Geral
segunda-feira, 17 de março de 2008, 14:33 | Online
Decisão do Fed cria mais nervosismo nos mercados
Investidores entenderam que, se o Fed tomou esta decisão 2 dias antes da reunião, é porque a situação é pior
Agência Estado, com agências internacionais
Veja também:
BCs injetam recursos para socorrer bancos
Crise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMI
JPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões
Entenda a crise nos Estados Unidos
Veja os efeitos da desvalorização do dólar
JPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA
Os investidores entenderam que, se o Fed tomou esta decisão dois dias antes da reunião mensal da instituição, é porque a situação é pior do que se imaginava. As bolsas em Nova York operam em queda desde o início do dia. Às 14h40, o índice Dow Jones está em baixa de 1,33% e a Nasdaq está no patamar mínimo do dia, com baixa de 2,53%. No Brasil, a queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chega a 4%.
O mercado também ficou instável com a notícia da compra do Bear Stearns pelo JPMorgan a preço de liquidação. As ações do Bear derreteram hoje. Ações de bancos de investimentos - como Merrill Lynch e Lehman Brothers - estão sobre forte pressão. Muitos economistas importantes esperam que o Fed reduza, na terça-feira, a taxa de juro em 1 ponto porcentual, o que seria mais uma ação radical.
No mercado doméstico, o dólar sobe respondendo às tensões do exterior. Às 14h40, a moeda norte-americana é cotada a R$ 1,7320 - patamar máximo do dia - em alta de 1,05%.
As bolsas européias operaram em estado de pânico. O índice FTSE 100 de Londres fechou com queda de 3,86%. O CAC-40, de Paris, caiu 3,51% e o Dax, de Frankfurt, encerrou com baixa de 4,18%. Na Ásia, o índice Nikkei de Tóquio fechou em queda de 3,7% e o Hang Seng, de Hong Kong, registrou baixa de 5,2% em seu fechamento.
Bush
Apesar do clima de pessimismo nos mercados internacionais, o presidente americano, George W. Bush, tentou tranqüilizar os investidores. "Certamente, estamos passando por momentos desafiadores", afirmou Bush, em Washington. "Mas outra coisa também é certa: estamos tomando medidas fortes e decisivas." "O Federal Reserve (Fed, banco central americano) agiu rapidamente para colocar ordem nos mercados financeiros", acrescentou.
Bush também voltou a afirmar que, em longo prazo, a economia americana ficará bem e elogiou o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson. "Gostaria de agradecer ao secretário pelo trabalho durante o fim de semana", disse o presidente americano. "Você mostrou ao país e ao mundo que os Estados Unidos estão cuidando do problema", acrescentou. "E reafirmou o fato de que nossas instituições financeiras são fortes e que nossos mercados de capitais estão funcionando de forma eficiente." "Obviamente, vamos continuar a monitorar a situação e, quando for necessário, vamos agir de forma decisiva para continuar a trazer ordem para os mercados financeiros", acrescentou.
O que esperar do Fed?
Muitos economistas de instituições importantes, como o Goldman Sachs e o Citigroup, esperam que na reunião de terça-feira, o banco central americano reduzirá a taxa básica em 1 ponto porcentual. Com isso, os juros nos Estados Unidos vão cair para 2% ao ano. Se os economistas estiverem certos, o corte na taxa básica de juro representará mais uma ação radical do presidente do Fed, Ben Bernanke. Desde que o Fed tornou públicas as suas decisões sobre taxa de juros, o BC nunca adotou um passo como esse.
No final de semana, além de reduzir a taxa de redesconto, o Fed deu um passo extraordinário ao acrescentar uma nova linha de empréstimo para os primary dealers, bancos que operam diretamente com o BC dos EUA. A magnitude das grandes decisões do Fed tem como alvo os mercados financeiros, na medida em que as autoridades lutam para evitar que as condições desse setor danifiquem a economia americana, que, segundo a maioria dos especialistas, está em contração. Reduzir a taxa de juro novamente tem o objetivo, de ajudar a economia ampla, mas a magnitude do movimento tem mais relação com a questão da confiança e não com a economia.
Mesmo com os economistas defendendo cortes radicais pelo Fed, é difícil encontrar clareza sobre o impacto de longo prazo. Virtualmente, ninguém espera uma melhora imediata nas condições econômicas, e diante do estado perverso do sistema financeiro, está claro que será necessário algum tempo até que os problemas sejam sanados. Se o Fed responder positivamente às demandas de corte de 1 ponto porcentual, outros problemas entrarão em cena. O Fed já agiu agressivamente desde o último outono e é uma possibilidade real que a taxa de juros se esgote antes de prover impulso adicional para a economia.
Ao mesmo tempo, o Fed já tem em suas mãos o problema da inflação e com a alta das commodities, várias medidas de expectativas de inflação vão se deteriorar.
Tags:
Crise nos EUA,
Bear Stern,
Juro americano
O que são TAGS?