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quinta-feira, 10 de abril de 2008, 09:06 | Online

Produção maior é saída contra inflação, diz Lula

No Brasil, segundo Lula, o BC está atento a esta tendência de alta dos preços desde o final de 2007

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

Lula ao lado de D. Marisa e a rainha Beatrix

Sergio Dutti/AE

Lula ao lado de D. Marisa e a rainha Beatrix

SÃO PAULO - Para combater a inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu o aumento da produção. Segundo ele, desde o final do ano passado, o governo tem acompanhado o aumento da inflação e percebe também que esse movimento vem ocorrendo em vários países do mundo, como na China, no Chile e países da Europa. "Isso tem uma razão: os pobres do mundo estão começando a comer mais. Tem mais chineses comendo, tem mais brasileiro comendo tem mais africano comendo, e isso tudo faz crescer a pressão por alimentos", afirmou o presidente, que está em visita oficial à Holanda. "O que precisamos é produzir mais."

 

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Em declaração conjunta ao lado do primeiro ministro holandês, Jan Peter Balkenende, Lula disse que, no caso do Brasil, a pressão inflacionária ocorre principalmente por causa de dois produtos: feijão e leite. Segundo ele, dos 4,5%, que é a meta da inflação fixada pelo governo para o ano, o feijão e o leite respondem por 0,7% e que se não fossem esses dois produtos, o índice seria de 3,8%.

 

"E são dois produtos que temos competência para produzir em maior escala". Temos terra e uma cultura que em 90 dias se planta e colhe", ressaltou. "O mundo precisa produzir mais alimentos" defendeu o presidente, que reagiu às declarações de que o Brasil estaria deixando de plantar alimentos para plantar cana-de-açúcar e produzir combustível.

 

"Não me venha com discurso de que o problema são os biocombustíveis", afirmou. Para ele não há nenhuma relação entre esses dois assuntos. "Nós não temos esse problema no Brasil", ressaltou o presidente, lembrando que o País tem 850 milhões de hectares de terra e que destes, 400 milhões são agricultáveis.

 

Apesar de demonstrar preocupação com os rumos da inflação, Lula disse ainda que o Brasil vive um momento muito especial, por conseguir combinar crescimento do mercado interno com o externo; crescimento da economia com inclusão social e crescimento da economia com inflação baixa. Ele defendeu uma parceria maior com a Holanda, seja na área da indústria, da ciência, e do comércio e defendeu o aprofundamento das parcerias na área de biocombustíveis. Lula lembrou que a União Européia decidiu até 2020 introduzir 10% dos biocombustíveis como matriz energética.

 

Ele ressaltou que o Brasil já domina a técnica na produção de biocombustíveis, como o etanol, e ressaltou a importância desse tipo de desenvolvimento de projeto para ajudar outros países a se desenvolverem nessa área. Para o presidente Lula, os biocombustíveis são a "esperança de modelo de desenvolvimento" para a África, América Latina e países asiáticos. "É só olhar o Haiti hoje o quanto se beneficiaria se ali fosse produzido esse tipo de produto.

 

Um pouco antes, o primeiro-ministro holandês disse que considera normal os países europeus terem preocupação com a sustentabilidade dos biocombustíveis. Ele citou que a Holanda tem uma preocupação especial com essa questão, porque o país é muito suscetível a qualquer mudança climática.

 

Índices mostram alta dos preços

 

Os índices de inflação divulgados no início deste ano, de fato, têm deixado o BC em alerta. Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bem acima do esperado para fevereiro. A alta ficou em 0,48% - a expectativa era de que o índice ficasse em 0,35%.

 

O número de março é o mais alto para o mês desde 2005. Apenas no primeiro trimestre do ano a inflação acumula alta de 1,52%. Em 12 meses, está em 4,73% - acima do centro da meta de inflação que é de 4,5%.

 

Na manhã desta quinta, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo (IPC). Mais uma vez pressionado pelos maiores custos de alimentos, o IPC subiu 0,38% na primeira quadrissemana de abril, seguindo a variação positiva de 0,31% no mês de março.

 

Analistas previam inflação de 0,37%, segundo a mediana dos prognósticos. Os custos do grupo Alimentação aumentaram 0,47% no início do mês, após subirem 0,27% em março.

 

 

 

 


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