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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008, 14:06 | Online
Brasil, Bolívia e Argentina terão usinas em parceria
Serão três usinas conjuntas entre Brasil e Argentina e duas usinas entre Brasil e Bolívia
Tânia Monteiro, da Agência Estado
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Próxima reunião será em La Paz, dentro de 10 dias
Após a reunião dos três presidentes em Buenos Aires, no último sábado, ficou acertado que em 10 dias haverá um encontro entre ministros para discutir a política energética do Mercosul. Segundo Lobão nessa reunião, cujo local ainda não foi definido, serão discutidos os termos dos acordos dessas hidrelétricas.
O ministro reconhece que não são obras de curto prazo, mas para tentar solucionar os problemas desses países. Esse plano conjunto de construção de hidrelétricas, segundo o ministro, será nos moldes da usina hidrelétrica de Itaipu, no Paraguai.
Segundo o ministro, naquilo que os países não puderem arcar com as despesas, recorrerão ao crédito externo. Edison Lobão informou também que por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participará dessas reuniões para evitar problemas de licença ambiental. "Isso é para que a burocracia seja definitivamente banida nesses entendimentos", declarou Lobão.
Gás boliviano Sobre o pedido da Argentina de cessão de gás que o Brasil importa da Bolívia, o ministro Lobão foi taxativo, reiterando que o Brasil não abre mão do gás boliviano. "Não haverá nenhuma modificação no contrato assinado com a Bolívia." Ele ressaltou, no entanto, que o Brasil está disposto a ajudar a Argentina com outras formas de energia. "Vamos ajudar o país amigo nos momentos difíceis", disse o ministro, numa referência ao fornecimento de energia ao país vizinho, no inverno.
No final de semana, na primeira reunião do grupo de trabalho formado por ministros da Argentina, Bolívia e Brasil para discutir a falta de energia na região, o governo brasileiro cobrou informações sobre produção e necessidades de cada país. Durante visita a Buenos Aires, entre sexta-feira e sábado, para discutir o problema, o presidente Lula reclamou de informações desencontradas e insistiu que o grupo precisa pensar em ações de médio e longo prazo e não se restringir a necessidades imediatas, como a que levou a Argentina a pedir que o Brasil cedesse parte dos 31 milhões de metros cúbicos de gás que importa da Bolívia. O Brasil negou o pedido e, segundo integrantes da comitiva brasileira, Lula quer encerrar o assunto.
Em reunião com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales, no sábado, Lula insistiu que não é possível discutir a falta de gás e as carências energéticas "quando o problema está iminente". O presidente defendeu que, em vez de soluções pontuais, haja política estratégica de energia para a região. E, para isso, afirmou, são fundamentais informações confiáveis sobre produção e demanda.
Negociadores brasileiros citaram, por exemplo, que há dados diferentes sobre a produção boliviana de gás. Ora se fala em 39 milhões de metros cúbicos diários, ora em 42 milhões e até em 45 milhões.
Em 2006, a Argentina firmou acordo com a Bolívia para receber 7,7 milhões de metros cúbicos diários de gás, mas o presidente Evo Morales já deixou claro que não terá como cumprir a promessa. Morales ficou ao lado de Cristina Kirchner e defendeu a revisão nas cotas argentina e brasileira.
O presidente Lula, no entanto, disse que a economia brasileira está crescendo e a indústria aquecida impede que o governo repasse parte do gás que recebe da Bolívia. Em vez de gás, ofereceu repasse de energia elétrica durante o inverno, quando há risco de desabastecimento na Argentina.
Estranheza
A presença de Evo na reunião de sábado, a convite da presidente argentina, causou estranheza à comitiva brasileira, embora fizesse parte da programação oficial. No entendimento de ministros e do presidente Lula, o presidente boliviano deveria ter ficado isento e sua presença era dispensável. Apesar de se tratar de gás boliviano, o impasse envolvia Brasil e Argentina.
Segundo negociadores ouvidos pelo Estado, Evo tinha expectativa de vender seu gás mais caro à Argentina. Na interpretação da comitiva, Morales aliou-se a Cristina Kirchner numa tentativa de "encurralar" o Brasil, mas a estratégia não deu certo. Ao aliar-se à Argentina, Morales não levou em conta o fato de que o Brasil, por meio da Petrobrás, tem feito investimentos na Bolívia decisivos para ampliar a exploração do gás.
Na volta ao Brasil, Lula elogiou a atuação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nas negociações com a Argentina. O presidente gostou dos argumentos apresentados por Lobão de que a indústria brasileira tem necessidade absoluta de todo o gás que o Brasil importa. O presidente comentou que é preciso deixar o discurso do problema conjuntural e tratar a questão de forma estrutural.
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