São Paulo
quarta-feira, 29 de agosto de 2007, 17:25 | Online
MPE mantém promotor acusado de assassinato no cargo
Com a decisão, Thales Ferri Schoedl deverá ser julgado por assassinato em foro privilegiado
Camilla Rigi, do Estadão
Opine: promotores acusados de assassinato deveriam ter foro privilegiado?
Thales Schoedl é acusado de ter cometido o crime enquanto ainda estava no estágio probatório, período de dois anos a que todo promotor deve se submeter após passar em concurso público para assumir o cargo. Com a decisão de hoje, ele conseguiu sua efetivação como promotor, conhecida como vitaliciamento, mesmo sem ter cumprido esses dois anos, explica a assessoria de imprensa do Ministério Público.
Schoedl poderá reassumir suas funções assim que a decisão for publicada no Diário Oficial do Estado, o que deve ocorrer nos próximos dias. O caso cria uma situação insólita, em que um promotor acusado de homicídio poderá trabalhar na acusação de outras pessoas pelo mesmo crime. Ele havia sido exonerado do cargo em outubro de 2005, mas recorreu e conseguiu reverter a decisão no Tribunal de Justiça. Mesmo afastado do cargo, ainda recebia o salário, de R$ 10,5 mil, de promotor.
Crime
O crime ocorreu em 30 de dezembro de 2004. Schoedl disse que os dois jovens e mais dois amigos haviam assediado sua namorada, Mariana Ozores Bartoletti, enquanto os dois saíam de um luau. O promotor discutiu com os rapazes e atirou contra os dois. Ele foi preso em flagrante, mas alegou legítima defesa.
Na época, o promotor foi denunciado por homicídio duplo qualificado (um consumado) pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho. Ele passou dois meses preso, até fevereiro de 2005. Não cabe mais recurso à decisão. Em depoimento, ele declarou que voltava para casa com a namorada Mariana Uzores Batoleti, então com 19 anos, quando um grupo de mais de dez rapazes passou a olhar para a moça. Schoedl afirmou ainda que agiu em legítima defesa.
O assassinato aconteceu em 30 de dezembro de 2004, após um desentendimento. Thales teria disparado 13 tiros na direção do grupo, quando teria atingido Modanez. Ele também é acusado de ter atirado contra Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21 anos.
(Colaborou Mário Sérgio, da Agência Estado)
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