, que interpretaram o gesto como o fim das negociações que estavam em curso com o governo estadual.
"O governador conseguiu, pela primeira vez, unir os servidores da saúde, da educação e da segurança", afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze. Os profissionais de saúde não entraram em greve, mas a categoria promete engrossar todas as manifestações de professores e policiais. A próxima manifestação está marcada para esta quarta-feira, quando os servidores pretendem pressionar os deputados estaduais a rejeitar a proposta de Cabral na Assembléia.
Indignação e bom humor
O protesto foi marcado pela indignação e pelo bom humor. Professores traziam faixas ironizando o parcelamento do reajuste. "Governador, sem juros só nas Casas Bahia", dizia uma delas, com um desenho do governador caracterizado como o mascote da loja. Enquanto recolhiam moedas de pedestres e passageiros de ônibus, alguns policiais brincavam: "Eu poderia estar extorquindo, mas estou aqui pedindo uma esmola".
"Como estamos sendo tratados como mendigos, estamos agindo como tal", queixou-se o inspetor Francisco de La Torre. O inspetor Marcelo Campos, acenou para os 120 PMs convocados para proteger o palácio com uma nota de R$ 2. "Vocês não podem se manifestar, mas sabemos o que está no coração de vocês. Tem PM morrendo por essa merreca aqui", disse.
Apesar de terem bloqueado o trânsito por duas vezes, os manifestantes não conseguiram que uma comissão fosse recebida no interior do palácio. O governador estava reunido com todo o seu secretariado em um edifício do Centro do Rio para tratar do gerenciamento dos projetos do PAC no Estado.
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